INTELIGÊNCIA ACIMA DA MÉDIA

Dia Internacional da Superdotação: um espaço no Recife para estimular habilidades

Núcleo acompanha pedagogicamente crianças diagnosticadas com Superdotação. Característica pode ser genética e se manifestar em pessoas da mesma família

Julia Aguilera
Julia Aguilera
Publicado em 10/08/2019 às 10:03
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Foto: Leo Motta/ JC Imagem
Núcleo acompanha pedagogicamente crianças diagnosticadas com Superdotação. Característica pode ser genética e se manifestar em pessoas da mesma família - FOTO: Foto: Leo Motta/ JC Imagem
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Morôni Cesar Procidio tem apenas 6 anos e já sabe mais sobre idiomas que muita gente. Aos 2 anos ele começou a falar as primeiras palavras em inglês. Depois, passou para o idioma russo. Aprendeu o alfabeto árabe sozinho e, se for preciso, ainda conversa em espanhol com a maior facilidade. Este ano o garoto foi diagnosticado com altas habilidades/superdotação e, para surpresa da mãe, a maquiadora Edivânia Procidio, o três irmãos de Morôni também foram identificados com as mesmas características. 

Na casa, cada um dos filhos tem altas habilidades para um tema. Helamã Procidio, o mais velho, de 14 anos, é medalhista em raciocínio lógico em várias competições. Já o segundo, Lamôni Heber, 12, é fascinado por história e geografia e é capaz de desenhar seu próprio mapa sem filar de outras imagens, além de ser medalhista na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica. Morôni é autodidata para outros idiomas e sabe muita coisa sobre o espaço sideral. Com tanta informação em casa, quem faz a festa é a pequena Maria Helena, 5, com sua memória fotográfica. De cada coisa que os irmãos falam, ela absorve um pouco e já repete, ainda que não tenha compreensão total, sem erro nenhum. 

A princípio, receber o diagnóstico não foi fácil para mãe das crianças. Pouco se fala sobre crianças superdotadas e como elas podem ser acompanhadas. Edivânia já estava acostumada a receber elogios dos filhos, que sempre tiveram bom desempenho escolar, mas não desconfiou que teria em casa quatro crianças superdotadas. O primeiro contato com esse mundo veio quando Morôni começou a falar em inglês sem ao menos ter aprendido a se comunicar, de fato, em português. “Eu estava na casa de uma cliente quando a filha dela, que é professora de inglês, veio comentar que a pronúncia do meu filho era excelente. Na hora eu estranhei, porque ele falava muito pouco, mas foi aí que descobri que na verdade eu, por não saber falar inglês, é que não entendia que o meu filho já estava falando, só que em outro idioma”, conta. Segundo ela, o pequeno aprendeu o novo idioma assistindo vídeos infantis em inglês. Depois disso, antes mesmo de completar três anos, ele passou a aprender russo e trocar o idioma do aparelho para árabe. 

Núcleo

Preocupada, a maquiadora começou a pesquisar na internet sobre crianças com inteligência acima da média. E foi em uma destas buscas que conheceu o Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (NAAHS), da prefeitura do Recife, localizado no bairro de Casa Amarela, Zona Norte da capital. No primeiro momento, o pequeno não pôde fazer parte do Núcleo por ainda não estar na escola. Este ano Edivânia retornou ao NAAHS e fez o diagnóstico não só dele, mas dos outros filhos também. Agora, no contra turno escolar, eles são acompanhados por pedagogos preparados para estimular as habilidades e ajudá-los a lidar com a superdotação. 

“As crianças e adolescentes chegam até nós por meio das escolas, sejam elas públicas ou particulares, de Recife ou das demais cidades do Estado. Nós fazemos atendimentos em observação e emitimos um laudo pedagógico analisando se aquele estudante tem ou não altas habilidades. Sendo confirmado, eles escolhem um grupo de atendimento de acordo com sua habilidade e podem continuar fazendo acompanhamento conosco até os 17 anos”, explica a coordenadora do NAAHS, Eloisa Lins. Os grupos de atendimento são divididos em seis categorias: artes visuais e cênicas, comunicação, organização pedagógica, experimentos e jogos matemáticos. Pais e professores também ganham orientação e apoio do Núcleo. 

Para Helamã, o mais velhos dos pequenos gênios, participar dos grupos é estimulante. “Lá eles perguntam no que você é bom e procuram aprimorar aquilo com atividades, experimentos… É bom porque nos tornamos ainda melhores naquilo que somos bons”, diz. Em casa não é muito diferente. Enquanto pesquisam e estudam aquilo que gostam, os irmãos se ajudam e compartilham conhecimento. “A gente sempre está aprendendo junto. Quando um aprende uma coisa, corre para ensinar o outro. E quando tem trabalho da escola, a gente se ajuda de acordo com os temas que gostam. Quando eu tenho atividade de história, por exemplo, Lamôni me ajuda porque ele é muito bom nisso”.

Neste sábado (10), é comemorado o Dia Internacional das Altas Habilidades e Superdotação. Segundo Eloisa Lins, não há uma causa específica condição, mas estudos apontam a influência genética. Em Pernambuco, o NAAHS do Recife é o único centro que atende crianças superdotadas, desde sua criação, em 2006, já foram atendidas 700 crianças. Atualmente, 100 estão sendo acompanhadas. Para buscar o diagnóstico pedagógico e atendimento do Núcleo, é preciso que haja encaminhamento da escola. Pais que identifiquem características de altas habilidades nos filhos podem pedir que a escola faça a ponte entre a família e o órgão. O atendimento é gratuito e, em casos de necessidade, há também encaminhamento para atendimento psicológico. O Núcleo de Atividades de Altas Habilidades fica na Estrada do Arraial, nº 4447, em Casa Amarela. Telefone: (81) 3355-6904.

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