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Arnaldo Barros questiona rejeição de balanço e responsabiliza Bivar por bloqueio no Sport

"O elefante pariu uma formiga. De R$ 200 milhões, caiu para R$ 9 milhões", ironiza o ex-presidente

Diego Borges
Diego Borges
Publicado em 24/04/2019 às 12:10
Foto: André Nery/Acervo JC Imagem
"O elefante pariu uma formiga. De R$ 200 milhões, caiu para R$ 9 milhões", ironiza o ex-presidente - FOTO: Foto: André Nery/Acervo JC Imagem
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A crise financeira do Sport segue alimentando o embate político entre a gestão passada, capitaneada por Arnaldo Barros, e a atual, presidida pelo executivo Milton Bivar. Nesta última terça-feira (23), o balanço (demonstração do resultado do exercício - DRE) apresentado pelo último grupo foi rejeitado em reunião do Conselho Deliberativo do clube, que instaurou um inquérito administrativo para investigar mais a fundo.

Fato que foi visto como surpreendente pelo ex-presidente Arnaldo Barros, em entrevista concedida ao comentarista Ralph de Carvalho, da Rádio Jornal. De acordo com o ex-mandatário leonino, os números apresentados são respaldados e não há indícios de erros ou atos ilícitos em sua administração.

"Não assisti e não participei da reunião do Conselho. As contas foram apresentadas e auditadas por uma contabilidade independente, sem interferência da minha gestão, pela BDO, uma das melhores do mundo em auditar clubes de futebol. Não houve nenhuma mácula ou ilicitude nos números", declara.

Para Arnaldo Barros, a rejeição pelo conselho Deliberativo pode ser interpretada como ato político. "Atenda ou não aos interesses dessa gestão, o balanço teria que ser aprovado. Se não há ilicitude, ou irregularidade que se possa impugnar, tem que se aprovar."

"O ELEFANTE PARIU UMA FORMIGA"

Uma das maiores queixas das lideranças políticas e da torcida rubro-negra sobre a gestão de Arnaldo Barros recai sobre o valor do déficit financeiro do clube, orçado no total em torno de R$ 193 milhões, apresentados em fevereiro deste ano, também no Conselho. Situação que o ex-presidente justifica.

"No ano passado, apresentamos as contas de 2017 e já constava um passivo de R$ 183 milhões. Pacientemente expliquei que se devia a lançamentos tributários que não eram feitos anteriormente e foram feios na nossa gestão. Desde a gestão de (Humberto) Martorelli fomos acusados de criar passivos, mas nós já pagamos cerca de R$ 26 milhões. Fiz um relatório explicando tudo e disponibilizei no site do clube, mas depois foi retirado pela gestão. Explicava esses números de passivo tributário."

E ironiza, ao fazer referência ao crescimento do déficit em cerca de R$ 9,8 milhões desde o início ao final de sua gestão. "Os números apresentados ontem apontam uma diferença de passivo de R$ 9 milhões, acrescidos na minha gestão, o que é uma coisa normal no Sport, porque todos os presidentes que passaram deixaram passivos. O elefante pariu uma formiga. De R$ 200 milhões, caiu para R$ 9 milhões."

Arnaldo Barros ainda se diz calmo em relação às investigações instauradas. "Estou em casa absolutamente tranquilo, porque até agora não encontraram e não vão encontrar nada de ilícito. A contabilidade e os livros estão abertos para a gestão desde dezembro do ano passado. Até hoje eles não conseguiram apontar nenhum ato de ilicitude", afirma.

-> Conselho do Sport investigará indícios de apropriação indébita da gestão Arnaldo Barros

BLOQUEIO DAS RECEITAS DE 2019

Outro ponto debatido durante a entrevista diz respeito ao bloqueio de receitas, imposto pela Justiça Trabalhista ao Sport desde a última segunda-feira (22). "Estão atribuindo à minha gestão, mas nós sempre tivemos um bom relacionamento com o titular da 12ª Vara, dr Hugo (Cavalcanti). Nós negociamos os passivos trabalhistas dos clubes, para que fosse debitado apenas 20% das receitas. Nós sempre administramos isso, chegando ao ponto de depositar até mais do que deveria em determinadas situações, com autorização do próprio titular."

Na visão do ex-presidente rubro-negro, a responsabilidade pelo bloqueio recai sobre a atual gestão, de Milton Bivar. "No ano passado, por dificuldades, não pagamos por um bom tempo. Denunciamos na Vara que tínhamos um valor a receber do jogador André. Solicitamos que esse valor fosse bloqueado perante o Grêmio, como garantia: 'O senhor retém 20%, e nos libera o restante'. Dr. Hugo concordou e isso está documentado. A atual gestão levantou a segunda parcela e bastava ter dado continuidade a esse recebimento"

Arnaldo Barros ainda aponta outros problemas que contribuem para o aumento do passivo trabalhista do Sport, que julga como provenientes da gestão de Milton. "Jogadores e funcionários foram demitidos e não tiveram as suas rescisões quitadas. Recorreram à Justiça e o Sport não deu continuidade ao recolhimento de 20%, e nem dos R$ 160 mil que eram uma alternativa que construímos anteriormente. Por conta disso, a Vara não teve alternativa e bloqueou os recursos para fazer jus."

Apesar dos problemas, Arnaldo se mostra confiante na resolução pelo clube. "O Sport tem advogados competentes. Eu tenho certeza que conseguirão contornar."

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