SAMBA-ENREDO

'Não tem futuro sem partilha nem Messias de arma na mão', canta Mangueira em Samba-enredo do Carnaval 2020

Escola levará para a avenida o questionamento de como seria a volta de Jesus em um mundo intolerante

Carolina Fonsêca Carolina Fonsêca
Carolina Fonsêca
Carolina Fonsêca
Publicado em 29/01/2020 às 15:07
Foto: Reprodução/Facebook Estação Primeira de Mangueira
Escola levará para a avenida o questionamento de como seria a volta de Jesus em um mundo intolerante - FOTO: Foto: Reprodução/Facebook Estação Primeira de Mangueira
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Campeã de 2019 do Carnaval do Rio de Janeiro, a Estação Primeira de Mangueira anunciou sem samba-enredo para o Carnaval 2020 ainda no mês de dezembro. Ainda sob o comando do carnavalesco Leandro Vieira, a Verde e Rosa irá para a sapucaí com o enredo “A Verdade Vos Fará Livre”, definida pela escola como uma biografia de Jesus Cristo. 

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De acordo com a descrição do vídeo de divulgação da música, postado no canal da escola no YouTube, “a escola difundirá as ideias pacifistas e igualitárias daquele cujo a história, de vida e de morte, tende a ser a mais popularmente divulgada no imaginário coletivo mundial”. A Mangueira vai levar para a avenida o questionamento de como seria a volta de Jesus em um mundo intolerante. 

O samba-enredo pede, logo na primeira estrofe, “Senhor, tenha piedade” e diz ainda “Vão te inventar mil pecados, mas eu estou do seu lado e do lado do samba também”. 

Pastor representando uma das faces de Jesus

O carnavalesco da escola convidou o pastor Henrique Vieira, 32, para representar uma das faces de Jesus de Nazaré no desfile da escola. Além de pastor, Henrique também é ator, teólogo e historiador. O religioso comentou o samba-enredo da escola em seu canal no YouTube. "Mostrar a face de Jesus no rosto de tantas pessoas que são alvo de discriminação, preconceito e violência. Isso tem a ver com o evangelho", disse em um trecho do vídeo. 

Confira a letra do samba-enredo da Mangueira

Senhor, tenha piedade
Olhai para a terra
Veja quanta maldade
Senhor, tenha piedade
Olhai para a terra
Veja quanta maldade

Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também

Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também

Eu sou da Estação Primeira de Nazaré
Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher
Moleque pelintra no buraco quente
Meu nome é Jesus da Gente

Nasci de peito aberto, de punho cerrado
Meu pai carpinteiro, desempregado
Minha mãe é Maria das Dores Brasil

Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira
Me encontro no amor que não encontra fronteira
Procura por mim nas fileiras contra a opressão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão

Eu tô que tô dependurado
Em cordéis e corcovados
Mas será que todo povo entendeu o meu recado?
Porque, de novo, cravejaram o meu corpo
Os profetas da intolerância
Sem saber que a esperança
Brilha mais na escuridão

Favela, pega a visão
Não tem futuro sem partilha
Nem messias de arma na mão
Favela, pega a visão
Eu faço fé na minha gente
Que é semente do seu chão

Do céu deu pra ouvir
O desabafo sincopado da cidade
Quarei tambor, da cruz fiz esplendor
E ressurgi pro cordão da liberdade

Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também

Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também

Eu sou da Estação Primeira de Nazaré
Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher
Moleque pelintra no buraco quente
Meu nome é Jesus da Gente

Nasci de peito aberto, de punho cerrado
Meu pai carpinteiro, desempregado
Minha mãe é Maria das Dores Brasil

Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira
Me encontro no amor que não encontra fronteira
Procura por mim nas fileiras contra a opressão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão

Eu tô que tô dependurado
Em cordéis e corcovados
Mas será que todo povo entendeu o meu recado?
Porque, de novo, cravejaram o meu corpo
Os profetas da intolerância
Sem saber que a esperança
Brilha mais na escuridão

Favela, pega a visão
Não tem futuro sem partilha
Nem messias de arma na mão
Favela, pega a visão
Eu faço fé na minha gente
Que é semente do seu chão

Do céu deu pra ouvir
O desabafo sincopado da cidade
Quarei tambor, da cruz fiz esplendor
E ressurgi pro cordão da liberdade

Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também

Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também

Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também

Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também

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