Zizi Possi canta Edu e Chico na Caixa Cultural

Cantora apresenta repertório de dois grandes compositores fundamentais em sua carreira
JC Online
Publicado em 20/09/2017 às 19:34
Cantora apresenta repertório de dois grandes compositores fundamentais em sua carreira Foto: Rama de Oliveira / Divulgação


É apenas de se perguntar como esse show não aconteceu antes. Com quase 40 anos de carreira, 19 álbuns e várias lugares ocupados na algo inconstante lista das cantoras mais importantes do País, Zizi Possi chega ao Recife com um repertório inteiramente dedicado a Chico Buarque e a Edu Lobo, dois dos compositores através dos quais ela estrutura não apenas a carreira, mas a própria personalidade artística. Com ingressos já esgotadíssimos, Zizi cumpre minitemporada, de hoje até sábado, no intimista teatro da Caixa Cultural do Recife.

Tão logo começou, Zizi Possi ficou nacionalmente conhecida, em 1962, justamente com o dueto com Chico em Pedaço de mim, o libelo político-poético escrito em memória do filho da estilista Zuzu Angel, o Stewart Angel morto pela ditadura. “Sou uma intérprete que precisa de textos profundos, poéticos, e de música que possa iluminar toda essa poesia. Com Chico e Edú, juntos ou separados, isso se tornou possível, e é por conta desse " conteúdo " riquíssimo da obra deles, que eu digo que ajudaram a definir minha identidade!”, diz a cantora, em entrevista ao JC, assim que desembarcou no Recife.

Aberta aos humores do público, Zizi pode acrescentar novos temas ao repertório já definido. “Foi difícil escolher o que ficaria de fora!”, diz, entre risos. “Mas proposta é ir incorporando outras músicas, tipo " rodízio de conteúdo " para podermos passear bastante nessa terra fértil!”.

A cantora tem, no palco, o respaldo do tecladista e pianista Keco Brandão, veterano em sua banda, e do violonista e guitarrista Bruno Mangueira. Com cerca de uma hora de duração, o recital é uma colcha de pérolas sem retalhos: Açúcar, Com Afeto; Sentimental; Dueto; A Mulher de Cada Porto; Morena dos Olhos d’Água; Lábia; Pedaço de Mim; Retrato em Branco e Preto; Sobre Todas as Coisas; Ciranda da Bailarina; Atrás da Porta; Sol e Chuva (Blues da Rosa) e O Grande Circo Místico, tema por ela gravado para o álbum homônimo construído para o Balé Guaíra e que só agora Zizi traz a um show. “Então, agora chegou a hora!”.

ZIZI ATRIZ

Com tantas potências reunidas, esse show corre sério risco de virar disco. Mas não agora. Por enquanto, a cantora se dedica à carreira de atriz (!). “Estou às vésperas da estreias de A flor da pele - um monólogo, isso mesmo, monólogo teatral com música ao vivo e gravada. É um grande desafio para mim, mas me renova a cada dia! José Possi Neto, meu irmão é um dos maiores diretores de teatro do Brasil, roteirizou textos meus, de Nietzsche, Edú Ruiz ( poeta brasileiro) e Donna Tartt ( prêmio Pulitzer de literatura). O tema é praticamente confessional, e aborda a depressão profunda que vivi tempos atrás, e como a arte, a música, foram fundamentais para apontar os caminhos da força e clareza para lidar com essa patologia moderna e desesperadora”, diz ela. “Espero, desejo muito, poder apresentar esse espetáculo em Recife, para o povo do meu coração!”, adianta.

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