EUA

Pedidos de calma após assassinato de três estudantes muçulmanos nos EUA

Segundo diretor de Associação Islâmica, a morte dos três jovens não deve ser abordada "como um problema muçulmano, é um problema americano"

Da AFP
Da AFP
Publicado em 12/02/2015 às 18:49
Foto: JEWEL SAMAD / AFP
Segundo diretor de Associação Islâmica, a morte dos três jovens não deve ser abordada "como um problema muçulmano, é um problema americano" - FOTO: Foto: JEWEL SAMAD / AFP
Leitura:

Pedidos de calma se multiplicaram nesta quinta-feira em Chapel Hill (Carolina do Norte, sudeste dos EUA), após o assassinato de três estudantes muçulmanos por um homem hostil a todos os credos religiosos.

"É tempo de luto e também um momento para convocar a harmonia e a paz", declarou à AFP Mohamed Elgamal, diretor da Associação Islâmica desta cidade localizada perto de Raleigh.

Segundo ele, a morte dos três jovens não deve ser abordada "como um problema muçulmano, é um problema americano" e, apesar da discriminação contra eles, os muçulmanos dos Estados Unidos devem enfrentá-la unidos.

"Existem temores, mas não ao ponto de mudar nosso modo de vida, porque se o fizermos, os assassinos vencerão. Portanto, devemos ser melhores que eles", completou.

O atirador, identificado como Craig Stephen Hicks, de 46 anos, foi detido sem direito a fiança na cadeia do condado de Durham por três acusações de homicídio doloso, segundo a polícia.

As vítimas, que foram declaradas mortas no local do crime, foram identificadas como os moradores de Chapel Hill Deah Shaddy Barakat, de 23 anos, e sua esposa Yusor Mohammad, de 21, assim como a irmã delas, Razan Mohammad Abu-Salha, de 19 anos, de Raleigh.

Milhares de pessoas se reuniram na quarta-feira à noite em Chapel Hill para prestar homenagem aos três jovens, denunciar a intolerância e pedir uma profunda investigação sobre a motivação para Craig Hicks ter agido desta forma.

Muitos dos que estavam na manifestação temem que os estudantes tenham sido assassinados por causa de seu credo religioso e não por uma simples disputa entre vizinhos.

"Nossos investigadores estão explorando o que pode ter motivado o sr. Hicks a cometer um ato tão trágico e sem sentido como este. Entendemos as preocupações sobre a possibilidade de que o crime tenha sido motivado pelo ódio e vamos esgotar todas as pistas para determinar se esse foi o caso", disse o chefe da polícia, Chris Blue, na quarta-feira.

Em sua página do Facebook, ele se define como um convicto antirreligioso: "Dados os enormes danos que vossa religião fez neste mundo digo que não só tenho o direito, mas como o dever, de insultá-la", escreve tanto em referência aos cristão, aos judeus, aos muçulmanos e aos mórmons.

A legislação americana considera que a classificação "crime de ódio" é um fator agravante de qualquer delito (assassinato, violação, etc.) que tenha sido motivado por raça, religião, etnia, orientação sexual ou incapacidade física ou mental.

Um crime de ódio

"Com toda certeza é um crime de ódio, em todas as partes sua página do Facebook mostra que ele é ateu e odeia os cristãos e os muçulmanos", afirma Sarah Alhorani, ex-estudante da Universidade da Carolina do Norte, onde Barakat estudava odontologia.

O pai das duas irmãs mortas por Hicks, Mohammad Abu-Salha, rejeita a tese de uma disputa entre vizinhos, e na quarta-feira explicou ao diário local The Chapel Hill News and Observer que "este homem já havia mexido antes com minha filha e seu marido e se dirigido a eles com uma arma na cintura. Foi como uma execução, uma bala em cada cabeça".

O suspeito vivia em cima do apartamento dos estudantes. Sua mulher, Karen Hicks, declarou à CNN que "este incidente não tem nada a ver com a religião ou com a fé das vítimas", e se referiu a "recorrentes disputas" sobre o tema estacionamento.

Dos quase 10 milhões de habitantes da Carolina do Norte, cerca de 65.000 são muçulmanos e a maioria vive em Chapel Hill e seus arredores.

O jornalismo profissional precisa do seu suporte. Assine o JC e tenha acesso a conteúdos exclusivos, prestação de serviço, fiscalização efetiva do poder público e muito mais.

Apoie o JC

Últimas notícias