América Latina

Governo venezuelano não está preparado para enfrentar crise, diz diplomata americano

A economia venezuelana fechou 2014 com uma contração de quase 4 pontos do PIB e uma inflação superior a 64%

Da AFP
Da AFP
Publicado em 12/02/2015 às 19:28
Foto: JUAN BARRETO / AFP
A economia venezuelana fechou 2014 com uma contração de quase 4 pontos do PIB e uma inflação superior a 64% - FOTO: Foto: JUAN BARRETO / AFP
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"O governo da Venezuela, por sua postura ideológica, não está preparado para enfrentar a crise econômica que atinge o país", avaliou nesta quinta-feira, em Miami, Lee McClenny, o encarregado de negócios dos Estados Unidos no país sul-americano.

"O problema fundamental da Venezuela é que é uma das economias mais sensíveis ao mercado do continente. Vendem petróleo a preço de mercado para comprar outros bens a preço de mercado", disse McClenny, máximo representante dos Estados Unidos na Venezuela, já que os dois países não são representados por embaixadores desde 2010.

"No entanto, o governo é dirigido por pessoas que são indiferentes e não acreditam nas forças do mercado. Não estão preparados para enfrentar os problemas que têm e suas decisões não fazem sentido para um capitalista como eu", disse McClenny, em um evento com outros diplomatas americanos para a América Latina em Miami, Florida (sudeste).

"Repressão, controles mais amplos e maior implicação do governo nos processos econômicos não vão ajudar a Venezuela", disse McClenny, em referência à recente intervenção do governo em uma rede de supermercados e a prisão de diretores de empresas.

A economia venezuelana, que fechou 2014 com uma contração de quase 4 pontos do PIB e uma inflação superior a 64%, se viu ainda mais afetada pela queda dos preços do petróleo em u, país que obtém do cru 96% de suas receitas e que importa a maioria dos alimentos e produtos que consume.

"O governo está em apuros, em uma situação financeira bem difícil", disse McClenny.

O diplomata, com sete meses no cargo, disse que Washington não deseja enviar um embaixador a Caracas "até que a relação fique mais séria". McClenny lamentou ainda a "ausência de diálogo real" entre o governo e a oposição.

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