Julgamento

Ex-chefe do FMI diz que promotoria exagera sobre sua 'brutalidade sexual'

Esse é o segundo processo ao DSK responde, depois de escapar das garras da justiça americana, após o escândalo do hotel Sofitel de Nova York

Da AFP
Da AFP
Publicado em 11/02/2015 às 17:05
Foto: Philippe Huguen / AFP
Esse é o segundo processo ao DSK responde, depois de escapar das garras da justiça americana, após o escândalo do hotel Sofitel de Nova York - FOTO: Foto: Philippe Huguen / AFP
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O ex-diretor do FMI, Dominique Strauss-Kahn, elevou o tom de voz nesta quarta-feira, no segundo dia de sua presença no tribunal francês que o julga por contratar favores sexuais, questionou a lógica das provas apresentadas pela promotoria.

"Absurdo! Falsa lógica! Começo a me cansar disso tudo", afirmou DSK, olhando para o advogado de acusação.

Em mais uma audiência do processo iniciado em 2 de fevereiro e que durará três semanas, foi assinalada a "brutalidade" de DSK em suas relações sexuais, segundo a descrição feita por várias participantes nas festas organizadas por seu círculo de amigos. 

Tal atitude só poderia ser explicada se ele soubesse que as mulheres são prostitutas, segundo a estratégia da acusação.

"Devo ter uma sexualidade que é mais rude que a média dos homens", admitiu. "Que certas mulheres não gostem disso, é seu direito, sejam prostitutas ou não".

Jade, ex-prostituta que abriu a ação contra Strauss-Kahn, começou a chorar quando pediram que explicasse o que aconteceu no quarto de hotel de DSK em Bruxelas depois de uma festa em um clube de suingue, em 2009.

"Cada vez que vejo sua foto, revivo essa angústia que me arrasa por dentro porque nenhum cliente jamais havia feito isso comigo", declarou.

Strauss-Kahn voltou a negar que soubesse que ela ou as outras mulheres da festa fossem prostitutas.

No processo, já uma foto de DSK e Jade tirada no gabinete do então presidente do FMI. Ele afirmou que se soubesse que ela era uma prostituta, jamais permitiria que essa foto fosse tirada.

O juiz perguntou a Jade por que aceitou acompanhar DSK a Washington em 2010.

"Por 2.000 euros, eu não ia dizer não. Fiz turismo, queria conhecer Washington", declarou, acrescentando que os amigos de DSK pediram que ela se passasse por sua secretária.

Esse é o segundo processo ao DSK responde, depois de escapar das garras da justiça americana, após o escândalo do hotel Sofitel de Nova York, que havia destruído sua carreira cinco meses antes, quando uma camareira o acusou de estupro.

O caso terminou no final de 2012 com um acordo financeiro confidencial entre o ex-chefe do FMI e sua vítima.

Agora  DSK pode ser condenado a uma pena máxima de 10 anos de prisão e uma multa de 1,5 milhão de euros por proxenetismo agravado neste julgamento.

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