Solidariedade

Voluntários constroem poços artesianos e levam água ao Sertão

O Projeto Irrigar foi idealizado pela ONG Ação Solidária no Sertão e já perfurou dois poços no Sertão pernambucano

Da Editoria de Cidades
Da Editoria de Cidades
Publicado em 25/09/2016 às 19:30
Lau Gomes/Divulgação
O Projeto Irrigar foi idealizado pela ONG Ação Solidária no Sertão e já perfurou dois poços no Sertão pernambucano - FOTO: Lau Gomes/Divulgação
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Na clássica canção Asa Branca, Luiz Gonzaga diz que, por falta d’água, perdeu o gado e que de sede, morreu o alazão. Em grande parte do Sertão de Pernambuco, distante de tudo, essa realidade, que mais parece ficção ou um simples clichê, já dura cerca de cinco anos e deve continuar ao menos pelo próximo trimestre, de acordo com o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos. Além disso, a pouca quantidade de chuva que ocorreu no mês de agosto colaborou para o agravamento da seca no Estado, tornando única alternativa da população esperar ajuda do governo, com os escassos caminhões-pipa, ou de anônimos que, como podem, tentam facilitar a luta por sobrevivência do sertanejo. Tentando mudar esse quadro, voluntários têm feito praticamente um milagre: levar água a até onde não chove há mais de meia década. Isso é possível graças à implantação de poços artesianos, construídos totalmente por meio de doações.

O “Projeto Irrigar” foi idealizado pela ONG Ação Solidária no Sertão, que há quatro anos vem realizando projetos de arrecadação de donativos e melhoria da qualidade de vida de famílias do interior de Pernambuco. Neste ano, já foram perfurados dois poços artesianos. A diferença destes para os poços convencionais é que, por chegar a camadas mais profundas da terra, as águas fluem naturalmente até a superfície. O primeiro deles, no Sítio Baixa 1, foi inaugurado no mês de março e o outro, na Baixa 2, ficou pronto no último dia 17, ambos no limite entre os municípios de Manari e Inajá, no Sertão do Moxotó. Vice-presidente da organização, Lau Gomes explica que todo o processo de arrecadação do dinheiro para as construções foi feito em um tempo consideravelmente curto, com um intervalo de menos de seis meses desde a construção do primeiro equipamento.

Na Baixa 1, por exemplo, 113 famílias foram beneficiadas, cerca de 800 pessoas. No local, foi implantada uma caixa d’água de cinco mil litros, com quatro torneiras e um cocho, para que, além da comunidade, os animais também se beneficiem da água do poço. O próximo passo é a perfuração de mais um equipamento, mas, desta vez, os organizadores pretendem incentivar a agricultura local. “Quando não tem água nem para as pessoas, os donos de animais, sem saída, soltam os bichos, na tentativa desesperada de que eles encontrem sobrevivência. O poço é uma saída também nesse sentido”, explicou Lau Gomes. De acordo com ela, o próximo equipamento tem previsão de perfuração para o começo do ano que vem, e deve servir principalmente para a irrigação da terra para o plantio de milho e feijão. “O objetivo é fazer com que essas pessoas se sustentem por meio da agricultura familiar, que já é uma prática comum entre essas famílias, mas não tão acessível, por causa da seca”, completou Lau Gomes.

Ao todo, 50 pessoas ficaram responsáveis por arrecadar R$ 500 cada, totalizando os R$ 25 mil pagos à empresa por cada poço, sendo que a ONG ainda está realizando a venda de rifas, a R$ 3, para arrecadar os R$ 4 mil que ainda faltam para quitar este último. Após essa etapa, começarão os preparativos para o terceiro poço. Além do “Projeto Irrigar”, a Ação Solidária no Sertão também realiza a entrega de cestas de alimentos aos sertanejos. “Nas manhãs de domingo, estamos sempre no Parque Dona Lindu, em Boa Viagem, recebendo doações. Além disso, temos um endereço para quem quer doar durante a semana e a conta bancária da ONG”, explicou Lau Gomes.

AÇÃO SOLIDÁRIA

A ideia de criação da ONG surgiu em 2012, no começo da pior seca registrada nas últimas décadas. No início, era apenas uma ação de família, em que diversas pessoas abriram mão do 13º salário para levar 411 cestas básicas ao Sertão. A partir daí, o trabalho só aumentou Mais gente, incluindo artistas e celebridades, se solidarizou com a causa e mais serviços foram prestados. “Realizamos brechós, até com roupas de famosos, para arrecadar fundos. O próximo será em dezembro”, afirmou a vice-presidente da ONG. A organização também já construiu quatro casas e reformou outras três.O sonho, agora, é a construção de uma escola para os moradores do semiárido. 

“Não dá pra tirar as pessoas do local, porque movê-los seria mover suas raízes e identidades. O que dá pra fazer, sim, é tirá-los do conformismo. Eles têm que saber que podem ser grandes e a educação é o primeiro passo para isso”, disse Lau. Para o Dia das Crianças, os voluntários estão recebendo brinquedos para serem levados aos “Pequenos Sertanejos”, como foi nomeada a ação. Quem quiser colaborar com qualquer um dos projetos da ONG pode fazê-lo pessoalmente durante a semana, na rua Francisco de Paula Machado, Nº 44, no bairro do Cordeiro, Zona Oeste do Recife. Os voluntários ficam no parque Dona Lindu das 9h ao meio-dia. Também é possível doar através da conta bancária da entidade: Caixa Econômica Federal, ag. 3018, conta corrente 01642-0, CNPJ 21.274.788/0001-02.

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