INVESTIMENTOS

Empresas enfrentam crise econômica e continuam investindo em 2015

Em meio a tanto pessimismo, há exemplos louváveis de empreendimentos que pensam a longo prazo e mantêm seus projetos

Anna Tiago
Anna Tiago
Publicado em 21/06/2015 às 8:00
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Em meio a tanto pessimismo, há exemplos louváveis de empreendimentos que pensam a longo prazo e mantêm seus projetos - FOTO: Divulgação
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O pessimismo ronda os negócios em 2015: apenas 18% das empresas planejam ampliar seus programas de investimentos, enquanto 35% devem reduzir esse tipo de aporte, segundo dados da Sondagem de Investimentos da Indústria de Transformação da Fundação Getulio Vargas (FGV). Pela primeira vez desde o início da pesquisa, a propensão de diminuir investimentos superou a de aumentá-los. Mas há quem encare esse cenário negativo e não hesite na hora de unir esforços para ver a empresa crescer. Em Pernambuco, algumas empresas vão na contramão e não se intimidam com a crise.

Há marcas que não só aumentaram o investimento como já apresentaram um crescimento consolidado nos primeiros meses deste ano. É o caso da Trident, da Mondelez Brasil, que tem investido em ações no Nordeste desde 2010. Em Pernambuco, a marca apresentou crescimento de 10,3% em vendas em valor versus o primeiro trimestre de 2014. 

"Investimos no Carnaval, com lançamentos de produtos, e estamos continuando investindo um pouco mais no São João: 9% a mais do que no ano passado, porque acreditamos que o público pernambucano está, cada vez mais, construindo uma relação com a marca, principalmente nesse momento de recessão”, conta a gerente de marketing do Norte/Nordeste, Renata Carvalho. Segundo ela, foram investidos R$ 3,5 milhões só nas festas juninas.

Também no setor de doces, a gaúcha Docile vê no Estado uma oportunidade de fazer a marca crescer. A empresa está construindo um parque industrial em Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata, com previsão de inauguração para novembro deste ano. A empresa já possui uma fábrica em Jaboatão dos Guararapes, onde produz 80 mil quilos por mês. A expectativa é de quadruplicar a produção com a nova indústria.

De acordo com o diretor de marketing, Ricardo Heineck, o investimento de R$ 9 milhões na construção da nova unidade é, em parte, financiado e estava no planejamento da marca. “Apesar dessa situação econômica, a gente está apostando a médio prazo e acreditamos que estaremos preparados para participar do novo ciclo de crescimento que o País vai ter mais cedo ou mais tarde”, ressalta. 

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Presidente do Grupo JCPM, o empresário João Carlos Paes Mendonça também acredita que é hora de pensar a longo prazo. No momento, o grupo está erguendo seu segundo shopping em Fortaleza, o RioMar Presidente Kennedy, com um investimento de R$ 420 milhões. Além disso, ele conta que algumas expansões estão em análise para as praças de Sergipe e da Bahia. “A análise de mercado precisa prever demandas futuras. E, assim, mantivemos o novo shopping construído em uma área onde, na nossa análise, existe demanda. Claro que não estamos alheios ao momento econômico, mas determinados projetos podem e devem ser mantidos apesar das dificuldades atuais”, diz.

“Bons empreendimentos sempre vão ter sua demanda e seu apelo”, garante o diretor de operação e finanças da Moura Dubeaux, Alexandre Rocha. Só neste ano, a construtora planeja investir R$ 900 milhões no mercado, com expectativa de crescer 10% em relação ao ano passado. “A impressão que temos é que, no Nordeste, o cenário tem sido mais benigno do que em outras regiões. É óbvio que percebemos que o ano está mais difícil, mas a companhia se preparou muito, por isso não vemos uma redução na nossa operação”, afirma. 

O pesquisador da FGV Aloisio Campos explica que as empresas que investem mesmo em um período de recessão são as que apostam na recuperação da economia. “São empresas de um setor que não está mal ou que têm um plano plurianual e pensa a longo prazo, que quer continuar investindo, mirando em 2017, por exemplo”, ressalta.

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