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CAMINHOS PARA MINIMIZAR CRISE

Do equilíbrio de folha até buscar e cumprir acordos: Gustavo Dubeux aponta caminhos para Sport minimizar crise financeira

Ex-presidente do Sport, Gustavo Dubeux concedeu entrevista à Rádio Jornal

Lucas Holanda
Lucas Holanda
Publicado em 29/07/2021 às 18:15
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ANDRÉ NERY/JC IMAGEM
Dubeux foi procurado por muitas lideranças do Sport para retornar ao comando do clube, mas não quis ser candidato na última eleição. - FOTO: ANDRÉ NERY/JC IMAGEM
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Que o Sport vive grave crise financeira isso é inegável. Desde o fim de 2017, ainda na gestão do ex-presidente Arnaldo Barros, que os atrasos salariais começaram a ser constantes na Ilha do Retiro, além da falta de pagamentos em acordos na Justiça. Com o clube nesta situação e com grandes dívidas, o ex-presidente Gustavo Dubeux enxerga que o Rubro-Negro precisa tomar algumas atitudes para minimizar essa crise e voltar a ter credibilidade. 

Em entrevista ao comentarista Ralph de Carvalho, da Rádio Jornal, o ex-mandatário apontou alguns caminhos que o Sport deveria seguir. Na visão de Dubeux, o primeiro passo deve ser o equilíbrio de folha, tendo em vista que o clube tem um prejuízo de R$ 1,5 milhão por mês, segundo informou o vice-presidente Yuri Romão, em entrevista ao programa Fórum Esportivo.

"É importante frisar que o Sport é um clube grande, de muito potencial e nós temos que valorizar para não cair em descrédito feito está hoje. Primeira coisa, que eu acho que eles estão fazendo, é equilíbrio da folha. Você tem que ter uma receita que possa pagar suas despesas. Então para isso não se pode ter uma folha que todo mês se tem um déficit muito grande. E como faz isso? Um consenso é ter 15, 16 jogadores, que são aqueles que estão jogando, e o restante com jogadores da base para chegar no número de 25, 30 atletas, que é que os treinadores usam", disse Dubeux. 

"Precisa mudar a política de todo jogador que desponta na base mandar para um clube maior, que fique com um percentual maior daquele jogador e, só na hora da venda, o Sport receber alguma coisa, e não utilizar o jogador. O Sport revelou alguns jogadores importantes, que estão em grandes clubes, e precisa repatriar esses jogadores para fazer esse equilíbrio da folha. E esses jogadores serão valorizados aqui mesmo", afirmou o ex-mandatário.

Débitos

Na última quarta-feira, em entrevista ao repórter Antônio Gabriel, da Rádio Jornal, o vice-presidente jurídico do Sport, Rodrigo Guedes, afirmou que o Rubro-Negro contabiliza 36 casos na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o órgão que resolve conflitos jusdesportivos envolvendo o futebol, totalizando um débito de cerca de R$ 20 milhões.

A nova administração do clube se reuniu com os advogados que representam o rubro-negro junto à CBF e está passando um pente fino em todas as ações que existem contra o Sport tanto na CNRD quanto na Justiça do Trabalho. O objetivo é encontrar possíveis ações que existam em duplicidade, já que um jogador pode, por exemplo, acionar o Leão nas duas vias. 

Na visão de Gustavo Dubeux, um dos caminhos para o Rubro-Negro minimizar é buscar acordos e, mais do que isso, cumpri-los. Além disso, o ex-mandatário destacou a importância de se tentar negociar esses débitos, tendo em vista que muitos ações são infladas pelo atual momento de descrédito que passa o Sport, acumulando problemas financeiros - inclusive com atletas que sequer jogaram, vide o volante Renteria, que deixou o Rubro-Negro sem ter ido até para o banco de reservas e cobra mais de R$ 1 milhão na Justiça.

"Tem que se colocar um advogado com sangue nos olhos para negociar uma por uma. Agora fazer uma negociação que possa pagar. E como pode pagar? O Sport tem uma dívida que todo mês sai do clube, que são os 20% que vão para a 12ª Vara, que se eu não me engano já tem mais de R$ 9 milhões, e que pode se fazer uma conversa, porque isso tudo será gerado um problema que deverá ser pago com esses recursos, e já começar a fazer isso, fazer os acordos e ir pagando com essa verba", disse. 

"Porque se fizer um acordo para pagar com a receita, que hoje é inferior a despesa, nunca vão conseguir honrar. Tem que honrar com o dinheiro que está lá depositado, tendo um entendimento com o juiz da Vara, dizendo: 'olha, estou com esse problema, era 20 e consegui negociar para 4, 5, e quero utilizar esse dinheiro para não gerar mais um problema'. Acho que o caminho é esse e é o que o pessoal deve fazer", completou Dubeux. 

Embora existam 36 casos contra o Leão, basta um para impossibilitar o clube de inscrever jogadores, isso porque o que gera advertências e posteriormente uma punição é o estágio em que cada caso está. Quando um caso é julgado e sai a sentença, há um tempo determinado para que o pagamento seja feito. Se o Sport não pagar, é dado um prazo.

Apoio

Apoiador da atual gestão do Sport antes mesmo dela ser eleita, Gustavo Dubeux revelou que sempre que pode dá seus conselhos e ajuda 'da melhor forma possível'. "Até um credor, que é fornecedor de algumas coisas e eu conheço, falei para ele reduzir. Não quero expor o clube, mas a gente tem que olhar para frente e ajudar quem está lá para resolver caso a caso", disse.

"Agora, quando o credor vê que o devedor não tem credibilidade, bota a dívida lá em cima, isso é normal. Tem que negociar cada dívida e honrá-la. E a forma é essa daí. A outra forma é buscar novos patrocínios e novas receitas para equilibrar o clube, sair dessa situação e voltar a ter credibilidade", finalizou.

 

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