VASO SANITÁRIO

Tragédia do Arruda: Três anos e um imenso vazio

A família de Paulo Ricardo ainda não recebeu nenhuma ajuda nem indenização

Leonardo Vasconcelos
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Leonardo Vasconcelos
Publicado em 30/04/2017 às 8:17
Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem
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Três anos e um vazio. Aliás um não, vários. O do filho que não voltou pra casa. O das promessas de mudanças que não resultaram em nada. O da indenização determinada pela Justiça que ainda não foi paga. Por tudo isso, José Paulo Gomes, pai de Paulo Ricardo Gomes, brutalmente assassinado com um vaso sanitário lançado do Arruda, se considera deste então uma pessoa oca. Diz que não vive. Apenas existe. Com uma ferida aberta na noite do dia dois de maio de 2014 e que nunca vai sarar. Cicatriz da violência das torcidas organizadas que até hoje seguem marcando com sangue outras vítimas. O Santa Cruz não se acha culpado

Na próxima terça-feira se completa três anos do crime que chocou e repercutiu em todo o mundo. A notícia da tragédia um mês antes da Copa do Mundo (Recife foi uma das sedes da competição) foi destaque no espanhol Marca, no inglês Mirror, no alemão Bild e no italiano La Gazzetta dello Sport entre vários outros veículos de comunicação. Diante da proporção do ocorrido, autoridades como a então presidente Dilma Rousseff e dirigentes da CBF e FPF lamentaram e prometeram diversas medidas para coibir a violência no futebol. Na época, o Santa Cruz se comprometeu a dar toda a assistência à família de Paulo Ricardo.

“Tudo conversa! Todo mundo só fez falar. Nesses três anos, ninguém fez absolutamente nada. Até hoje eu nunca vi ninguém do Santa Cruz na minha frente, nem mesmo uma ligação eles deram pra gente esse tempo todo”, revelou José Paulo, no carro do JC, a caminho de um local pelo qual ele ainda não havia passado desde a morte do filho.

Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem
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Foto: André Neri/JC Imagem
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Foto: Guga Matos/JC Imagem
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Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem
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Foto: Bobby FabisakJC Imagem
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O destino era o estádio do Arruda. O local da tragédia. O local proibido, segundo ele relatou. “Pra mim era proibido mesmo. A palavra é essa. Eu fazia de tudo pra não passar perto, pra nem ver o estádio. Fazia arrodeio, mudava trajeto. Lembro que uma vez eu errei o caminho e ia sair do lado do estádio. Foi me dando um negócio ruim, ia passando mal”, contou José Paulo, quando estava se aproximando do campo do Santa Cruz. O JC fez o convite e ele justificou porque aceitou. “Eu criei coragem porque eu senti que tinha que voltar lá. Para lutar pelo meu filho. Para cobrar justiça”, disse.

No exato ponto da queda do vaso sanitário, quase na esquina da Rua das Moças com a Petronila Botelho, o carro parou. Depois de um breve silêncio, José Paulo desceu. Junto com suas lembranças. Foram elas que o fizeram engolir seco ao caminhar pelo local. Falou bastante para colocar “tudo pra fora”. Raiva. Mágoa. Revolta. Segurou as lágrimas o quanto pôde. Mas ao mostrar a foto de Paulo Ricardo com dois anos não se conteve. “Perdi meu filho aqui! Nunca mais vou ver ele, nunca mais!”, lamentou, aos prantos.

Quando se restabeleceu lembrou da condenação dos três torcedores do Santa Cruz pelo assassinato para cobrar uma outra responsabilização. “Eu estava lá, acompanhei todo o julgamento, vi os assassinos sendo punidos e agora quero ver quem foi conivente com a ação deles ser punido também. Aqueles monstros se sentiram à vontade para arrancar os vasos sanitários, carregar vários metros, jogar lá de cima e sair do estádio tranquilamente. O Santa Cruz também precisa pagar”, reclamou.

INDENIZAÇÃO

A cobrança de José Paulo tem a ver com o julgamento da 32ª Vara Cível da Capital que, em julho de 2015, decidiu que Santa Cruz e a CBF paguem uma indenização de R$ 500 mil à família de Paulo Ricardo. A decisão do juiz José Júnior Florentino dos Santos levou em conta os danos morais. Além disso, ele também ordenou que seja pago uma pensão no valor de R$ 438,62 até o ano em que Paulo Ricardo completaria 65 anos. O processo foi julgado em primeira instância e atualmente se encontra aguardando o julgamento do recurso de apelação. “Meu filho veio para um jogo, saiu como um cadáver e até hoje não recebemos um centavo do clube”, esbravejou ao sair do local que tanto evitou.

 

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