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Mercado de aluguéis melhora e preços podem subir no Grande Recife

Sentimento de retomada da economia impulsiona mercado de aluguéis e preços podem subir

Marília Banholzer
Marília Banholzer
Publicado em 15/02/2020 às 8:10
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Fotos: Bobby Fabisak/JC Imagem
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O mercado de aluguéis em Pernambuco começa a sentir os reflexos do que seria uma pequena retomada da economia. Quem atua nesse setor diz que 2020 tem surpreendido com novos contratos de locação, sejam residenciais, sejam comerciais. Com esse aquecimento, já é possível pensar, inclusive, em reajustar os preços que estão congelados. O ano de 2019, por exemplo, terminou com uma alta de 7,54% do Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), usado como base de regulação dos preços dos aluguéis no País.

No último mês de janeiro, o IGP-M variou 0,48%, percentual inferior ao apurado em dezembro de 2019, quando a taxa foi de 2,09%. No entanto, a variação do mês de janeiro de 2019 foi de apenas 0,01%. Outro índice que comprova o aquecimento é o FipeZap de Locação Residencial. Por ele, o preço médio do aluguel residencial encerrou 2019 com alta de 4,93%, superando a inflação medida pelo IPCA/IBGE, de 4,31% – fato que não ocorria desde 2013.

Mercado aquecido abre espaço para reajuste

O mesmo índice FipeZap mostra que, entre as 11 capitais monitoradas em dezembro de 2019, Recife foi aquela que apresentou a maior elevação de preço (3,10%), seguida pelas altas registradas no preço médio em Florianópolis (1,21%) e Curitiba (1,11%). Segundo o vice-presidente do Sindicato da Habitação no Estado (Secovi-PE) e diretor da Âncora Imobiliária, Luciano Novaes, o ano de 2020 está sendo de muita expectativa para o setor.

Segundo ele, 20% dos imóveis de Pernambuco são para alugar. Desse total, em 2015, mais de 15% estavam desocupados. Hoje esse índice caiu para algo em torno dos 9%. No melhor momento desse mercado no Estado, por volta de 2013, apenas 6% dos imóveis alugáveis estavam desocupados.

"Quando a crise começou a apertar, entre 2015 e 2017, muitos inquilinos pediram para deixar os imóveis, para reduzir preços. Os proprietários tiveram que ter esse jogo de cintura. Aqueles que já cobravam baixo passaram a oferecer melhorias no imóvel como forma de segurar o inquilino", conta Novaes.

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O sentimento de melhora do setor está apoiado nas expectativas positivas geradas na macroeconomia após as reformas trabalhista e da Previdência, além daquelas que estão sendo discutidas, como a administrativa e a tributária. O crescimento dos índices de confiança da Indústria e do Comércio também geram um ambiente propício para o setor de aluguéis.

Luciano Novaes explica ainda que, com esse momento de aquecimento, é possível voltar a negociar os preços das locações. "Até meados de 2019 não aplicávamos os índices de reajuste. Desde o segundo semestre, os contratos que foram vencendo passaram a ter reajuste. Hoje, 60% dos contratos estão sendo atualizados. Em outros tempos, esse número não chegava nem a 10%", revela Luciano Novaes.

Cerca de 20% dos imóveis de Pernambuco são para alugar, aponta Secovi-PE

Quem se mostrou surpreso e otimista com o mercado de aluguéis foi o microempresário Fábio Vitor Ventura. Há quatro anos ele atua neste ramo e representa um único proprietário, que dispõe de cerca de mil imóveis para alugar, entre residenciais e comerciais. "Somente para esta quinzena de fevereiro, tenho mais de dez novos contratos de locação sendo fechados. Não esperava esse movimento", comenta Fábio Vitor.

Fábio Vitor admite que é preciso ter jogo de cintura para manter os inquilinos nos imóveis alugados

Para ele, conseguir se manter no mercado imobiliário demanda flexibilidade para não perder o cliente. "Quando as coisas apertam, as famílias procuram se mudar para casas menores e os comércios começam a atrasar. Todos sentem e nós temos que entender, negociar, esperar. Caso contrário, ele vai embora. Tem muito imóvel disponível", analisa Fábio Vitor.

A aposentada Vânia Correia, 53 anos, mora com o marido e as duas filhas na mesma casa, em Jardim Brasil, Olinda, há sete anos. Ela conta que quando entrou no imóvel pagava R$ 700 e todos os anos havia um aumento de R$ 100. Quando o valor do imóvel chegou a R$ 1 mil, pediu para que o valor fosse congelado. Em setembro, fará quatro anos sem reajuste.

O imóvel com sala, cozinha, três quartos, dois banheiros e garagem atende às necessidades da família. Porém, Vânia diz que pensa em se mudar para um imóvel mais barato. "Essa casa fica perto da avenida principal, o que é mais seguro para mim e minhas filhas, que andamos de ônibus. Mas eu acho que hoje ela não vale o que pago. Digo isso baseada nas outras casas alugadas aqui no bairro", observa Vânia, que já disse não estar disposta a pagar mais em caso de reajuste.

Interferência do dólar no aluguel

O IGP-M, que regula os aluguéis, também é influenciado pela alta do dólar. A formação do indicador leva em consideração uma média ponderada de outros índices: IPA-M, IPC-M, INCC-M. Todos esses índices estão relacionados ao consumo da população em setores como alimentação, artigos de casa, construção civil e comércio. Logo, quando o dólar dispara, os produtos ficam mais caros e, por consequência, puxam o IGP-M para cima.

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