Opinião

Ciara Carvalho: A saga de uma mãe guerreira para garantir remédio à base de maconha

Pobre, negra e moradora da periferia do Grande Recife, mãe precisou recorrer à Justiça para garantir o direito de cultivar maconha para melhorar a qualidade de vida da filha

Ciara Carvalho
Ciara Carvalho
Publicado em 20/12/2019 às 14:55
Análise
Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
Pobre, negra e moradora da periferia do Grande Recife, mãe precisou recorrer à Justiça para garantir o direito de cultivar maconha para melhorar a qualidade de vida da filha - FOTO: Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
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Uma grande vitória que chega com um certo atraso até. A notícia da primeira autorização judicial para cultivo da maconha com fins medicinais em Pernambuco mostra o quanto essa é uma luta árdua e com um longo caminho pela frente.

No Brasil, mais de 50 habeas corpus já foram concedidos com essa finalidade. Havia um entendimento de que essa primeira solicitação teria que ser feita de forma muito embasada junto à Justiça Federal do Estado para que não houvesse risco do pedido ser negado. A estratégia deu certo.

Conheço de perto a história da mãe que recebeu a autorização da Justiça para extrair um dos princípios ativos da Cannabis sativa, o canabidiol. É uma guerreira. Está na luta há muitos anos em favor da saúde de sua filha.

A menina foi diagnosticada com autismo, alteração de humor e hiperatividade. E a vida da criança mudou completamente após o uso do produto, em forma de óleo. Ela aprendeu a ler, ficou mais sociável, menos agitada.

Era evidente e estimulante a qualidade de vida que a menina ganhou, após iniciar o uso terapêutico da maconha. Desde então, a mãe lutava para conseguir o direito de plantar e produzir o remédio para a criança.

Em todo o País, há grupos jurídicos que dão suporte às famílias que necessitam da medicação e precisam do aval da Justiça para o plantio da canabis. Diante da decisão da Anvisa de proibir o cultivo no País, anunciada no início deste mês de dezembro, muitas outras mães pernambucanas terão que seguir o mesmo caminho para conseguir a autorização negada pelo órgão federal.

Muitas outras virão

Justamente por não democratizar o acesso, a proibição do cultivo foi duramente criticada pelos órgãos que lutam em defesa das famílias pobres que não terão dinheiro para comprar o remédio fabricado pela indústria farmacêutica.

A mãe pernambucana que conseguiu essa vitória histórica é um exemplo. Pobre, negra e moradora da periferia do Grande Recife, ela precisou recorrer à Justiça para garantir dias mais tranquilos e saudáveis para a filha. Certamente, muitas outras virão.

Abaixo, programa Casa Saudável da TV JC sobre medicamentos a base de maconha. Confira:

 

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