MOBILIDADE

Degradadas, calçadas são obstáculos para a mobilidade no Recife

Projeto de requalificação das calçadas por parte da prefeitura ainda está longe de ser concluído

Amanda Azevedo
Amanda Azevedo
Publicado em 30/03/2018 às 8:46
Foto: Felipe Ribeiro/ JC Imagem
Projeto de requalificação das calçadas por parte da prefeitura ainda está longe de ser concluído - FOTO: Foto: Felipe Ribeiro/ JC Imagem
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Buracos, raízes de árvores expostas, calçadas em desnível, comércio desordenado e muito lixo. Para os recifenses, caminhar pelas ruas da cidade é como enfrentar uma pista de obstáculos. O projeto de requalificação dos passeios é um sonho antigo, ainda longe de se tornar realidade. A má conservação das calçadas em nada combina com o discurso Plano de Mobilidade Urbana da capital, que coloca o pedestre como prioridade das ações públicas. Outro ponto do plano que levanta questionamentos é o compromisso assumido pela gestão municipal de tomar para a si a responsabilidade sobre algumas calçadas particulares, quando os passeios da própria prefeitura estão deteriorados e sem manutenção.

“O pedestre não é, de forma alguma, prioridade”, critica a recepcionista Elizabete Pinho, 47 anos. Ela, que passa diariamente pela Avenida Mário Melo, em Santo Amaro, prefere se aventurar entre os carros a ter que andar pelo passeio. O receio tem motivo. “Já cheguei a torcer o pé e me machucar em um dos buracos. Esse trecho (próximo ao Instituto de Educação de Pernambuco) é assim há anos, já deveriam ter feito alguma coisa. A gente paga tanto imposto e não tem o mínimo, que é condição de andar pelas ruas.”

Em Santo Amaro, a situação é caótica também em frente à Escola Municipal Jardim Ana Rosa Falcão de Carvalho, na Rua João Lira. “São muitos buracos, até mesmo nas paradas de ônibus”, denuncia Elizabete. Nem mesmo as calçadas de áreas nobres da cidade escapam do descaso. Na Tamarineira, Zona Norte do Recife, o passeio em frente ao Hospital Helena Moura acumula problemas: está esburacado, sujo e quebrado em vários trechos.

Para o arquiteto e urbanista Francisco Cunha, o pedestre é invisibilizado. “Ele nunca foi prioridade. E, se não é considerado, o resultado reflete na situação das calçadas. É uma questão histórica. Desde os tempos coloniais, quem tinha condições se locomovia a cavalos ou charretes. As calçadas sempre foram locais dos desvalidos, de quem não tinha posses. Até hoje, isso permanece no nosso imaginário. Por isso, não se pensa mobilidade para o pedestre, mas para o carro.” Apesar dos problemas, ele considera positivo o novo plano. “Ver o pedestre como agente prioritário é um avanço muito grande.”

REQUALIFICAÇÃO

As calçadas são de responsabilidade dos proprietários dos imóveis e cabe ao município fiscalizar e multar quem não as mantém em condições adequadas. Em 2013, a Prefeitura do Recife prometeu requalificar 100 quilômetros de passeios e largos públicos. A promessa só começou a sair do papel em 2015. Quase três anos depois, apenas uma das mais de 100 ruas que deverão receber intervenções teve serviços concluídos. “Dividimos em dez lotes. Dois já tiveram as obras iniciadas e, em alguns pontos, estão bastante avançadas”, destacou a gerente-geral de projetos urbanos da Autarquia de Urbanização do Recife (URB), Vera Freire. Além da pavimentação, o projeto vai trabalhar a parte de acessibilidade, iluminação e paisagismo. O custo é de R$ 105 milhões, garantidos pelo Ministério das Cidades.

A maior parte dessas áreas não é de responsabilidade do município. Esse, inclusive, é um dos pontos do Plano de Mobilidade que estão sendo elaborados pela prefeitura. “Temos os recursos do governo federal, que serão direcionados para que a gente comece a atuar. Depois, a prefeitura terá condições de cuidar da manutenção”, garantiu o secretário de Planejamento do Recife, Antônio Alexandre. “O plano é muito importante porque vai dar as diretrizes para que sejam feitas leis que regulamentem as calçadas”, assegurou.

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