Patrimônio e arte

Eufrásio Barbosa vai ser reaberto sob gestão do Estado

A pouco mais de um mês da abertura, equipamento cultural não tem ainda equipe e sistema de gestão definidos

Bruno Albertim
Bruno Albertim
Publicado em 31/01/2018 às 5:32
Foto: Sandro Barros/ Prefeitura de Olinda
A pouco mais de um mês da abertura, equipamento cultural não tem ainda equipe e sistema de gestão definidos - FOTO: Foto: Sandro Barros/ Prefeitura de Olinda
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Depois do Teatro do Bonsucesso, reaberto nessa segunda-feira (30) depois de mais de vinte anos em obras, Olinda já tem data para a reabertura de outro importante equipamento cultural: o Mercado Eufrásio Barbosa. Em março, garante o secretário de Turismo do Governo de Pernambuco, Felipe Carreras, o prédio é entregue requalificado, após três anos de trabalhos, para funcionar como centro cultural. Mais doze grandes prédios continuam sob reforma ou à espera de ordens de serviço.

De propriedade do município, o equipamento terá a gestão sob o comando do Estado. Com previsão de custo mensal em torno de R$ 200 mil, Olinda teria dificuldades financeiras para manter o funcionamento do prédio. “Será um acordo de gestão de longa duração”, diz Carreras. “Não sabemos ainda se de dez ou vinte anos”.

Prédio centenário onde funcionou uma alfândega, uma fábrica de doces, convertido em mercado público de víveres e, depois, de artesanato e sede de eventos culturais como shows e prévias carnavalescas, o Eufrásio Barbosa foi interditado ainda em 2006 - o teto ameaçava desabar. Depois de vários adiamentos e polêmicas, o projeto de reforma consumiu R$ 18 milhões do Programa Nacional de Desenvolvimento do Turismo, com verbas do Banco Interamericano de Desenvolvimento repassadas pelo Governo Federal para o Estadual. “São recursos do governo do Estado, obtidos através do empréstimo”, diz o secretário, informando que o Estado pagará a conta.

Se a estrutura física está quase pronta, o funcionamento deste que será o maior equipamento cultural de Pernambuco, com 5 mil metros quadrados de área construída, não está ainda definido a pouco mais de um mês da abertura das portas. “Temos alguns nomes sondados para assumir a curadoria dos segmentos envolvidos, mas não podemos divulgar agora porque tudo está ainda sob definição”, diz o secretário Carreras. O mercado, contudo, deve funcionar como um grande centro de cultura e artes visuais populares.

Antes de o Governo do Estado assumir a gestão, a Prefeitura de Olinda já tinha planos como transferir o acervo de cerca de 60 obras do pintor Bajado da sede do governo municipal para o principal pavilhão do Eufrásio Barbosa. Secretário de Cultura de Olinda, Gilberto Sobral diz que outro plano é transferir o Museu do Mamulengo, em funcionamento na Ribeira, para o mercado. “Além de estar num prédio alugado, o museu do Mamulengo está num sobrado de três andares, o que dificulta as questões de acessibilidade”, diz Sobral.

Nada, segundo Carreras, está confirmado. “Temos uma ótima relação com a Prefeitura de Olinda, estamos ouvindo várias sugestões, mas ainda é cedo para confirmar”, ele diz. O prédio vai ter pelo menos cinco espaços de exposição. Foi descartada a ideia, segundo a própria família, de expor ali de forma permanente o acervo de arte popular da arquiteta Janete Costa. “O acervo de mamãe não seria tão grande para contemplar todo o espaço”, diz Roberta Borsoi, filha da arquiteta que, apesar de ainda não oficialmente contratada, já está trabalhando numa grande exposição de arte popular, com cerca de 150 obras, para a maior sala de exposições do novo mercado. “Exposições temporárias ajudam a dinamizar mais o espaço”, diz ela.

PAUTAS

Além dos espaços de exposição, o mercado terá 19 boxes de artesanato, espaço para duas lanchonetes e um grande restaurante com 250 metros quadrados. Na rampa do mercado, sem cobertura, um espaço para 52 barracas de feira. No quintal, uma nova vai rampa vai unir o mercado ao pátio do Mosteiro de São Bento. Além disso, o Teatro Fernando Santa Cruz vai ser reaberto, com 80 lugares, e o prédio contará com uma pequena Livraria da Companhia Editora de Pernambuco - Cepe. O sistema de pautas não foi ainda definido.

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