Comportamento

Crise eleva consumo de cachaça

Pesquisa mostra que quanto piores as expectativas da população, maior é o consumo da bebida

Marina Padilha
Marina Padilha
Publicado em 11/08/2016 às 8:24
Foto: Skol/Divulgação
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À medida que a expectativa da população piora em relação ao cenário político-econômico, mais garrafas de cachaça são vendidas no Brasil. Essa é a conclusão de um estudo feito pela PeopleScope – maior base de dados comportamentais dos brasileiros, divulgada pelo Ibope DTM, unidade de Marketing e Relacionamento do Ibope Inteligência. O indicador foi divulgado nessa quarta-feira (10) e mostra que quanto mais baixo o Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec), mais crescem as vendas da tradicional bebida brasileira no varejo.

Batizado de ‘Índice da Cachaça’, a pesquisa mostra que, quanto mais pessimista é um grupo social, maior é sua afinidade para sair para beber e frequentar bares ou restaurantes. O que aconteceu nos últimos anos, no entanto, é que esses grupos deixaram de ir às ruas para beber em casa, o que aumentou as vendas da bebida alcoólica nos mercados.

Segundo a análise, quando o Inec, que é medido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), ficou 12,2% abaixo da média histórica, a venda das garrafas de cachaça em pelo menos três redes varejistas disparou e alcançou o maior número registrado desde janeiro de 2013.

“É um fenômeno parecido com o ‘Índice do Batom’, que aconteceu durante a recessão nos Estados Unidos, no início dos anos 2000. “Lá, as vendas do batom dispararam, pois em tempos de incerteza financeira, as consumidoras passaram a comprar produtos mais baratos, como os itens cosméticos, para que se sentissem mais atraentes. Aqui, percebemos que, mesmo valorizando a ida a bares e restaurantes, as pessoas passaram a beber mais em casa”, explica Bernardo Canedo, diretor do Ibope DTM.

Mas por que a cachaça? Porque, de fato, é a bebida que menos pesa no bolso do consumidor. Entre janeiro e março deste ano, por exemplo, o volume de cerveja comercializada pela Ambev no Brasil teve retração de 10%.

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Os números também são reforçados pelo Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe), da Receita Federal, que apontou uma queda de 1,2% na produção de cerveja em junho deste ano em comparação com o mesmo mês de 2015. No total, foram produzidos 964,2 milhões de litros da bebida. Na comparação com maio deste ano, a queda foi ainda maior, de 4,2%.

Os fabricantes de cachaça, no entanto, não sentiram tanto o peso da crise. “Claro que nosso lucro não é como esperado e estamos mantendo as contas. Ninguém vai deixar de beber, mas as pessoas bebem aquilo que podem pagar. Como produzimos produtos de uma linha mais barata, não tivemos queda nas vendas”, conta Alexandre Ferrer, diretor comercial da Pitú.

A análise do Ibope DTM mostra ainda que, assim como frutas, legumes e verduras, as bebidas alcoólicas ainda tem lugar cativo na feira do mês e custaram mais ao consumidor em 2015 do que em 2014. Segundo Roque Pellizzaro, presidente do SPC Brasil, o aperto financeiro nos últimos anos obrigou o brasileiro a ajustar seus gastos, mas alguns itens ainda observam aumento, ajustado pela inflação no período.

Mercado

Segundo a Associação Brasileira de Bebidas (Abrab), a cachaça é o segundo tipo de bebida alcoólica mais consumida no País, perdendo apenas para a cerveja. Entre o segmento de destilados, ela é a campeã, concentrando 50% do consumo. No último levantamento realizado pela instituição, em 2013, foram produzidos 511,54 milhões de litros de cachaça. Naquele ano, no entanto, o ‘Índice da Cachaça’ variou pelo menos 20% abaixo do que vem sendo registrado em 2016.

[FOTOS] As 10 cervejas mais consumidas pelo brasileiro

Foto: Skol/Divulgação
1ª: A gelada mais querida no Brasil é a Skol (Ambev). No mundo, a cerveja ocupa a 5ª posição - Foto: Skol/Divulgação
Foto: Brahma Chopp/Divulgação
2ª: A cerveja fabricada pela Ambev é chamada de Brahma Chopp por seu teor leve, similar ao chopp - Foto: Brahma Chopp/Divulgação
Foto: Antarctica/Divulgação
3ª: A Antarctica nasceu na primeira fábrica brasileira de cerveja de baixa fermentação em 1888 - Foto: Antarctica/Divulgação
Foto: Nova Schin/Divulgação
4ª: Produzida pela Brasil Kirin, a Schin é uma cerveja do tipo Pilsen tida como popular - Foto: Nova Schin/Divulgação
Foto: Itaipava/Divulgação
5ª: É das máquinas da cervejaria Petrópolis que sai a Itaipava, fundada em 1993 e popular no Brasil - Foto: Itaipava/Divulgação
Foto: Kaiser/Divulgação
6ª: Mineira, a Kaiser foi criada em 1982 por Luiz Gonçalves, dono de uma franquia da Coca-cola - Foto: Kaiser/Divulgação
Foto: Crystal/Divulgação
7ª: Também do grupo Petrópolis, é uma cerveja Pilsen com versões saborizadas de guaraná e limão - Foto: Crystal/Divulgação
Foto: Bohemia/Divulgação
8ª: Fundada em Petrópolis em 1853 por um alemão, a Bohemia foi a primeira cervejaria do Brasil - Foto: Bohemia/Divulgação
Foto: Bavaria/Divulgação
9ª: Conhecida como a 'Cerveja dos amigos', a Bavaria é produzida pela Heineken - Foto: Bavaria/Divulgação
Foto: Chopp Brahma/Divulgação
10ª: O chopp Brahma passa pelo mesmo processo da cerveja da marca, a única diferença é o envasamento - Foto: Chopp Brahma/Divulgação

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