Desastre ambiental

Manchas de óleo: Pernambuco ainda não vai decretar situação de emergência

Comandante da Defesa Civil do Estado disse que a decretação fica a cargo dos municípios

Julliana Melo
Julliana Melo
Publicado em 20/10/2019 às 21:34
Foto: Léo Motta/ JC Imagem
Comandante da Defesa Civil do Estado disse que a decretação fica a cargo dos municípios - Foto: Léo Motta/ JC Imagem
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O Governo de Pernambuco ainda não tem intenção de decretar situação de emergência em relação às manchas de óleo encontradas em praias do Litoral Sul de Pernambuco. Em coletiva realizada na noite deste domingo (20) no Palácio do Campo das Princesas, no bairro de Santo Antônio, Centro do Recife, o comandante da Defesa Civil do Estado, Lamartine Barbosa, afirmou que, por enquanto, a decretação fica a cargo dos municípios, caso haja necessidade. Até domingo, 71 toneladas de óleo haviam sido coletadas em Pernambuco, contabilizadas desde a última quinta-feira (17). No início desta noite, as manchas de óleo chegaram à Praia do Paiva, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife. As prefeituras de Recife e Olinda fazem trabalhos preventivos de mobilização e monitoramento.

Lamartine Barbosa explica que as cidades de São José da Coroa Grande e Sirinhaém demonstraram interesse em decretar situação de emergência até o momento. "A mesma competência que o Estado tem de fazer uma decretação de situação de emergência, os municípios também têm, com base na lei 12.608, que institui a lei Nacional de Proteção e Defesa Civil. Se o município entende que deve fazer a situação de emergência, por haverem sido superadas as suas capacidades de resposta ao desastre, nós vamos ao município, ajudamos ele a fazer essa decretação e encaminhamos para a Defesa Civil Nacional", declara.

O comandante comenta, ainda, que o decreto favorece ao poder público para fazer contratações emergenciais, além de permitir o acesso a recursos federais. Ainda neste domingo, a Justiça Federal em Pernambuco determinou que a União adote medidas como a instalação de barreiras e a distribuição de equipamentos de proteção para conter o avanço das manchas de óleo. A decisão, o juiz Augusto Cesar de Carvalho Leal, acatou ao pedido do Ministério Público Federal (MPF), em caráter de urgência.

"Esta decisão obriga a União, no prazo de 24 horas, a fazer todo o procedimento, todas as providências focadas na contenção. A decisão do juiz dá prioridade justamente para as áreas mais sensíveis, que são os recifes de corais, o manguezal e os estuários", declara o procurador Geral do Estado, Ernani Medicis. O procurador acrescenta que a decisão prevê uma multa de R$ 50 mil à União e ao Ibama, caso não haja o cumprimento. "Registrou-se, na decisão, que as providências que até então estavam sendo adotadas pelo Governo Federal se mostravam providências pequenas, mais paliativas do que o necessário para o enfrentamento desta catástrofe, deste desastre, que é muito grande".

Críticas ao Governo Federal

A atuação do Governo Federal diante da crise ambiental que ocorre nos Estados do Nordeste também foi alvo de críticas por parte do secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco, José Bertotti. Ele fala que, na última quinta-feira fez um ofício para o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, solicitando boias de contenção. De acordo com ele, o Salles acusou o recebimento, mas não deu resposta. Bertotti também critica a posição do presidente Jair Bolsonaro.

"Em nenhum momento o presidente da República teve um gesto para com os governadores do Nordeste, para que pudesse fazer um plano de ação concreto, para isto que hoje, segundo o almirante e comandante, é um dos maiores acidentes de petróleo ocorrido no ocidente. Então, é importante que o presidente da República ouça o que fala um almirante. E que ele caia em si e tenha clareza que nós tivemos hoje um grande crime ambiental cometido e precisamos fazer a contenção deste crime", relata o secretário.

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