Para o presidente em exercício Hamilton Mourão, as investigações que envolvem o senador eleito Flávio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, não irão influenciar negativamente o governo. Segundo ele, esse assunto é uma questão de "pai para filho". Mourão assumiu o Planalto devido à viagem do presidente para representar o País no Fórum Econômico de Davos, na Suíça.
"(O caso) Pode preocupar o presidente como pai em relação ao filho. Todos nós nos preocupamos com os nossos filhos. Acho que talvez isso aí, apesar de ele não ter me dito nada a respeito", afirmou.
As investigações contra Flávio ganharam um novo capítulo na última semana, quando o senador eleito conseguiu uma liminar no STF (Supremo Tribunal Federal) para paralisar as investigações que corriam na Justiça do Rio. Embora inicialmente ele dissesse que não era alvo da apuração, o pedido expôs seu envolvimento.
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Um novo relatório, divulgado na sexta (18) pelo Jornal Nacional, da TV Globo, apontou movimentações consideradas suspeitas também na conta de Flávio. Ele recebeu em sua conta bancária 48 depósitos em dinheiro no valor total de R$ 96 mil, depositados apenas em cinco dias. Eles foram feitos no autoatendimento da agência bancária que fica dentro da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) sempre no valor de R$ 2.000.
O Ministério Público do Rio de Janeiro apura casos de outros parlamentares da Alerj, onde Flavio trabalhava como deputado estadual, cujo mandato expira em fevereiro. A suspeita dos investigadores é de que os depósitos possam ser devoluções de parte dos salários de funcionários. Prática ilegal e conhecida pelo termo de "rachadinha".
SENADOR NEGA
O senador eleito nega as acusações e diz que os depósitos são referentes ao pagamento pela venda de um imóvel na zona sul do Rio de Janeiro. Nesta segunda-feira, o ex-atleta Fábio Guerra confirmou que pagou uma quantia de aproximadamente R$ 100 mil em espécie para Flávio. O valor seria referente à quitação do imóvel.