Comércio bilateral

Entenda o que o coronavírus tem a ver com a economia brasileira

China é o maior parceiro do País no comércio internacional e na atração de investimentos

Adriana Guarda ADRIANA GUARDA
Adriana Guarda
ADRIANA GUARDA
Publicado em 28/01/2020 às 20:55
Foto: Cortesia/Lide China
China é o maior parceiro do País no comércio internacional e na atração de investimentos - FOTO: Foto: Cortesia/Lide China
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Em Xangai - capital financeira da China - o cenário é de desolação. Com mais de 24 milhões de habitantes, a maior cidade do País está irreconhecível nos últimos dias: ruas desertas, escritórios fechados, indústrias sem produção. Um silêncio ouvido nos cinco continentes do planeta. Recolhidos em suas casas, os chineses tentam evitar a contaminação pelo coronavírus, que já matou 106 pessoas e contaminou 4.583 (até 28/01). A desaceleração da segunda economia do mundo terá impactos globais e acertar em cheio o Brasil, que tem na China o seu principal parceiro comercial.

Por enquanto é difícil calcular o impacto da doença na economia chinesa e os rebatimentos no Brasil, mas alguns reflexos serão imediatos. O surto do coronavírus, que surgiu na cidade de Wuhan, reduz o consumo, enfraquece o turismo e congela a produção da indústria. “O Ano Novo Chinês começa no dia 24 (de janeiro) e costuma durar uma semana. Algumas empresas estabelecem dias diferentes para a folga comemorativa, mas por conta da doença o governo está ampliando essa folga em dez dias”, diz o CEO do Lide China, José Ricardo dos Santos Luz Júnior. Em Xangai, o governo determinou que as empresas não retomem suas atividades antes do dia 10 de fevereiro.

“A China é o principal parceiro comercial do Brasil, maior até do que os Estados Unidos. Imagina o que é um empresário brasileiro estar com pedidos e ordens de compras em fábricas chinesas e ter que esperar a produção parada por vários dias, sabendo que tem clientes aguardando por esses produtos. O mesmo vale para quem está tentando vender para o país e vai enfrentar dificuldades porque os escritórios e centros de negociação também estão parados”, observa o executivo do Lide China.
Na avaliação do professor dos MBAs da FGV, Mauro Rochlin, para além das medidas sanitárias, a maior preocupação é econômica.

O impacto para o Brasil não será desprezível. O País é um importante exportador de commodities para os chineses e com a diminuição do consumo a tendência é de que os preços caiam. Isso vai significar um efeito de preço e quantidade, com redução dos volumes exportados. Basta citar o exemplo da soja, com o Brasil aparecendo como o segundo maior produtor do mundo e tendo os chineses como principais compradores.

NEGÓCIOS COM A CHINA

Dos US$ 18,1 bilhões exportados pelo Brasil no ano passado, US$ 5,3 bilhões tiveram a China como destino. Além disso, o Brasil importou US$ 2,6 bilhões em produtos chineses. Além do comércio bilateral, os chineses também ocupam o primeiro lugar no ranking dos investimentos diretos no Brasil. No terceiro trimestre de 2019 o valor foi de US$ 1,8 bilhões.
Este ano a China previa crescer nos patamares do chamado ciclo novo normal, em que a economia passou a avançar um dígito, diferente do que acontecia até 2010, com taxas acima de 10%. “A previsão para este ano era de 6,1%, mas já se fala em perda de dois pontos percentuais, como consequência do coronavírus”, diz José Ricardo, que morou cinco anos na China e se dedicou a conhecer profundamente o país para fazer negócios.

Além das perdas com a desaceleração da atividade econômica, o governo chinês também terá gastos com saúde e assistência. Estudo do Fórum Econômico Mundial sobre os impactos das epidemias e pandemias pelo globo mostra que o impacto do vírus Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave), que acometeu a China entre 2002 e 2003 foi de US$ 40 bilhões, o Ebola na África demandou US$ 53 bilhões, o Mers (Síndrome Respiratória do Oriente Médio) na Arábia Saudita custou US$ 8,5 bilhões.

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