GOIÁS

Fazendeiro Elmi Caetano, suspeito de ajudar Lázaro Barbosa, vira réu da Justiça

De acordo com o MPGO, o fazendeiro teria cometido o crime de favorecimento pessoal por, pelo menos, cinco vezes, ao ter hospedado Lázaro

Estadão Conteúdo Vanessa Moura
Estadão Conteúdo
Vanessa Moura
Publicado em 07/07/2021 às 10:04
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Divulgação/Polícia Civil
Lázaro Barbosa foi morto no dia 28 de junho em confronto com policiais da força-tarefa que fazia buscar por ele há 20 dias - FOTO: Divulgação/Polícia Civil
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O chacareiro Elmi Caetano Evangelista, de 73 anos, denunciado pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) por supostamente ter auxiliado Lázaro Barbosa, suspeito de assassinar sete pessoas, tornou-se réu nessa terça-feira (06), após o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) receber a queixa. A partir da decisão, Elmi deve responder às acusações dos crimes de favorecimento pessoal, posse irregular de arma de fogo de uso permitido e posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.

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De acordo com o MPGO, o fazendeiro teria cometido o crime de favorecimento pessoal por, pelo menos, cinco vezes, ao ter hospedado Lázaro. Além disso, Elmi Caetano tinha uma arma de fogo com sinal de identificação adulterado, tendo sido modificada mecanicamente para disparar munição de calibre nº 22 e sem numeração, o que está em desacordo com determinação legal ou regulamentar.

“Apesar dos esforços incessantes destinados à captura do citado criminoso, apontado como de altíssima periculosidade, constatou-se que o denunciado Elmi, pelo menos desde a data de 18/06/2021 até o momento de sua prisão em flagrante em 24/06/2021, de forma livre e plenamente ciente das buscas realizadas pelas forças policiais na tentativa de capturar o criminoso Lázaro, deu guarida a ele em sua propriedade rural, fornecendo-lhe repouso, comida e escondendo-o no local, de maneira a retardar e dificultar sobremaneira o trabalho da polícia”, escreveu a promotora Gabriela Starling Jorge Vieira de Mello, na denúncia. 

Polícia de Goiás investiga organização criminosa 

Investigação da Polícia Civil de Goiás aponta a existência de uma organização criminosa por trás dos crimes praticados por Lázaro Barbosa, morto pela polícia no dia 28 de junho. Suspeito da morte de sete pessoas, quatro delas da mesma família, Lázaro pode ter agido a mando de fazendeiros, empresários e políticos da região de Cocalzinho de Goiás, segundo a polícia. A caçada ao criminoso mobilizou 270 policiais.

Um dos indícios de que Lázaro fizesse parte dessa organização seria o suporte financeiro dado a ele. Quando o criminoso foi morto, os policiais encontraram R$ 4,4 mil entre seus pertences. "O volume de dinheiro apreendido que estava em poder do foragido, bem como a forma com que estava acondicionado, são indícios de que tivesse acontecido um aporte financeiro recente para sua fuga", informou, em nota, a Secretaria da Segurança Pública de Goiás (SSP-GO).

O fazendeiro Elmi Evangelista Caetano é um dos suspeitos de auxiliar Lázaro. Conforme a investigação, além de ter dado abrigo e fornecido refeições para o fugitivo, o fazendeiro teria atrapalhado o trabalho da polícia, fornecendo informações falsas sobre o paradeiro de Lázaro. Enquanto outros proprietários da região abriram as propriedades para as buscas policiais, Caetano teria mantido os portões de acesso fechados com cadeado. Em seu celular, a polícia encontrou uma mensagem de voz indicando que o criminoso usava a fazenda como esconderijo. "Ele está dormindo lá naquele barraco onde a mãe dele morava", disse Elmi.

O caseiro Alain Reis de Santana, de 35 anos, chegou a ver o fugitivo na propriedade e falou sobre isso com o patrão, que teria desconversado. O caseiro chegou a ser preso com Elmi, mas foi solto após colaborar com a polícia.

Ele disse que não denunciou a presença de Lázaro na fazenda porque foi ameaçado por ele e temia pela sua vida. Segundo Santana, o criminoso permaneceu na fazenda por pelo menos cinco dias e, durante esse período, teve livre acesso às dependências da casa.

Ainda segundo a SSP-GO, há outros elementos indicando que Lázaro não agia sozinho, como o fato dele ter conseguido acesso à internet, no período em que estava cometendo crimes na zona rural de Cocalzinho de Goiás.

Carta 

A pasta divulgou uma carta encontrada no bolso do foragido, em que ele "presta contas" de um provável assassinato. "Eu fui numa fita que deu o mó (maior) peteco como ce mesmo deve tá sabendo. O cara estava armado e antes de eu consegui enquadrar a vítima ainda conseguiu avisar uma pessoa que quando eu vi já foi só os tiros."

Em outro trecho, Lázaro conta que estava sem munição e se dispunha a pagar para obter um novo suprimento. "Já tive 2 confrontos com eles e to zerado de munição. Cara, por favor, arruma o tanto de munição de 38 e de 380 para mim. Eu tenho 35 munição de 380 lá naquele barraco que eu tava com a... pra pegar pra mim. Eu vou te adiantar 500 reais por esse corre, por favor, mano, não me deixa na mão... Se eu não arrumar comprado, eu vou ter que ir atrás e pode morrer mais gente".

Para a polícia, a citação da "fita" que deu errado pode se referir à chacina de Ceilândia, que deu origem à caçada ao criminoso. O fazendeiro Cláudio Vidal e os dois filhos, Gustavo e Carlos Eduardo, foram assassinados com tiros e facadas na propriedade da família.

A mulher de Cláudio, Cleonice Marques de Andrade, foi feita refém e levada para um córrego, onde foi estuprada e morta com um tiro na cabeça. Segundo a investigação, a família devia dinheiro ao fazendeiro Elmi, que pode ter contratado Lázaro para fazer a cobrança.

Essa, pelo menos, foi a hipótese levantada pela delegada Rafaela Azzi, da Delegacia-Geral da Polícia Civil que investiga o caso, durante entrevista exibida domingo, 4, pelo Fantástico. "Não descartamos a hipótese de que ele (Elmi) tenha realmente usado Lázaro para cobrar a dívida e, não recebendo, matar aquelas pessoas", disse.

Na entrevista, a policial afirmou haver "pessoas importantes" por trás de Lázaro, como empresários, fazendeiros e políticos. Rafaela disse ainda que a morte de Lázaro durante o cerco policial dificultou a investigação sobre eventuais mandantes. "Nós queríamos a rendição dele", afirmou.

 

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