Embora não tenha sido atingida pelas manchas de óleo – até agora –, a Praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, teve um sábado de pouco movimento em relação a outros fins de semana. Apesar do dia de sol forte, a movimentação em nada lembrava o agito comum aos sábados. O número de pessoas na água, assim como o de crianças brincando, foi muito menor do que é visto em dias normais de sol.
E quem decidiu ir à praia, evitou o banho de mar. “Confesso que estava bem receoso de vir porque as notícias que temos visto é de que a maioria das praias de Pernambuco e do Nordeste já foram atingidas pelo óleo. E embora Boa Viagem não tenha sido afetada – e espero que não seja –, tinha receio de entrar no mar. Mas ao chegar à praia percebi que, de fato, ela não foi atingida. Não tomei banho por garantia, mas vi que está limpa”, afirmou o estudante Antônio Carlos, que pegava praia com uma amiga.
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Vendedores e barraqueiros reclamaram do movimento e creditaram a queda à desconfiança da população. “O movimento está muito fraco. Embora Boa Viagem não tenha sido atingida, as pessoas ficam com medo e preferem não vir para a praia. Eu não vendi quase nada a manhã inteira. Se fosse num sábado comum, já estaria sem mercadoria”, afirmou o barraqueiro Carlos Henrique Silva, que trabalha em Boa Viagem há mais de dez anos.
OSTRAS
Os lamentos eram ainda maiores entre aqueles que vendiam ostras, por exemplo. “Nem vou vir mais esses dias. Vou esperar as coisas melhorarem. As pessoas não querem nem ouvir falar de crustáceos. Estão todas com medo e desconfiadas. Vou ter que arrumar outra coisa para vender e conseguir alimentar minha família”, disse a vendedora Cláudia Maria Silva, que vende ostras em Boa Viagem há dois anos.