Crítica

'Homem-Aranha' vem com tom leve e mirabolante na volta pós-Vingadores

'Homem-Aranha: Longe de Casa', segundo filme solo do herói no universo Marvel, dá bom pontapé inicial para os novos rumos do estúdio; confira crítica

Rostand Tiago
Rostand Tiago
Publicado em 03/07/2019 às 9:12
Análise
Foto: Marvel Studios/Divulgação
'Homem-Aranha: Longe de Casa', segundo filme solo do herói no universo Marvel, dá bom pontapé inicial para os novos rumos do estúdio; confira crítica - FOTO: Foto: Marvel Studios/Divulgação
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Não há descanso para o Homem-Aranha. Há poucos dias, o herói adolescente marcava presença nas salas de cinema ao participar do apoteótico Vingadores: Ultimato e agora retorna às telas com seu Homem-Aranha: Longe de Casa, carregando a responsabilidade de se resolver enquanto personagem após os eventos do último filme, assim como ir estabelecendo os possíveis rumos para o universo Marvel. Entretanto, abraçar essa tarefa isso não significa deixar de lado a tônica que lhe deu um estilo bem próprio dentro do leque dos filmes de heróis, como mostra esse novo episódio, com pré-estreia hoje, à meia-noite.

Aqui, Peter Parker (Tom Holland) e o mundo começa a se adaptar após os acontecimentos de Ultimato. Metade dos seres do universo voltou a vida cinco anos após ser dizimada, incluindo o próprio jovem. Após a grande luta contra Thanos, culminando na perda de Tony Stark, seu mentor na vida de herói, Parker tenta lidar com as cicatrizes dessa ausência, além de se esforçar para readequar sua vida entre ser o Homem-Aranha e ser um adolescente. Uma viagem escolar para Europa parece ser esse a chave para esse momento de normalidade, mas Nick Fury (Samuel L. Jackson) surge para recrutar o herói ao combate de ameaças de outra dimensão que surgirão na Velho Continente. Nessa tarefa, ele conta com ajuda do enigmático Quentin Beck, que recebe o apelido de Mysterio, também vindo de outro universo, com quem acaba criando um laço.

Nesse cenário, é interessante como o Peter Parker agora, mesmo aparentando estar mais maduro e passando pelo que passou, acaba tendo suas inseguranças renovadas em diversos níveis. Seu conflito interno, dividido entre lidar com as ausências e conseguir levar uma vida adolescente, seja em termos amorosos ou de apenas se divertir, acabam funcionando bem como motor dramático. Tom Holland, há muito confortável no papel, canaliza bem essa confusão do personagem, se consolidando como um memorável intérprete do amado herói.

Também voltamos a tônica já proposta em seu primeiro filme, De Volta ao Lar, de conferir uma verve menos densa às aventuras do herói. Se outras produções da Marvel flertam com diferente gêneros e subgêneros – o Homem-Formiga com o filme de roubo, o Capitão América com os filmes de guerra e espionagem – os filmes do Homem-Aranha abraçam a comédia adolescente, em doses cada vez maiores. Essa condução, mesmo que com um excesso aqui e ali, é bem equilibrada, com intérpretes como Jacob Batalon, Zendaya, Jon Favreau e Martin Starr potencializado bem esse caminho, além da própria estrutura de road movie.

Ao lado mais dramático, temos a interação entre o Parker de Holland e o Quentin de Gyllenhaal como uma de suas principais forças, como parte de uma crescente busca por um figura que ocupe o lugar de Stark. A química entre a vulnerabilidade expressa por Holland dialoga muito bem com a postura amável e, certas vezes, até paternal, do ator veterano, com uma voz flexionada de forma gentil e um olhar carinhoso. Essa dinâmica e essas presenças de cena solidificam ainda mais a busca de Peter por uma figura que ajude a lidar com seus anseios enquanto um ser superpoderoso e dotado de responsabilidades.

PLANOS INUSITADOS

Essa abertura também permite um divertido nível de mirabolância em sua trama, com inusitadas viradas, a partir de um roteiro que vai engenhosamente desvelando as camadas das ameaças presentes, digna dos planos vilanescos mais inusitados dos quadrinhos. Esse contexto também dá espaço para um passeio por marcantes locações de países europeus, levando as dinâmicas de suas cenas de ação a cenários como os canais de Veneza e o carnaval de Praga, bem exploradas em suas dimensões plásticas.

Carregando um coração que concilia bem sua essência pueril e o tom cômico com uma certa densidade dramática, conseguindo ter uma cara mais própria dentro do escopo do cinematográfico da Marvel Studios. Sua missão, de ser o pontapé inicial na reestruturação para as narrativas nesse mundo, é bem cumprido e mostra que o Homem-Aranha é uma figura capaz de protagonizar ainda mais os próximos arcos do universo Marvel. Arcos estes que têm seus possíveis rumos revelados nas duas cenas pós-créditos de Longe de Casa.

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