Acidente

Namorado de Débora, vítima de acidente com kart, diz que empresa parou de pagar tratamento

Débora deveria ter feito uma viagem para São Paulo no dia 6 de janeiro para retirar pontos, mas não fez devido à interrupção do tratamento

Mayra Cavalcanti
Mayra Cavalcanti
Publicado em 12/01/2020 às 15:12
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Foto: Reprodução/Instagram
Débora deveria ter feito uma viagem para São Paulo no dia 6 de janeiro para retirar pontos, mas não fez devido à interrupção do tratamento - Foto: Reprodução/Instagram
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O tratamento da jovem Débora Dantas, de 19 anos, vítima de um acidente com kart em agosto do ano passado, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, foi interrompido, de acordo com Eduardo Tumajan, namorado da jovem. Isto porque o Grupo Big, ex-Walmart Brasil, teria parado de custear as despesas médicas de Débora, que estava com uma viagem para São Paulo prevista para o dia 6 de janeiro deste ano, para retirar os pontos no rosto.

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Segundo Eduardo, ao entrar em contato com a empresa para questionar sobre a interrupção do tratamento, a resposta foi para que ele procurasse os advogados do Grupo Big. "A gente vai entrar com um processo contra eles. Pararam o tratamento dela e disseram que só vão continuar (pagando) caso ela isente eles (a empresa) de qualquer culpa", explicou Eduardo.

Ele afirma que Débora agora está sem as medicações para dor e sem os remédios para a pele. "A pele dela ressaca rápido e isto causa ferida. Ela está sem trabalhar, também estou sem trabalhar, só cuidando dela. O tratamento dela é caro, não está no nosso padrão para conseguir pagar", acrescenta o jovem. Eduardo conta que já está com um advogado e que deve entrar com o processo ainda esta semana. "Todo mundo sabe que eles são tão culpados quanto o kart, porque eles deixavam o kart funcionar sem alvará de funcionamento, no espaço deles um kart ilegal. Não prestaram socorro", completa.

Em resposta, o Grupo BIG afirmou que "mantém integralmente o seu compromisso de assumir todas as despesas com o tratamento" de Débora, e que a equipe médica responsável pelo caso apresentou o novo cronograma que inclui a realização de 10 procedimentos ao longo deste ano. "O que está sendo questionado, portanto, não é a continuidade do tratamento. Mas o seu pedido para que a empresa arque com os custos da sua ida aos Estados Unidos e outras despesas que extrapolam em muito qualquer relação com a questão médica e saúde dela", disse, em nota.

Leia a nota do Grupo BIG na íntegra

Desde o primeiro momento em que ocorreu o acidente na pista de kart no estacionamento da loja em Recife (PE), a prioridade do Grupo BIG foi a de prestar toda a assistência para Débora Stefany Oliveira, apesar do fato ter acontecido em uma área alugada para um terceiro, sem qualquer responsabilidade da companhia.

A empresa arcou com todos os custos financeiros do tratamento – centro cirúrgico/hospitalar, equipe médica, medicamentos, além do custeio de passagens aéreas, estadia, refeições, inclusive de acompanhantes de sua escolha. Até agora, o tratamento foi realizado com sucesso no Hospital Especializado de Ribeirão Preto, referência no Brasil em cirurgias de alta complexidade no campo de microcirurgias reconstrutivas plásticas.

Diante desse histórico, o Grupo BIG recebeu com surpresa as declarações de Débora Oliveira, pois mantém integralmente o seu compromisso de assumir todas as despesas com o tratamento dela. Vale assinalar que a equipe médica responsável pelo caso recentemente apresentou o novo cronograma, que prevê a realização de aproximadamente 10 procedimentos ao longo de 2020.

O que está sendo questionado, portanto, não é a continuidade do tratamento. Mas o seu pedido para que a empresa arque com os custos da sua ida aos Estados Unidos e outras despesas que extrapolam em muito qualquer relação com a questão médica e saúde dela.

O Grupo BIG reitera que sua prioridade sempre foi a plena recuperação da saúde de Débora Oliveira e não tem medido esforços para assegurar que o tratamento seja bem sucedido e está à disposição para chegar a um bom entendimento com ela.

Relembre o caso

Na tarde do dia 11 de agosto de 2019, Débora Dantas se envolveu em um acidente de kart e teve o couro cabeludo arrancado. A pista em que ela e o namorado, Eduardo Tumajan, se divertiam funcionava em um supermercado de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife.

O casal havia pago R$ 100 para dar 22 voltas na pista, mas, na segunda volta, o cabelo da jovem saiu do capacete e ficou preso ao motor do kart. No mesmo dia, ela foi levada para o Hospital da Restauração, no bairro do Derby, área central do Recife. No dia 12 de agosto, passou por uma cirurgia para a reconstrução do couro cabeludo. No dia seguinte (13/08), a auxiliar de ensino passou por uma nova cirurgia.

Lei do kart no Recife

Após quatro meses do trágico acidente com Débora Dantas, a Prefeitura do Recife sancionou uma lei que estabelece normas básicas de segurança para o funcionamento de kartódromos no Município. A medida foi publicada no Diário Oficial desse sábado (07) e tem efeito imediato.

A lei nº 18.688/2019 considera, como exigências, a disponibilidade aos clientes de itens de segurança como capacete, balaclava descartável, luvas, elásticos para pilotos com cabelos compridos e macacão especial para amortecer o impacto em caso de queda.

Segundo o texto, todas as empresas precisam colocar cartazes e avisos sobre cuidados na utilização dos karts, como perigo de contato com partes rotativas, energizadas, superfícies quentes e com o combustível dos veículos, além de determinar que as empresas promovam a manutenção permanente dos karts.

A lei engloba toda e qualquer atividade comercial de treinos e corridas que não esteja dentro das normas da Federação Internacional de Automobilismo, Comissão Internacional de Kart, Confederação Brasileira de Automobilismo e Federações estaduais de automobilismo.

A multa para as empresas que não obedecerem à lei será de R$ 10 mil, além da suspensão das atividades durante 30 dias. Em caso de reincidência, haverá cassação definitiva da permissão de funcionamento. A fiscalização ficará com a Prefeitura do Recife.

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