Graffiti

Pão e Tinta faz da arte uma ocupação

No Pina, coletivo promove festival com oficinas gratuitas, participações artísticas e shows durante todo fim de semana

João
João
Publicado em 06/09/2019 às 17:54
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No Pina, coletivo promove festival com oficinas gratuitas, participações artísticas e shows durante todo fim de semana - FOTO: Divulgação
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Como inserir a arte nos debates sobre o espaço público e a violência urbana? Mais ainda, como transformar isso em impactos sociais e ações relevantes para o contexto? A resposta para esses questionamentos é o que vem movendo há oito anos o coletivo Pão e Tinta. Reunindo artistas da comunidade do Bode, no bairro do Pina, o grupo promove projetos e ações que dialogam a práxis da mudança com a arte do graffiti.

“Nos reunimos principalmente para pautar o direito à cidade e à identidade. Por isso falamos de graffiti e artes visuais como uma maneira de salvar vidas” explica Stilo Santos, um dos fundadores e coordenadores do coletivo.

Hoje e durante o fim de semana, o grupo promove a 8° edição do Festival Internacional de Artes Pão e Tinta, com oficinas gratuitas, intervenções artísticas, atividades e shows. Serão 70 artistas participando do evento. A maioria de Pernambuco, com 25 deles vindo de outras regiões do Brasil e da América latina. “Trazendo pessoas de fora a gente cria um espaço de intercâmbio para o jovem que participa do festival”, ressalta Stilo.

Além de inserir expressões artísticas na comunidade, Stilo pontua que um dos principais objetivos do projeto é revitalizar espaços públicos para prevenir a violência e o consumo abusivo de drogas. “A gente busca traçar ações que consigam reduzir o número de adolescentes, jovens e adultos envolvidos com a criminalidade. Os artistas convidados dividirão experiência em oficinas com adolescentes das comunidades usando a arte como instrumento pedagógico”.

Nesse sentido, as oficinas além de gratuitas contemplarão diversas faixas etárias. A programação, no entanto, não se restringirá a ações formativas. O festival também encontra espaços para artistas locais e de fora exibirem seus trabalhos visuais e musicais. O evento e principalmente o cerne do graffti, conta Stilo, estão além de qualquer definição simples.

“É a nossa grande comunicação visual. Conseguimos intervir e comunicar através do grafitti. Então eu não acho que o graffiti é apenas um meio de criação, mas sim um veículo de comunicação do que nós vivemos. Morrem quase todos os dias negros e negras na favela, e no graffiti a gente encontra os meios de expressar isso”.

PROGRAMAÇÃO

Hoje, o evento terá abertura no espaço do antigo aeroclube, a partir das 18h, com uma festa temática intitulada “Desafiando Estatísticas”. Um pouco mais cedo, das 9h às 17h, já começam as intervenções artísticas no espaço da Livroteca Brincante do Pina, na Rua Artur Lício.

No mesmo horário amanhã, acontecem atividades de graffiti, oficinas, batalhas de rap e de break, pocket shows, leilão de arte urbana, rodas de diálogo e creche com programação infantil, na Rua Vila Teimosa, no Pina. À noite, às 22h30, o festival vai para o Arvoredo no Derby, promover uma série de shows de atrações locais.

No domingo, das 9h às 22h, o evento volta ao espaço do antigo Aeroclube, com mais atrações musicais, recitais de poesia e leilão de artes.

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