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Sonia Braga dá 'aula de história' para ministro da Cultura

Atriz publicou um post em resposta à crítica do ministro por causa do protesto em Cannes da equipe de Aquarius

JC Online
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Publicado em 08/06/2016 às 9:08
AFP
Atriz publicou um post em resposta à crítica do ministro por causa do protesto em Cannes da equipe de Aquarius - FOTO: AFP
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A atriz Sonia Braga, protgonista do filme Aquarius, resolveu entrar na briga com o ministro da Cultura, Marcelo Calero, e publicou em sua página no Facebook uma carta na qual defende o ato de protesto dela, do cineasta Kleber Mendonça Filho e de toda a equipe do filme durante o Festival de Cannes, no mês de maio.

"Como pode um Ministro dizer que um ato democrático como o nosso é a representação de um País inteiro? Isso é desconhecimento do que significa plena democracia. Se estivéssemos falando em nome de todos não precisaríamos, evidentemente, fazer o ato. 
Uma coisa é certa: estamos juntos", escreveu a atriz.

O ministro criticou durante uma entrevista o prostesto, afirmando que, a manifestação em "defesa de uma tese política" era ruim, pois "causa prejuízo à imagem do País. Ele ainda chamou o protesto "de uma irresponsabilidade quase infantil". Kleber Mendonça  já havia publicado uma resposta a Calero em sua página no Facebook.

 

 

A FOTO É A MESMA O RECADO É NOVO:

Aula de História para o senhor Marcelo Calero, 33 anos de idade.
Eu, só de profissão, tenho 50.

Na época da Abertura, os artistas não tinham sequer uma lei que regulasse a profissão. Essa lei foi promulgada em 1978, depois de muita luta, da qual tive a honra de participar.
Naquela época, acredito, o senhor Marcelo ainda não havia nascido. Por isso, não deve ainda ter tido tempo de aprender sobre os nossos problemas e os nossos direitos.
E pouco se importou, ou não notou, que uma atriz brasileira era campeã de bilheteria do cinema brasileiro e sustentou este título por 30 anos - também ganhando, com filmes brasileiros, além de projeção internacional, muitos prêmios no exterior, promovendo assim o nome de Brasil e de nossa cultura.

Como pode um Ministro dizer que um ato democrático como o nosso é a representação de um País inteiro? 
Isso é desconhecimento do que significa plena democracia. Se estivéssemos falando em nome de todos não precisaríamos, evidentemente, fazer o ato. 
Uma coisa é certa: estamos juntos.

O Ministro da Cultura ofendendo artistas é inadmissível. O senhor está nesse cargo para dialogar, para nos ajudar, para fazer a ponte com quem nos explora.
A propósito, as críticas para Aquarius foram fabulosas. Quatro estrelas em jornais franceses, italianos, poloneses, russos e três citações no The New York Times. Ponto grande para a imagem da cultura brasileira no exterior.

Senhor Ministro, não podemos perder as nossas conquistas. Sobretudo a mais importante delas, o respeito."

 

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