Aniversário do Recife

Recife celebra 482 anos de fundação em 2019

Leia curiosidades da história do Recife, fundado em 12 de março de 1537

Cleide Alves
Cleide Alves
Publicado em 12/03/2019 às 8:08
Foto: Arnaldo Carvalho/JC Imagem
Leia curiosidades da história do Recife, fundado em 12 de março de 1537 - FOTO: Foto: Arnaldo Carvalho/JC Imagem
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Cidades com quase cinco séculos de existência têm muitas histórias para contar a seus moradores e visitantes. Histórias impressas em livros, impregnadas nas paredes do casario, escritas no chão de ruas, becos e ladeiras. E lendas que se espalham de boca em boca, levadas pela brisa, através das gerações. Nesta terça-feira, 12 de março, dia em que o Recife celebra 482 anos de vida, veja histórias curiosas da capital pernambucana.

Vila de pescadores 

Foto: Arnaldo Carvalho/JC Imagem

Fundado como um porto de pescadores, em 1537, o Recife é pioneiro na assistência social aos necessitados. Já naquela época havia uma irmandade vinculada à ermida de São Frei Pedro Gonçalves (pequena igreja construída no atual Bairro do Recife, nas imediações da Praça do Marco Zero, e não mais existente) que dava apoio às viúvas dos pescadores. “Era uma espécie de previdência social do século 16”, comenta o arquiteto e urbanista José Luiz Mota Menezes, pesquisador da evolução urbana das cidades do Recife e de Olinda. A irmandade, diz ele, mantinha um hospital para prestação dos serviços. “Hospital não é o que conhecemos hoje, era uma sala onde funcionava a assistência às mulheres”, explica. O povoado do Recife, bairro que se vê na foto acima, se desenvolveu em volta dessa pequena igreja dedicada ao patrono dos navegantes.

Farinha na feira

Foto: Sérgio Bernardo/Acervo JC Imagem

A farinha de mandioca é um alimento tão caro à mesa pernambucana que em tempos remotos comerciantes soltavam fogos de taboca para anunciar à população a chegada do produto numa feira que funcionava na Praça da Independência (foto acima), localizada no bairro de Santo Antônio, Centro do Recife, no século 18. Quando a mensagem era disparada, um WhatsApp rudimentar do passado, era correr para a feira e garantir seu saco de farinha de foguete, como o produto passou a ser identificado pela população. “A procura por farinha sempre foi muito grande. No período holandês (século 17), inclusive, a farinha chegou a ficar mais cara que o açúcar porque a produção era escassa. Tanto que um decreto do governo obrigou os plantadores de cana-de-açúcar a destinarem uma parte do terreno ao cultivo de mandioca, para que a farinha não faltasse”, diz o pesquisador Carlos Bezerra Cavalcanti.

Forte do Quebra-Pratos

Foto: Leo Motta/JC Imagem

Uma das fortificações construídas no Recife ganhou da população, no século 17, o apelido de Forte do Quebra-Pratos por um motivo bastante peculiar. Em dias festivos soldados soltavam tiros de canhão e o impacto destruía os pratos de quem morava nas redondezas. “Era tiro artificial, sem chumbo, só fazia zoada”, diz o historiador Carlos Bezerra Cavalcanti. Quem vivia por lá já sabia que tinha de juntar os caquinhos da louça toda vez que saía uma procissão. O Quebra-Pratos ficava no Bairro do Recife e ainda não foi localizado. “Há dúvidas se seria uma bateria do Forte de São Jorge, uma bateria no istmo que ligava o Recife a Olinda ou o Fortim do Bom Jesus que guarnecia uma das portas de entrada da cidade”, afirmam Veleda Lucena e Marcos Albuquerque, arqueólogos do Laboratório de Arqueologia da Universidade Federal de Pernambuco. Resquícios do fortim (foto acima) foram encontrados sobre a muralha holandesa do século 17 na Rua Barão Rodrigues Mendes.

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