Orçamento

Brasil tem 61 milhões de endividados; Nordeste tem menos dívidas

O consumidor inadimplente deve, em média, R$ 3.257,91, mas 52% das dívidas é de até R$ 1 mil

Marília Banholzer
Marília Banholzer
Publicado em 16/01/2020 às 18:09
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Foto: divulgação Serasa Consumidor
O consumidor inadimplente deve, em média, R$ 3.257,91, mas 52% das dívidas é de até R$ 1 mil - FOTO: Foto: divulgação Serasa Consumidor
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O número de brasileiros endividados teve uma leve retração, apenas 0,2%, em dezembro de 2019, comparado ao mesmo período de 2018. Mesmo assim 61 milhões de pessoas entraram 2020 no vermelho e estão com o CPF restrito para contratar crédito. Os dados são da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

O levantamento mostra que, em média, o consumidor inadimplente deve R$ 3.257,91. No entanto, 52,8% têm dívidas de até R$ 1 mil e 47,2% possuem contas em atraso acima desse valor. O estudo revela que, de modo geral, o número de dívidas teve recuo de 3,3% maior do que em 2018.

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Em dezembro, a retração mais expressiva da inadimplência aconteceu entre as dívidas do setor de comunicação: contas de telefonia, internet e TV por assinatura. A redução foi de 16,4%. As dívidas bancárias, que levam em conta cartão de crédito, cheque especial, empréstimos e financiamentos, caíram apenas 1,9%. Já o as dívidas contraídas no comércio via crediário subiram 0,9%, justo no período que o setor mais fatura com as vendas de fim de ano. Enquanto isso, as pendências básicas com água e luz cresceram 2,1%.

De acordo com a CNDL, a redução no endividamento é reflexo de uma “melhora gradual na conjuntura econômica” e por ações pontuais como a liberação de recursos do FGTS e mutirões de negociação de dívidas. A expectativa, aponta a confederação, é de que o número de inadimplentes continue em queda, mas a passos lentos. “A aceleração desse quadro passa pela continuidade da melhora econômica e, em especial, daquilo que toca diretamente o bolso do consumidor: emprego e renda", destaca o estudo.

NORDESTE DEVE MENOS

Quando analisados por região, os dados revelam que o Nordeste apresentou a queda mais expressiva na quantidade de inadimplentes: -3,2% na comparação entre dezembro de 2019 e o mesmo mês do ano anterior. No Sudeste a variação foi pequena e ficou em 0,7%. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, porém, houve altas de 4,8% e 3,8%, respectivamente.

O Norte, inclusive, é a localidade mais inadimplente em termos proporcionais. A estimativa é que 47,2% dos residentes adultos da região estejam com o CPF negativado. Em seguida aparece o Centro-Oeste (42,4%), Nordeste (40,2%), Sudeste (37,4%) e Sul (35,5%).

O indicador ainda mostra que a inadimplência tem apresentado comportamentos distintos, conforme a faixa etária. No último mês de dezembro, houve queda expressiva na parcela mais jovem da população, enquanto observou-se uma alta entre os mais velhos na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Considerando a população de 18 a 24 anos, houve queda de 21% na quantidade de inadimplentes. Já entre os idosos de 65 a 84 anos, a alta foi de 3,7%.

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