Pobreza

PCR alega não ter dinheiro para ações em favor de morador de rua

Promessas, como abrigo noturno e restaurante comunitário, não saíram do papel. Nem há prazo para serem implantadas

Ciara Carvalho
Ciara Carvalho
Publicado em 14/04/2019 às 8:17
Especial
Felipe Ribeiro/JC Imagem
Promessas, como abrigo noturno e restaurante comunitário, não saíram do papel. Nem há prazo para serem implantadas - FOTO: Felipe Ribeiro/JC Imagem
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Se a crise econômica é um dos fatores determinantes para aumentar o número de moradores vivendo em situação de rua no Recife e em outras capitais do País, ela é também a principal justificativa da gestão municipal na hora de responder às cobranças por ações concretas em favor dessa população. Há três anos, quando a campanha por um abrigo noturno ganhou manchete de jornal, e novamente agora, a falta de dinheiro é apontada como o maior impeditivo para ampliar e melhorar a rede de atendimento. Tanto que os gestores nem se arriscam a cravar uma data para que as ações prometidas, como o abrigo, o restaurante comunitário e a criação de novos centros POPs, virem realidade.

“Não fizemos por falta de recursos. Tivemos receio de abrir um serviço novo e não conseguir mantê-lo funcionando. De que adiantaria inaugurar, se não haveria dinheiro para garantir o atendimento? O esforço foi para não fechar os serviços que já estavam implantados”, argumenta Ana Rita Suassuna, secretária de Desenvolvimento Social, Juventude, Política de Drogas e Direitos Humanos do Recife. A gestora informa que o custo para implantação do abrigo noturno ficaria em torno de R$ 1,7 milhão, quantia que a gestão afirma não ter. “Estamos tentando captar esses recursos. Mas o cenário é de cortes, apesar do aumento visível da demanda”, explica.

No orçamento do ano passado, ela diz que houve uma redução no repasse de verbas que impactou nas ações planejadas. Dos R$ 48 milhões previstos, só R$ 39 milhões foram executados, sendo R$ 19,5 milhões do município e o restante de outras fontes, seja federal, estadual e demais convênios. Para este ano, a previsão orçamentária é de R$ 43 milhões. Além do abrigo noturno, uma das demandas mais citadas pela população de rua é a criação de um restaurante comunitário, que possa ofertar refeições a preços populares. O serviço já existiu no Recife, mas foi encerrado há muitos anos.

RECURSO COMPARTILHADO

Ana Suassuna diz que a prefeitura está conversando com o governo do Estado para tentar viabilizar o restaurante. “Estamos tentando uma saída que seja com recursos compartilhados. Sozinho, o município não consegue arcar com essa despesa”, diz. Sobre a criação de dois novos centros POPs, promessa feita no plano municipal voltado à população de rua, o cenário é ainda mais pessimista. “Para isso, dependemos do governo federal se dispor a abrir uma linha de cofinanciamento para novas unidades no Recife”, explica. Até lá, o rodízio no atendimento terá que continuar.

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