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Castilho: Falta de ação federal para conter óleo é retrato do que representa o Nordeste para o governo

''Os estados nordestinos terão que bancar sozinhos custos e danos ambientais, além das perdas de negócios no turismo''. Leia a opinião de Fernando Castilho

Fernando Castilho, da coluna JC Negócios
Fernando Castilho, da coluna JC Negócios
Publicado em 19/10/2019 às 16:44
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''Os estados nordestinos terão que bancar sozinhos custos e danos ambientais, além das perdas de negócios no turismo''. Leia a opinião de Fernando Castilho - FOTO: Foto: Bruno Campos/JC Imagem
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Fernando Castilho*

O tratamento que o governo federal vem dando à questão das manchas de óleo na costa nordestina dá a dimensão do que representa o Nordeste para a União. Não há uma ação coordenada de contenção dos danos, muito menos posicionamento claro de enfrentamento da questão que se reflita na ajuda efetiva às prefeituras e aos governos estaduais para mitigação dos danos.

Prefeituras e comunidades têm se organizado para recolher o material, alguns órgãos do governo federal tentam atuar a despeito da falta de recursos e há ações da Marinha, enquanto o Ministério do Meio Ambiente demonstra mais preocupação em politizar a questão do que disponibilizar recursos. Ah, alguém lembrou de pagar o seguro-defeso aos pescadores tentando reduzir a questão a problema de perda de renda no mar.

O estrago está feito. Os estados nordestinos terão que bancar sozinhos custos e danos ambientais, além das perdas de negócios no turismo. Talvez, com a judicialização provocada pelo Ministério Público Federal, alguém, em Brasília, atente para o desastre de classe mundial. E provoque algum posicionamento das dezenas entidades de defesa do meio ambiente nacionais e internacionais que mantêm, até agora, um ensurdecedor silêncio. Isso, há dois meses.

Fernando Castilho é titular da coluna JC Negócios*

O que se sabe sobre o óleo

Maracaípe também tem óleo

As manchas de óleo que vêm aparecendo no litoral do Nordeste desde o final de agosto chegaram neste sábado (19) na Praia de Maracaípe, localizada no município de Ipojuca, Litoral Sul de Pernambuco. Cerca de 4 toneladas de material foram retiradas das praias de Maracaípe e Cupe.

Segundo o comerciante Juvenal dos Santos, que é morador da região, a chegada do óleo afetará a vida marinha. "Aqui é uma desova de tartarugas e essas desovas serão afetadas com isso. Os corais, os peixes, cavalos-marinhos também serão afetados", contou. Além disso, o morador disse que o comércio da região também está sendo atingido. "A minha esposa tem um bar aqui e o movimento caiu bastante. Os clientes não vêm para a praia. Se não fizermos a limpeza rapidamente, eles não chegarão até aqui", completou.

Fernando de Noronha está sob monitoramento

Patrimônio Natural da Humanidade declarado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, e um dos destinos mais procurados, a ilha de Fernando de Noronha está sendo monitorada em meio ao desastre das manchas de óleo no Nordeste. A assessoria de imprensa Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco (Semas) informou, na noite desta sexta-feira (18), que não há, até o momento, sinais da substância nas praias do arquipélago. No entanto, já foi providenciado o envio do material necessário para que seja feita a instalação de barreira de contenção.

Manchas avançam e chegam à praia dos Carneiros

As manchas que já tinha atingido São José avançaram até a Praia dos Carneiros, também no Litoral Sul, na manhã desta sexta-feira (18). De acordo com moradores, a presença do óleo pôde ser observada a partir das 5h. O derramamento de óleo já havia sido registrado na região através de vestígios, mas reapareceu de forma mais intensa nesta manhã. Centenas de voluntários ajudaram na limpeza de toda a orla. Alguns restaurantes fecharam suas portas para empenharem todos os esforços à limpeza da praia.

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