Corrupção

Pedro Corrêa é preso na Operação Lava Jato

Cerca de 80 policiais federais cumprem 32 mandados judiciais nos estados do Paraná, da Bahia, do Ceará, de Pernambuco, do Rio de Janeiro e de São Paulo e no Distrito Federal

Da ABr
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Publicado em 10/04/2015 às 8:19
Foto: Bobby Fabisak / JC Imagem
Cerca de 80 policiais federais cumprem 32 mandados judiciais nos estados do Paraná, da Bahia, do Ceará, de Pernambuco, do Rio de Janeiro e de São Paulo e no Distrito Federal - FOTO: Foto: Bobby Fabisak / JC Imagem
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A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta sexta-feira (10) a 11ª fase da Operação Lava Jato, intitulada A Origem, que investiga desvios de recursos na Petrobras. Entre os presos estão André Vargas, ex-membro do Partido dos Trabalhadores (PT), Luiz Argôlo (SD-BA) e o ex-presidente do Partipo Progressista (PP) Pedro Corrêa, que já havia sido condenado pelo mensalão.

Após seis mandatos na Câmara, o ex-deputado federal Pedro Corrêa foi cassado em 2006 e teve seus direitos políticos suspensos até 2014 pelo envolvimento com o escândalo de corrupção do mensalão. Em 2013, Corrêa foi condenado a pena de sete anos e dois meses de prisão. O réu cumpre pena em regime fechado no Centro de Ressocialização do Agreste, em Canhotinho.

Em Pernambuco, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão e dois mandados de condução coercitiva, quando a pessoa é intimada a prestar esclarecimentos. No Recife, dois apartamentos da família Corrêa em Boa Viagem, Zona Sul da cidade, foram visitados pela Polícia Federal; um que estava fechado e outro onde o filho de Pedro, Fábio Côrrea Neto, e a nora, Márcia, moram.

No apartamento, a polícia recolheu documentos que podem ajudar nas investigações. Fábio Corrêa e a esposa foram encaminhados para a PF para prestar esclarecimentos. Os depoimentos devem se estender até o final da tarde desta sexta-feira.

O outro mandado de busca e apreensão e outro de condução coercitiva foram cumpridos em Caruaru, Agreste do Estado, na residência de um ex-funcionário da família. "A polícia encontrou documentos interessantes em Caruaru que podem envolver até a questão eleitoral", explicou o superintendente da Polícia Federal Marcello Diniz Cordeiro.

Pedro Corrêa continua em Canhotinho à espera da decisão da Polícia. Os depoimentos do ex-deputado à Lava Jato podem ocorrer em três situações: a PF enviará as perguntas ao réu; a PF de Curitiba enviará uma equipe para Canhotinho para interrogar Corrêa; ou o réu será levado para a Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.

Os três presos são suspeitos de ter ligação com Alberto Youssef, suspeito de chefiar um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou cerca de R$ 10 bilhões. André Vargas foi preso às 6h, em sua residência em Londrina, no Paraná. O ex-petista teve o mandato de deputado federal cassado no final do ano passado, acusado de quebra de decoro.

Também foram presos Leon Vargas, irmão de André Vargas, Ivan Vernon da Silva Torres, Elia Santos da Hora, secretária de Argôlo, e Ricardo Hoffmann, diretor de uma agência de publicidade.

Cerca de 80 policiais federais cumprem 32 mandados judiciais: sete de prisão, nove de condução coercitiva e 16 de busca e apreensão nos estados do Paraná, da Bahia, do Ceará, de Pernambuco, do Rio de Janeiro e de São Paulo e no Distrito Federal.  Segundo a PF,  também foi decretado o sequestro de um imóvel de alto padrão na cidade de Londrina, no Paraná.

De acordo com a PF, a atual fase tem como bases a investigação feita em diversos inquéritos policiais e a baixa de procedimentos que tramitavam no Supremo Tribunal Federal, apurando fatos criminosos atribuídos a três grupos de ex-agentes políticos, que abrangem os crimes de organização criminosa, quadrilha ou bando, corrupção ativa, corrupção passiva, fraude em procedimento licitatório, lavagem de dinheiro, uso de documento falso e tráfico de influência.

O órgão informou que a investigação abrange, além de fatos ocorridos no âmbito da Petrobras, desvios de recursos em outros órgãos públicos federais. Os presos serão levados para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde permanecerão à disposição da Justiça Federal.

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