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Fair Play de equipe de futsal de colégio do Recife é lição no esporte e para vida

Após deixar adversário fazer um gol em nome do jogo limpo, equipe de futsal sub-13 do São Luís ganha vaga na final de torneio

Gabriela Máxima
Gabriela Máxima
Publicado em 05/12/2019 às 12:09
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Léo Mota/ JC Imagem
Após deixar adversário fazer um gol em nome do jogo limpo, equipe de futsal sub-13 do São Luís ganha vaga na final de torneio - FOTO: Léo Mota/ JC Imagem
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Por Luana Ponsoni e Filipe Farias 

Por mais que a Fifa incentive o fair play (jogo limpo)no esporte, o tema divide opiniões e nem sempre é utilizado da melhor maneira, principalmente nos jogos mais acirrados. Porém, um caso ocorrido no futsal escolar de Pernambuco deveria servir de inspiração para todos (ou de reflexão), sobretudo para o futebol profissional. E a saga ainda terminou com uma forcinha do destino.

Na última terça-feira, o time de futsal sub-13 do Colégio Marista São Luís deixou o Colégio Equipe chegar ao empate no primeiro jogo da semifinal da Liga das Escolas Particulares do Recife, depois de ter um gol irregular validado pelo juiz. A partida acabou com vitória do adversário por 2x1. No duelo da volta, ontem, na quadra do São Luís, o time da casa conseguiu vencer por 1x0, com um gol marcado no final do segundo tempo e que forçou uma prorrogação. A igualdade permaneceu no tempo extra e o São Luís obteve a classificação para a final por ter feito uma melhor campanha. O adversário será o Visão.

 

A festa foi grande pela conquista da classificação, ainda mais pela grande lição de honestidade e justiça da equipe comandada pelo técnico Gileno Siqueira, de 36 anos. “Foi apenas o espírito de justiça de a gente fazer o que sempre fez. Buscamos ensinar mais do que jogar bola, porque jogar eles já sabem. Buscamos ensinar jogar de forma limpa, respeitosa. Você nao vê nossos jogadores brigando com o árbitro. Fez falta, pede desculpa. Precisamos disso”, afirmou Gileno após o jogo de ontem.

JOGO DO FAIR PLAY

A partida da última terça-feira seguia muito disputada, sem que nenhum dos times conseguisse inaugurar o placar. Na reta final da partida, porém, um atleta do São Luís chutou forte da intermediária e a bola caiu dentro do gol. Só que a rede estava furada, gerando muitas dúvidas sobre o lance.

Depois que o juiz validou o tento, um princípio de confusão se instalou e um dos jogadores do Equipe questionou a atitude do árbitro, recebendo cartão amarelo. Diante de toda a situação, o técnico Gileno Siqueira chamou o autor do gol e perguntou se a bola realmente tinha entrado por fora. Com a resposta positiva do atleta, o treinador orientou que todos ficassem imóveis quando o jogo recomeçasse para o Equipe empatar a partida. “O meu enteado, que é o meu filho do coração, joga no time. Ele não escutou quando dei a orientação e até acabou partindo para disputar a bola. Tive que gritar para ele parar”, relatou.

Apesar de a atitude gerar consternação inicial em alguns pais e pessoas que estavam na torcida, esse sentimento logo foi substituído por admiração. “Eu prego muito para os meninos que eles precisam disputar e batalhar muito por tudo, mas do jeito certo. Não a qualquer custo. Quando eu tive a certeza que a bola não entrou, era o correto a se fazer”, contou Gileno.

O treinador relatou ainda que essa não foi a primeira vez que ele e sua equipe optaram por seguir o que é certo dentro das quatro linhas. “Já aconteceu, em outros jogos, de o adversário chutar, a bola bater na trave e o juiz não dar o gol e eu ir lá e falar. Mas, desta vez, o árbitro não quis ouvir. E foi algo muito claro para todo mundo. Então, tive que ter uma postura maior. Pense como eu fui aplaudido (risos). Passei o dia hoje (ontem) recebendo mensagens. É algo muito estranho para a sociedade da gente. Mas sempre digo aos meninos: só podemos ter o que é nosso”, observou.

O curioso é que, apesar da pouca idade, todos os jogadores do Marista São Luís entenderam o porquê da orientação do treinador. “Eles não fizeram nenhum comentário, nenhuma reclamação. Esse poder de comandar bem esses meninos tenho há um tempo. Eles sabem que tudo que eu faço é para o bem deles. Ensino-os a serem competitivos, a terem espírito de disputa, mas de maneira justa. É o que mais importa”, concluiu.

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