Ex-ministro Roberto Freire critica suspensão da mostra no Santander

Político pernambucano que já comandou o Ministério da Cultura expressou seu ponto de vista sobre a polêmica
JC Online
Publicado em 12/09/2017 às 12:58
Político pernambucano que já comandou o Ministério da Cultura expressou seu ponto de vista sobre a polêmica Foto: Foto: Facebook/Roberto Freire/Reprodução


O fechamento da mostra QueerMuseu em Porto Alegre, organizado pelo Santander Cultural, tem acendido uma polêmica nas redes sociais. Com opiniões contra e a favor, pessoas físicas e personalidades tem expressado seu ponto de vista sobre a questão. Na última segunda-feira (11), foi a vez do político pernambucano Roberto Freire, que já comandou o Ministério da Cultura, se posicionar sobre o assunto.

Em sua página pessoal no Facebook, o deputado se disse perplexo com a situação e citou outros casos de situações semelhantes. "Isso me lembra da época em que participava do Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito do Recife nos idos de 1965. Um dos primeiros atos da nossa gestão foi organizar uma exposição de arte nos salões da faculdade. Ocorre que houve uma grande polêmica em torno de uma das obras – um quadro que exibia um Cristo negro. A exposição foi um sucesso, mas só durou aquela noite. No dia seguinte, a ditadura determinou o fechamento da mostra e apreendeu a obra", relatou.

Roberto também citou uma história que se passou no regime nazista da Alemanha nos anos 30 para contextualizar com a atual situação da mostra recém-fechada no Sul do País. "Guardadas as devidas proporções, isso tem algo a ver com o bisonho espetáculo que estamos acompanhando no Rio Grande do Sul. Não quero discutir aqui a qualidade das obras exibidas, se têm valor artístico ou não. Reconheço até que algumas dessas obras subjetivamente não me agradam. Porém, o fundamental é destacar o erro da decisão de proceder ao fechamento da exposição. Se foi aberta, não poderia ser fechada por manifestações contrárias", reforça.

Para o ex-Ministro da Cultura, o fechamento da exposição do Santander Cultural é fruto de censura. "Quem fecha exposições de arte - e aqui, cabe repetir, não importando saber o juízo de valor das obras - é a ditadura. [...] A ação política desses movimentos que levaram ao fechamento da exposição em Porto Alegre pode gerar algo muito perigoso para a democracia: a política se transformando em censora da expressão artística e cultural", afirma.

VEJA O TEXTO DE ROBERTO FREIRE NA ÍNTEGRA:

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Santander Cultural Polêmica Roberto Freire Queermuseum
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