Cidades brasileiras

Quem leva a melhor na guerra por patrocínio das cervejarias no Carnaval?

São Paulo e Belo Horizonte estão na lista de cidades que disputam espaço com as festas tradicionais de Recife e Olinda

Adriana Guarda
Adriana Guarda
Publicado em 28/01/2020 às 12:07
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Foto: Diego Nigro/Acervo JC Imagem
São Paulo e Belo Horizonte estão na lista de cidades que disputam espaço com as festas tradicionais de Recife e Olinda - FOTO: Foto: Diego Nigro/Acervo JC Imagem
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O crescimento do Carnaval de rua em várias cidades brasileiras acirrou a disputa por patrocínio, sobretudo das cervejarias, principais financiadoras da festa. As prefeituras municipais lançam editais cada vez mais cedo, tentam garantir quotas bianuais e capricham nos argumentos para “vender” sua folia como a melhor. Nessa guerra por recursos, em tempos de dinâmica econômica ainda morna, vêm levando a melhor as cidades que oferecem maior potencial de consumo e exposição das marcas. São Paulo, que tomou gosto pelo Carnaval de rua com mais força a partir de 2016, a cada ano abocanha um valor maior. Se em 2016 o patrocínio ficou em R$ 3,5 milhões e a prefeitura precisou completar tirando R$ 7 milhões dos cofres; este ano o valor ficou em R$ 21,9 milhões.

Em Pernambuco, Olinda vem sentindo o reflexo dessa disputa. No ano passado, a prefeitura lançou um edital, definindo o valor de R$ 12,4 milhões para dois anos (2019 e 2020), mas não houve interesse na proposta. Pela licitação, 98% do valor da proposta vencedora seria destinado às despesas com os Ciclos Carnavalescos e os 2% restantes para o Fundo Municipal de Preservação do Sítio Histórico. “O ano passado foi muito difícil pra nós. Só no apagar das luzes, às vésperas de começar a festa foi que conseguimos R$ 1,5 milhão de patrocínio da Ambev. Eles alegaram que o cenário era conturbado por conta da transição do governo (Federal). Chegamos a baixar o valor mínimo da licitação de R$ 6,2 milhões para R$ 4,5 milhões, mas não teve jeito”, lamenta o secretário de Patrimônio, Cultura, Turismo e Desenvolvimento Econômico de Olinda, João Luiz da Silva Júnior.

Para este ano, o secretário diz que a Ambev manteve o valor do patrocínio de 2019 e que também já conseguiu captar recursos com a Pitú e o Governo de Pernambuco e entregou outras propostas. O orçamento para realizar o Carnaval da Cidade Patrimônio fica entre R$ 8 milhões e R$ 9 milhões. Além de ser um dos berços do Carnaval do Estado, João Luiz aponta os dados da festa. Segundo ele, a cidade recebe 3,4 milhões de visitantes e movimenta R$ 280 milhões na economia. “Em 2019 recebemos visitantes de 84 países e de todos os Estados da Federação. Acredito que na disputa por patrocínio alguém sai prejudicado, mas é preciso valorizar as raízes, a tradição, o que oferecemos como diferencial”, defende.

Recife, que é conhecido por seu Carnaval múltiplo, reunindo diversas manifestações culturais, vem conseguindo manter o valor anual de patrocínio com correção da inflação. Na capital pernambucana, a Ambev patrocina os ciclos festivos, que além do Carnaval inclui São João, Réveillon e outras. “Recebemos R$ 12 milhões para esse Ciclo e mais da metade é usado no Carnaval. Este ano adotamos a licitação bianual, que vale para 2021 também. Sempre convivemos com a concorrência do Carnaval de outras cidades, a exemplo de Salvador, mas Recife tem muitos diferenciais. Nossa festa é popular, democrática, conhecida no mundo inteiro. A rede hoteleira chega a comemorar entre 99% e 100% de ocupação nessa época. Não temos dúvida de que nossa festa é um excelente espaço para as empresas ativarem suas marcas”, enfatiza a secretária de Turismo, Esportes e Lazer do Recife, Ana Paula Vilaça. Balanço da Secretaria de Turismo e Lazer de Pernambuco para o Carnaval 2019 aponta que a folia movimentou R$ 1,98 bilhão na economia e atraiu 1,8 milhão de visitantes, responsáveis por um gasto médio de R$ 282,80 por dia.

CARNAVAL DE RUA

A maior cidade do País aposta no gigantismo do Carnaval de rua, que este ano teve recorde de blocos e cordões inscritos. No total serão 865 blocos inscritos para realizar 960 desfiles em São Paulo, que tem atraído a atenção das cervejarias e conquistado parte do patrocínio antes destinado a outras praças. A prefeitura também conseguiu engordar o orçamento deste ano. Em 2019, o valor mínimo do edital era de R$ 20 milhões, mas precisou ser alterado para R$ 15 milhões para fechar contrato, com a Ambev oferecendo R$ 16,1 milhões. Para este ano, o edital foi de R$ 20 milhões e a cervejaria fechou em R$ 21,9 milhões.

Outra cidade com grande potencial de consumo e que vem disputando espaço no Carnaval de rua é Belo Horizonte. O presidente da Belotur - Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte, Gilberto Castro, diz que a festa começou a ganhar força em 2016, mas que despontou a partir 2017/2018. “A festa em BH tem um perfil bastante diurno e de destaca por algumas características principais: gente que quer fazer um Carnaval genuíno, trabalho integrado de mais de 30 órgãos, segurança para brincar e barato para o nível da infraestrutura turística/hoteleira”, enumera.

Castro comenta que o patrocínio captado para festa deste ano foi de R$ 14,5 milhões; sendo a maior parte da AmBev (com a marca Skol) e do iFood. Segundo a Belotur, o Carnaval de Belo Horizonte cresce a uma média de 15% a 20% ao ano. O número de turistas ainda é pequeno (210 mil), mas com potencial de aumento. Este ano a festa terá 450 blocos de rua e 520 desfiles previstos.

No Rio de Janeiro, a licitação para captar patrocínio acontece cinco meses após o Carnaval, mas a prefeitura não informou o valor. “Esperamos 1,9 milhão de turistas e temos uma expectativa de movimentação econômica chegando aos R$ 4 bilhões. Por aqui, tudo está caminhando conforme nosso planejamento, que começou imediatamente após o último carnaval”, afirma Marcelo Alves, presidente da Riotur (responsável pela organização da festa). Ao longo do período momesco serão realizados 543 desfiles de rua.

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