HOMENAGEM

Rei do Brega, Reginaldo Rossi ainda embala os corações

Há cinco anos fãs choravam a morte de Reginaldo Rossi

Isabela Veríssimo
Isabela Veríssimo
Publicado em 20/12/2018 às 12:22
Foto: Guga Matos/JC Imagem
Há cinco anos fãs choravam a morte de Reginaldo Rossi - FOTO: Foto: Guga Matos/JC Imagem
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Reginaldo Rossi morreu há cinco anos (completados nesta quinta-feira (20), mas continua sua obra continua cada vez mais viva em Pernambuco. Poucos artistas conseguiu manter uma empatia tão grande com seus conterrâneos. São raras as festinhas onde não se toquem os sucessos de Reginaldo Rei, ou Reiginaldo, um fenômeno como nunca se viu na música pernambucana. Ele morreu aos 69 anos, em consequência de um câncer pulmonar, às 10h de uma sexta-feira. O governador Eduardo Campos decretou três dias de luto em Pernambuco. O corpo do cantor foi velado na Assembléia Legislativa, milhares de fãs encararam uma fila quilométrica para o ultimo adeus ao ídolo.

Conhecido como o Rei do Brega, Reginaldo Rodrigues dos Santos levou vida dissipada, comparável a de lendas do rock como Jim Morrison, Eddie Cochran ou do cultuado francês Serge Gainsbourg. Bebia e fumava sem moderação, não era de malhação nem de alimentação saudável. Em 1999, Reginaldo Rossi concedeu entrevista à revista paulista Bizz (então a mais importante publicação pop do País). O repórter o esperou no varanda da casa em que ele morava, à beira-mar de Candeias. Rossi chegou atrasado, estava circulando pelas emissoras de rádio, divulgando mais um disco. Quase 14h, não tinha almoçado. Pediu licença para preparar alguma coisa para comer. Trouxe o lanche para a varanda. Bolachas cream-crackers e quitute de boi, com uma cerveja.

Autenticidade era uma de suas características. Não se pautava pelo politicamente correto, mas nos shows lançava frases louvando as mulheres (“Homem que é homem tem que babar o saco das mulheres”), ou contra as drogas (“Em vez de cocaína, cheire a xereca da meninas”). Quando lançou, em 2010, O Cabaré do Rossi, seu ultimo trabalho (em CD e DVD), comentou sobre I Will Survive, hit de Gloria Gaynor, que se tornou hino gay: “Faço até uma tradução, digo que a letra é sobre duas bichas que namoram e terminam, e uma diz que ficou morta por não estar com seu bofe. Quando canto no palco, me chamam de viado, moças vem ao palco, gays sobem e dançam, é divertido”.

Numa descontraída entrevista a Geraldo Freire, na Rádio Jornal, contou vários “causos” acontecidos com ele ao longo de uma carreira iniciada por volta de 1963 (lançou o primeiro álbum em 1966). Uma delas é repetida como vinheta na programação da rádio. Ele foi cantar em Jaboatão, nos anos 80, depois do show entrou na Kombi pra ir embora, quando viu um fã correndo atrás, desesperado: “Pedi que o motorista parasse pra eu dar atenção ao fã. Quando ele se aproximou, abri a porta da Kombi e ele disse: ‘Rossi, eu também sou viado”.

Da mesma forma como contava histórias politicamente incorretas, cantava, às vezes sem cachê, para partidos de esquerda, e se apresentava onde lhe contratassem, de casas noturnas chiques a clubes suburbanos. Demorou, porém, a aceitar que o chamassem de brega. “Não consigo entender esta classificação. Ou você cantava MPB e era chique, ou cantava romântico e era brega. Foi quando passei três anos sem gravar, de 1977 a 1980”.

No ostracismo durante cerca de dez anos, Reginaldo Rossi acrescentou ao repertório a canção que o impulsionaria de volta ao estrelato, Garçom, composta para um amigo, cantor no Recife: “Ele não gravou, um desses maestros que se consideram inteligente disse que a música era simples. Em 1987, Rossi gravou Garçom. Seria a música que marcaria sua carreira. Hoje, certamente, tocará muito pelo Recife.

HOMENAGENS

A Rádio Jornal (90,3 FM e AM 780 no Grande Recife), a TV Jornal e o Manhattan Café Theatro, em Boa Viagem, lembrarão os cinco anos sem Reginaldo Rossi; algumas homenagens ao artista de hoje até o próximo sábado. No programa Movimento, apresentado por Ednaldo Santos das 21h30 à meia-noite, serão tocadas músicas do cantor, com microfone aberto aos fãs. Na telinha, o programa O Povo na TV faz uma homenagem ao artista a partir das 19h15. Amanhã, o Manhattan – que recebeu os últimos shows do cantor em vida – celebra Rossi, a partir de 21h. A casa escalou os Garçons Cantores e a Banda The Rossi, formada por integrantes do conjunto que acompanhava o rei nas turnês, capitaneada por Sandro Nóbrega, que foi empresário de Reginaldo durante 25 anos. Os ingressos custam R$ 60 por pessoa.

No sábado (22), mais uma homenagem da Rádio Jornal, desta vez no programa Mesa de Bar, apresentado por Wagner Santos, a partir das 11h da manhã. A banda The Rossi também será uma das convidadas, junto com a cantora Michelle Melo, o produtor cultural Bruno Lisboa e o taxista Célio Lima.

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