DESCASO

Mais lixo irregular. Desta vez no Hospital de Câncer

Assim como o Hospital das Clínicas, o Hospital de Câncer de Pernambuco contraria as normas da Anvisa e descarta detritos hospitalares sem tratamento adequado

Cinthia Ferreira e Jorge Cavalcanti
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Cinthia Ferreira e Jorge Cavalcanti
Publicado em 24/10/2013 às 6:12
Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem
Assim como o Hospital das Clínicas, o Hospital de Câncer de Pernambuco contraria as normas da Anvisa e descarta detritos hospitalares sem tratamento adequado - FOTO: Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem
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O Hospital de Câncer de Pernambuco, o HCP, também descarta lixo hospitalar de forma irregular, contrariando as exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), assim como o Hospital das Clínicas, conforme o Jornal do Commercio e TV Jornal denunciaram ontem. Na unidade de saúde, sob intervenção do governo do Estado desde 2007 e localizada em Santo Amaro, área central do Recife, resíduos comuns e hospitalares são depositados em um mesmo local, sem tratamento adequado. O que os diferencia é a cor dos sacos plásticos. Os detritos hospitalares são embrulhados em sacolas brancas, com a inscrição "substância infectante". Sacos pretos embalam o lixo comum.

Na tarde da última quarta (23), a equipe de reportagem constatou que vários funcionários do setor de manutenção circulavam pela área onde fica o depósito de lixo. Como o local abriga os dois tipos de detritos, servidores que trabalham apenas na coleta de resíduos comuns e com equipamento de proteção precário (apenas luvas nas mãos) acabam expostos ao lixo hospitalar. Alguns guardam, inclusive, a bicicleta num ponto próximo aos coletores.

A Anvisa determina que todo e qualquer rejeito hospitalar deve ser primeiramente classificado (infectantes, químicos, radioativos e perfucortante). Depois, têm que ser separados por categoria e, assim que descartados, devem ficar dentro de um recipiente lacrado (contêineres ou tonéis). Só depois de transportados para o setor de incineração ou aterro sanitário, os recipientes podem ser abertos.

No Hospital de Câncer, porém, o lixo hospitalar fica ao ar livre, sujeito ao contato de insetos e ratos. Diferentemente do Hospital das Clínicas, na Cidade Universitária e ligado à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o Hospital de Câncer tem uma produção de lixo hospitalar considerada pequena. O volume de resíduos no depósito era bem menor que no do HC.

Na unidade de saúde de Santo Amaro, a equipe de reportagem não viu nenhum recipiente destinado ao lixo hospitalar e devidamente identificado com o símbolo de infectante. No HC, há 16 tonéis para este tipo de detrito, embora a produção seja superior à capacidade de coleta.

OUTRO LADO - Em nota, a direção do HCP admite o erro. E argumenta que, em agosto, iniciou uma reestruturação do setor de coleta, prevista para ser concluída nos próximos 90 dias."Já foi tomada uma série de medidas visando ao cumprimento das normas técnicas da Anvisa, a exemplo da separação do lixo hospitalar do lixo comum e a garantia de coletores específicos para cada um deles", finaliza o texto.

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