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Fim da caçada? Lázaro Barbosa, serial killer do DF, estaria cercado pela polícia

O cerco policial para capturá-lo já dura nove dias

Estadão Conteúdo Douglas Hacknen
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Douglas Hacknen
Publicado em 17/06/2021 às 19:20 | Atualizado em 17/06/2021 às 23:43
REPRODUÇÃO DE VÍDEO/RECORD TV
Seguem as buscas por Lázaro Barbosa - FOTO: REPRODUÇÃO DE VÍDEO/RECORD TV
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A caçada a Lázaro Barbosa, de 32 anos, segue na região de Cocalzinho, em Goiás. O chamado "serial killer do DF" está foragido há nove dias, e sua busca já mobiliza mais de 300 policiais. Segundo equipe da Record TV, que está acompanhando um comboio policial, o suspeito estaria cercado. Dezenas de viaturas ocupam estradas da região e helicópteros dão suporte à operação.

Durante o final da tarde desta quinta-feira (17), Lázaro também trocou tiros com policiais. Forças de segurança suspeitam que ele possa estar ferido. O homem é suspeito de assassinar quatro pessoas da mesma família em Ceilândia (DF) e manter pai, mãe e filha reféns, em Edilândia (GO).

Moradores de Cocalzinho de Goiás relatam horror

A outrora pacata cidade de Cocalzinho de Goiás enfrenta dias de medo. 

Paulo de Souza Monteiro, de 58 anos, que trabalha em uma propriedade rural no distrito de Girassol, pertencente a Cocalzinho, resume o espírito dos moradores: "A gente não consegue nem dormir". O chacareiro afirmou que sua mulher está grávida e ele tem receio de que algo de ruim possa acontecer. "Penso mais nela."

A Polícia Militar usa helicópteros, cães farejadores e conta com auxílio da Polícia Federal para capturá-lo. Segundo agentes que acompanham as buscas, Lázaro conhece bem a área, onde mora sua família, e tem facilidade para se esconder na mata. A polícia confirmou que o homem também é investigado pela morte de um caseiro em Girassol, no dia 5 de junho, quatro dias antes do assassinato de uma família em Ceilândia.

"Estou com 58 anos, nunca vi um trabalho desses, nunca vi mesmo. Esse tanto de avião em cima de mim e eu andando, nunca vi", afirmou o chacareiro. Cocalzinho é uma cidade pequena, com pouco mais de 18 mil habitantes, a 115 km de Brasília. O município costuma apresentar baixos índices de homicídio. De acordo com dados mais recentes do Atlas da Violência, levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a taxa de homicídio na cidade era de sete por 100 mil habitantes em 2017.

Amanda Tavares, de 24 anos, dona de um salão de beleza na área urbana da cidade, afirmou que o cerco a Lázaro mudou drasticamente a rotina dos moradores. "O medo de ele aparecer na casa da gente só aumenta a cada dia que passa", afirmou.

"A chácara que ele entrou ontem (terça-feira) e fez três reféns sempre foi tranquila. Sempre passamos feriados lá e nunca imaginamos que tamanha barbaridade poderia acontecer tão perto da gente", disse a moradora.

A empresária relata que o movimento no seu salão diminui pelo receio das pessoas de deixarem suas casas. "Por conta da pandemia, não está podendo ter nada. A cidade não pode ter nada nos bares e o pessoal estava indo para fazenda, fazendo aniversário, chá de bebê, tudo em fazenda. Agora está todo mundo com medo de ir."

Na terça-feira (15), Lázaro fez uma pessoa refém em Edilândia (GO), na mesma região de Cocalzinho, e trocou tiros com policiais. Um agente foi atingido, mas ficou bem após socorro médico. "Foram tiros de raspão, dois tiros, os dois passaram de raspão no rosto. Já foi socorrido e está tranquilo", disse o secretário de Segurança Pública de Goiás, Rodney Marques, em entrevista na noite de terça-feira. O foragido havia sido visto em propriedades rurais na região do entorno do DF e Goiás. Desde então, porém, não há mais sinais de onde ele está escondido.

Uma força-tarefa com cerca de 200 policiais foi montada e tem usado o distrito de Girassol, área rural de Cocalzinho, como base. O secretário de segurança de Goiás disse nesta quinta-feira, 17, que o grupo deve ser reforçado por 20 agentes da Força Nacional de Segurança.

Um grupo de oração esteve próximo a uma das bases usadas pela polícia na manhã desta quinta-feira, 17, pedindo proteção divina para a vida dos policiais e dos moradores.

"Que esse homem venha a ser descoberto, que Deus também visite ele, a alma dele, visite ele agora e onde ele esteja agora. Que Deus possa revelar onde ele está. Deus pode revelar o oculto", afirmou Conceição Aparecida, de 53 anos, dona de casa, que faz parte de um grupo de oração. Ela vive há 25 anos no distrito Girassol, pertencente a Cocalzinho.

Lázaro é acusado de matar, a tiros e facadas, três pessoas na zona rural de Ceilândia no último dia 9 de junho. Os mortos eram Cláudio Vidal de Oliveira, de 48 anos, e os filhos Gustavo Marques Vidas, de 21 anos, e Carlos Eduardo Marques Vidal, de 15 anos.

O foragido também é apontado como responsável pelo sequestro da mulher de Cláudio, Cleonice Marques de Andrade. O corpo dela foi encontrado no dia 12 à beira de um córrego, próximo da casa onde a família morava.

Lázaro também é investigado pela morte de um caseiro em Girassol, no dia 5 de junho, quatro dias antes do assassinato da família.

Nascido na cidade baiana de Barra do Mendes, a 530 quilômetros de Salvador, Lázaro já respondeu, na cidade natal, a um processo por homicídio quando tinha 20 anos. Em 2011, já em Ceilândia, ele foi condenado por estupro e roubo com emprego de arma. Ele chegou a ser preso em 2018, em Águas Lindas de Goiás, mas fugiu do encarceramento poucos meses depois.

Linha do tempo dos crimes

  • 2007

Preso em Barra Mendes, na Bahia, pelo crime de duplo homicídio, mas fugiu da prisão depois de 10 dias, sendo considerado foragido.

  • 2009

Preso no DF pelos crimes de roubo, estupro e porte de arma.

  • 2013

Laudo aponta características de personalidade como "agressividade, ausência de mecanismos de controle, dependência emocional, impulsividade".

  • 2014

Passa para o regime semiaberto e é beneficiado com trabalho externo.

  • 2016

Foge da unidade prisional do regime semiaberto.

  • Março de 2018

Lázaro é recapturado.

  • Julho de 2018

Foge do Presídio de Águas Lindas de Goiás (GO).

  • 2019

Justiça expediu novo mandado de prisão.

  • 2021

26 de abril: Lázaro teria invadido uma casa no Sol Nascente.

17 de maio: fez uma família refém na mesma região.

9 de junho: teria cometido um triplo homicídio em uma chácara, no Incra 9, em Ceilândia (DF).

10 de junho: rendeu o proprietário de uma fazenda, a filha dele e o caseiro.

12 de junho: polícia encontra corpo de vítima no Córrego da Cascalheira, localizado no meio da mata entre a BR-070 e a DF-180.

13 de junho: furtou um carro e o abandonou na BR-070, depois, ele continuou a fuga, pela mata.

14 de junho: polícias do DF e de Goiás fizeram um cerco em 34 propriedades rurais da região e continuaram as buscas.

15 de junho: fez mais uma família refém e baleou um policial.

16 de junho: polícia divulga possíveis disfarces de Lázaro.

REPRODUÇÃO/POLÍCIA CIVIL
SUSPEITO Fugitivo teria roubado casa semanas antes de assassinato - FOTO:REPRODUÇÃO/POLÍCIA CIVIL

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