Corrupção

Ex-contadora de Youssef confirma contrato de R$ 2 milhões com Engevix

Esse valor, segundo as investigações da Operação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção na estatal, eram propinas pagas pela construtora em troca da realização de obras na empresa

Da Folhapress
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Publicado em 03/02/2015 às 17:45
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Esse valor, segundo as investigações da Operação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção na estatal, eram propinas pagas pela construtora em troca da realização de obras na empresa - FOTO: Foto: Reprodução/Internet
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Ex-contadora de Alberto Youssef, Meire Poza disse em depoimento à Justiça nesta terça-feira (3) que a empreiteira Engevix, acusada de participar de um "clube da propina" na Petrobras, firmou um contrato de R$ 2,13 milhões com o doleiro.

Esse valor, segundo as investigações da Operação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção na estatal, eram propinas pagas pela construtora em troca da realização de obras na empresa.

Quatro executivos da Engevix são réus sob acusação de corrupção e lavagem de dinheiro --um deles, o vice-presidente Gerson de Mello Almada, está preso. A contadora foi ouvida como testemunha de acusação nesta ação.

"As empreiteiras, por algum motivo, deviam algum valor para o Alberto [Youssef]. Por quê, isso eu não sei dizer para vocês. Eu realmente não sabia", declarou Meire à imprensa, após dar seu depoimento à Justiça Federal. "O que ele dizia era: 'Emita essa nota porque, esse valor, a Engevix me deve'. Mas eu nunca perguntei do que e ele nunca explicou também."

A depoente era contadora da GFD Investimentos, uma das empresas de Youssef. Segundo ela, a GFD administrava hotéis que tinham o doleiro como sócio, mas também emitia notas frias para justificar os pagamentos das empreiteiras.

"Não, ela não tinha prestação de serviços. A empresa fazia a administração dos hotéis, mas, de fato, os serviços descritos nas notas para as empreiteiras não foram prestados", afirmou.

O contrato da GFD com a Engevix foi firmado em janeiro de 2014. Dez notas de R$ 213 mil foram emitidas pela contadora.

Segundo Meire, Youssef jamais achacou ou constrangeu as empresas a realizarem o pagamento --o que foi a tese de defesa de alguns executivos presos na Lava Jato, como Sérgio Mendes, da Mendes Júnior, e Erton Fonseca, da Galvão Engenharia.

"De forma alguma. Era muito bem conversado. A própria Engevix anuiu, concordou com o desconto", disse Meire. A contadora, porém, disse não saber nem lembrar quem eram os executivos que autorizavam o pagamento.

Outras quatro testemunhas devem depor nesta terça, entre elas, a ex-gerente da Petrobras Venina Veloso da Fonseca.

MACONHA

A Polícia Federal desconfia que o doleiro Alberto Youssef e o advogado Carlos Alberto Pereira da Costa, presos na superintendência da PF em Curitiba em decorrência da Operação Lava Jato, fumaram maconha dentro da carceragem.

Em documento interno, dois agentes relatam ter sentido um "odor característico de entorpecente" vindo da cela em que estavam Youssef e Costa --mas, ao entrarem no local, ouviram barulho da descarga do sanitário. O caso, que aconteceu em julho do ano passado, foi revelado nesta terça-feira (3) pelo site do jornal "O Estado de S. Paulo".

Os presos "logo saíram [da cela] aparentando certo desconcerto", narra um dos agentes no relatório. Então, o delegado Ivan Ziolkowski foi chamado ao local a fim de apurar o ocorrido.

A versão dos presos dá conta de que eles fumavam na cela, sim, mas não era maconha. Tratava-se apenas, disse Costa ao delegado, de um cigarro de hortelã confeccionado com uma página da Bíblia. O preso também disse que tinha um isqueiro, que acabou recolhido pelos agentes.

Ziolkowski não ficou convencido. Pediu, então, que o preso enrolasse outro cigarro de hortelã com uma folha bíblica --e acendesse o artefato. O cheiro, disseram os agentes, não era igual ao que sentiram de início.

Outros presos também sentiram o odor característico da cannabis --ou "cheiro de mato queimado", frase que o relatório atribui a um detento. Um deles chegou a ficar animado: "Vai deixar nós tudo doidão", afirmou.

Por ser advogado, Costa tem a prerrogativa de receber visitas sem a presença de agentes da polícia.

A Polícia Federal usou cães farejadores para procurar indícios da droga em todas as celas, mas não encontrou nada.

No dia 19 de janeiro, o Ministério Público Federal decidiu pelo arquivamento do inquérito, já que não houve flagrante e não há provas do suposto crime.

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