ENERGIA

Sistemas de baterias podem deixar energias renováveis com mais estabilidade

Segundo especialistas, os sistemas de baterias avançadas vão fazer com que menos térmicas sejam acionadas para "compensar" a intermitência da geração eólica e solar

Foto: Felipe Jordão/Jornal do Commercio.
Segundo especialistas, os sistemas de baterias avançadas vão fazer com que menos térmicas sejam acionadas para "compensar" a intermitência da geração eólica e solar - FOTO: Foto: Felipe Jordão/Jornal do Commercio.
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O armazenamento de energia é um dos grandes desafios no próspero crescimento das energias renováveis – liderado pelos parques eólicos e solares – que ocorre não só no Brasil, mas em grande parte do mundo. Ambas as fontes são intermitentes e vão precisar de uma energia de base que produza ininterruptamente para “compensar” quando ambas reduzem a produção por falta de matéria-prima (os ventos e a radiação solar). As baterias estão sendo apontadas como uma grande solução nesse cenário. E isso está mais próximo do que se imagina. No Agreste pernambucano, na cidade de Belo Jardim, podem ser “encomendadas” baterias modulares capazes de armazenar até 150 megawatts (MW) de energia, o que era impensável há uma década. Sem contar as experiências com baterias que permitem aos sistemas isolados, como o da ilha de Fernando de Noronha, usarem por mais tempo a energia gerada pelo sol.

“O futuro já chegou. Temos várias baterias avançadas que podem ser acopladas com parques eólicos, fotovoltaicos ou até substituir os geradores a diesel”, explica o diretor Geral Comercial de Baterias Industriais e Armazenamento de Energia do Grupo Moura, Luiz Mello. A solução encontrada pela empresa é conhecida como Sistema de Armazenamento de Energia em Baterias (BESS, na sigla em inglês). O BESS é um conjunto de baterias coordenado por um software que faz o controle do funcionamento de todo o sistema.

Os sistemas de baterias avançadas podem fazer com que as fontes renováveis tenham mais estabilidade sem precisar queimar óleo, segundo Mello. Atualmente, há um aumento da produção de energia gerada pelas térmicas, quando as eólicas – que já correspondem a mais de 9% de toda a capacidade instalada de geração do País – diminuem a “fabricação” de energia por falta dos ventos. Muitas dessas térmicas queimam o diesel, o que é poluente e aumenta as emissões de carbono.

“Há toda uma eletrônica embarcada neles que entende qual a carga a ser demandada e como a bateria vai fazer para complementar essa carga (o total a ser produzido)”, explica o diretor executivo do Instituto de Tecnologia Edson Mororó Moura (ITEMM), Spartacus Pedrosa. Por enquanto, os clientes que procuram essa solução querem substituir o gerador a diesel, usado no horário de pico, das 17h às 20h, quando a energia é mais cara. Pelos cálculos da empresa, o sistema de baterias pode reduzir de 50% até 100% os custos com o consumo desse horário.

E somente essa substituição apresenta um grande potencial de mercado. O Brasil tem uma capacidade instalada superior a 8 mil megawatts (MW) de geradores a diesel que podem ser substituídos. “Há uma estimativa de que esse tipo de bateria represente de 15% a 20% do nosso negócio em cinco anos. É uma velocidade quase exponencial”, conta Mello. A empresa usa duas tecnologias: a de íon de lítio e a de chumbo-carbono. A Moura produz cerca de 10 milhões de baterias anualmente destinadas, principalmente, a veículos e telecomunicações.

Mas por que as baterias estão sendo apontadas como uma das soluções para as renováveis? “O armazenamento representa uma oportunidade, economia e ganho de autonomia, principalmente quando realizado com um sistema de geração fotovoltaico”, resume o diretor sócio da Tayo Energia e coordenador do grupo de Armazenamento de Energia da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Markus Vlasits.

DIMINUINDO

O preço da energia armazenada em bateria por quilowatt-hora (kWh) está diminuindo desde 2014 e há uma tendência que continue caindo. “Hoje, o sistema de armazenamento inteiro sai por US$ 300 a US$ 500 por kWh”, diz Markus. E acrescenta: “É necessário ter um marco regulatório para as baterias, porque hoje não há regras claras. Também é importante a implantação de normas técnicas estabelecendo padrões mínimos de segurança”, conta.

As experiências com baterias estão dando certo. Um dos projetos de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) implantou um sistema de dois módulos de baterias em íons de lítio em Fernando de Noronha. Depois disso, a geração solar vai responder por 18% do consumo. Antes, era 10%. Nenhum porta-voz da Celpe concedeu entrevista, pois a empresa está num período de silêncio, imposto pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) vai usar baterias e uma geração solar para dar mais confiabilidade ao sistema elétrico na subestação de Messias, em Alagoas. Ela vai receber uma geração solar com potência de 400 kW e outro de armazenamento em baterias de 200 kW. “Isso vai deixar a subestação mais autônoma, porque vai continuar tendo energia, independente do que está chegando”, resume o gerente de assessoria de PD & I da Chesf, José Bione. A iniciativa pode evitar apagões. E as placas fotovoltaicas serão instaladas neste segundo semestre.

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