IMUNIZAÇÃO

Conheça o plano de vacinação contra a covid-19 lançado pelo governo federal nesta quarta (16)

No plano, o Ministério da Saúde não estima data para começo da aplicação das vacinas, mas afirma já negociar cerca de 350 milhões de doses para 2021

Marcelo Aprígio
Marcelo Aprígio
Publicado em 16/12/2020 às 11:29
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ISAC NÓBREGA/PR
Lançamento do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19. Como o calenário proposta "Zé Gotinha" tem emprego garantido até 2022. Foto: Isac Nóbrega/PR - FOTO: ISAC NÓBREGA/PR
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O governo federal lançou oficialmente na manhã desta quarta-feira (16) o plano nacional de imunização contra o novo coronavírus, em uma cerimônia no Palácio do Planalto. No documento, batizado de "plano nacional de operacionalização da vacinação", o Ministério da Saúde não estima data para começo da aplicação das vacinas, mas afirma já negociar cerca de 350 milhões de doses para 2021.

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, participaram do evento, no entanto, não fizeram uso de máscara, equipamento considerado fundamental por especialistas em saúde para conter a propagação do coronavírus.

Em seu discurso no evento, que contou com a presença de governadores da oposição, Bolsonaro adotou um tom de conciliação. "Se algum de nós extrapolou, ou exagerou, foi no afã de buscar solução", afirmou o chefe do Executivo nacional. A declaração destoa do perfil de outras declarações feitas desde o início da pandemia, em março, pelo presidente, que tem criticado medidas tomadas por governos de estados e municípios para conter a propagação do coronavírus, como o fechamento de parte do comércio e isolamento social.

Por sua vez, Pazuello disse que não é preciso ter "ansiedade" e "angústia" sobre a vacinação e afirmou que o país tem "capacidade de ter o maior programa nacional de imunização do mundo”. O titular da pasta da Saúde pediu ainda que as pessoas não duvidem da credibilidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Vamos levantar a cabeça. Acreditem. O povo brasileiro tem capacidade de ter o maior sistema único de saúde do mundo, de ter o maior programa nacional de imunização do mundo, nós somos os maiores fabricantes de vacinas da América Latina. Para quê essa ansiedade, essa angústia? Somos a referência na América Latina e estamos trabalhando”, declarou o ministro.

"Cuidado com as pessoas que falam da nossa Anvisa. A Anvisa é a nossa referência e é uma referência mundial. E ela é independente, ela é uma agência de Estado", disse. “Não podemos colocar em dúvidas a credibilidade da Anvisa”, completou.

Vacina gratuita

O ministro afirmou também que todos os brasileiros receberão a vacina de forma gratuita, nos postos de vacinação. E disse que os imunizantes serão “vacinas registradas, vacinas garantidas em sua segurança e eficácia. Nós não podemos brincar com a saúde da população brasileira.” "Todas as vacinas produzidas no Brasil, ou pelo Butantan, pela Fiocruz ou qualquer indústria, terá prioridade do SUS e isso está pacificado", pontuou.

Segundo ele, o governo federal irá entregar as doses das vacinas aos estados, que serão responsáveis pela logística e distribuição em seus territórios. Assim, os estados terão de fazer o material para imunização chegar ais municípios, que aplicarão as vacinas. O Ministério da Defesa auxiliará no trabalho.

"A logística é simples. Apesar do nosso país ser desse tamanho, temos toda a estrutura já planejada e pronta. O 'Q' da questão está no cronograma. Esse cronograma depende de registro. Eu tenho de falar em hipóteses. Temos mais de 200 milhões de doses negociadas, Temos previsão de assinatura de medida provisória ainda nesta semana de 20 bilhões de reais", explicou o ministro.

Pazuello se solidarizou com as famílias das mais de 182 mil pessoas vítimas da covid-19 e disse que "os números são duros".

Já o secretário de vigilância do Ministério da Saúde, Arnaldo Medeiros, disse que o governo vai começar nesta quarta uma campanha dividida em duas etapas. A primeira é voltada à conscientização da população em relação à eficácia das vacinas que o Brasil vier a utilizar. A segunda etapa será o momento de chamar as pessoas para receber as doses. “Prepare-se e cuide-se porque o que nós queremos um é um Brasil imunizado, porque somos todos uma só nação", disse Medeiros.

Assista ao lançamento do plano

O que diz o plano

No último sábado (12), por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), o Ministério da Saúde já havia apresentado uma versão do material. No entanto, após receber diversas críticas, reformulou o documento. Entre as mudanças contidas na nova versão do plano, de 110 páginas, apresentada nesta quarta-feira, o governo passa a afirmar que está negociando a compra da CoronaVac, vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac e o Instituto Butantan, órgão ligado ao governo de São Paulo, cujo mandatário é o tucano João Doria, adversário político do presidente Jair Bolsonaro. Além da CoronaVac, outras 12 vacinas que estão na terceira e última fase de estudos podem ser aprovadas para aplicação em massa no Brasil, segundo o documento.

Outro ajuste foi feito na composição do grupo prioritário para vacinação. Agora, a população carcerária volta a ser considerada pelo governo como parte desse conjunto na fila de prioridade para receber o imunizante.

A exemplo da primeira versão, o plano continua prevendo a vacinação primeiro de grupos considerados prioritários, por estarem mais expostos ao coronavírus ou serem mais vulneráveis à doença. Segundo o governo, 51 milhões de pessoas serão vacinadas nessa etapa, o que vai exigir 108,3 milhões de doses. Cada pessoa toma duas doses. Além disso, a previsão é que haja uma perda de 5% de vacina, em virtude dos processos de transporte e aplicação.

Nessa etapa inicial, a intenção do Ministério da Saúde é usar doses da vacina de Oxford/AstraZeneca, que será fabricada pela Fiocruz, além de aplicar a vacina da Pfizer em profissionais de saúde de capitais e regiões metropolitanas que atuaram na pandemia. A ideia é receber 2 milhões de doses da Pfizer no primeiro trimestre de 2021.

Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, a vacinação no Brasil deve ser concluída em 16 meses – quatro meses para vacinar todos os grupos prioritários e, em seguida, 12 meses para imunizar a “população em geral".

Leia a íntegra do plano

 

O documento apresentado nesta quarta-feira prevê também que as pessoas que tenham interesse em fazer uso das vacinas assinem um termo de consentimento antes de receberem a imunização.

“Está prevista a exigência de que os pacientes, ao serem vacinados com vacinas aprovadas para uso emergencial, deverão preencher um termo de consentimento livre e esclarecido, o qual deve estar complementado com os dados específicos da vacina objeto de autorização de uso emergencial. Ressalta-se que a vacinação é gratuita”, diz o texto.

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A medida, que é mais uma das mudanças em relação à versão anterior apresentada pelo Ministério da Saúde, é defendida pelo presidente Bolsonaro. Nessa terça-feira (15), o mandatário afirmou que a vacina não é obrigatória e que não fará uso dela.

“[A vacina] não é obrigatória. Vocês vão ter que assinar o termo de responsabilidade se quiserem tomar. A Pfizer é bem clara no contrato: ‘Não nos responsabilizamos por efeito colateral’”, afirmou o presidente.

"Eu não posso falar como cidadão uma coisa e como presidente outra. Mas como sempre eu nunca fugi da verdade, eu te digo: eu não vou tomar vacina. E ponto final. Se alguém acha que a minha vida está em risco, o problema é meu. E ponto final”, disse.

O ministro da saúde, porém, afirmou nesta quarta-feira (16) que não há necessidade de a população assinar um termo de responsabilidade ao tomar uma vacina que tenha sido aprovada pela Anvisa. Na avaliação dele, o termo só será preciso caso uma vacina seja aplicada de forma emergencial, situação em que ainda não terá obtido registro definitivo na Anvisa.

"O registro, se for de vacina no Brasil, ele segue para a Anvisa, e ela vai avaliar e conceder ou não o registro. Isso é a normalidade. Dentro dessa normalidade, onde é garantida a eficácia e segurança, não há necessidade de termo de responsabilização", disse o ministro.

REPRODUÇÃO/TV BRASIL GOV
O documento foi batizado de "plano nacional de operacionalização da vacinação" - FOTO:REPRODUÇÃO/TV BRASIL GOV

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