DORIA X BOLSONARO

Arrocho no Orçamento pode comprometer 2022, mas Doria 'está morto', diz Bolsonaro

Bolsonaro disse, também, que não vê Doria como uma ameaça para uma eventual reeleição

Estadão Conteúdo Estadão Conteúdo
Estadão Conteúdo
Estadão Conteúdo
Publicado em 31/08/2019 às 17:21
Notícia
Foto: Marcos Corrêa/PR
Bolsonaro e Doria foram aliados durante as eleições de 2018 - FOTO: Foto: Marcos Corrêa/PR
Leitura:

Após a equipe econômica apresentar uma proposta orçamentária para 2020 que pode impor um apagão à máquina pública, o presidente da República, Jair Bolsonaro, disse neste sábado (31) que o arrocho nas contas pode atrapalhar uma tentativa de reeleição em 2022. Ao mesmo tempo, ele afirmou que um de seus potenciais adversários na corrida eleitoral, o atual governador de São Paulo, João Doria (PSDB), não teria chance de derrotá-lo nas urnas. ''Dória está morto'', disse.

Bolsonaro participou de um churrasco no quartel-general do Exército, em Brasília. Pouco depois de entrar, Bolsonaro mandou os seguranças convidarem um grupo de jornalistas e motoristas da imprensa que o esperavam na porta para participar do evento. Ele conversou por cerca de uma hora e meia com os jornalistas.

Na conversa, Bolsonaro disse que o tucano tem ''enchido o seu saco'', e, por isso, tem respondido à altura, mas que não o vê como uma ameaça para uma eventual reeleição. 

Ele ainda disse que Dória era ''peixe'' do PT e que começou a dizer que sua ''bandeira não era vermelha'' somente depois da entrada da ex-presidente Dilma Rousseff.

O presidente, no entanto, demonstrou preocupação com os efeitos que a situação dramática do Orçamento pode ter sobre suas chances de reeleição. Segundo Bolsonaro, o arrocho orçamentário pode "comprometer 2022". Ele disse, entretanto, não estar preocupado com isso. "Não pode ficar obcecado. É igual quando o rapaz está atrás da menina, se ficar obcecado ela não dá bola, é só esnobar que ela vem atrás." 

A troca de farpas entre Doria e Bolsonaro se intensificou nos últimos dias, após o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgar uma lista de pessoas que se beneficiaram de taxas de juros mais baixas para empréstimos para comprar jatinhos. A linha de crédito foi lançada em 2009. Doria, que na época era empresário, está na lista dos que recorreram ao banco de fomento.

Declaração numa live do Facebook

Na quinta-feira, em sua 'live' semanal no Facebook, Bolsonaro afirmou que Doria ''estava mamando'' no governo do PT, referindo-se à compra de aviões com financiamento do BNDES. A declaração foi rebatida pelo governador, que em evento em Berlim, na sexta, negou ter qualquer relação com os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. 

Além do quadro de dificuldades para 2020, a proposta orçamentária ainda prevê uma sucessão de déficits até 2022, um indicativo de que o governo seguirá gastando mais do que arrecada e elevando sua dívida pública.

O governo anunciou na sexta-feira uma proposta de Orçamento para 2020 com apenas R$ 89,161 bilhões destinados às chamadas despesas discricionárias, que incluem investimentos e os gastos para manter a máquina pública em funcionamento. É o menor valor dos últimos dez anos. Os investimentos foram estimados em apenas R$ 19,36 bilhões, queda de quase 30% em relação à proposta de 2019.

A equipe econômica já alertou que os valores são insuficientes para garantir o pleno funcionamento do governo no ano que vem e que buscará medidas para conter o avanço das outras despesas e, assim, abrir espaço no Orçamento.

O teto de gastos limita o avanço das despesas à inflação do ano anterior, mas nem todas estão sob o controle do governo. Benefícios previdenciários e salários crescem muitas vezes num ritmo acima da inflação, o que obriga a área econômica a cortar de outras áreas para fazer caber tudo no teto.

Para tentar contornar a situação dramática das despesas discricionárias, o governo deve adotar uma série de medidas, como antecipou o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado): o fim da multa adicional de 10% sobre o FGTS do trabalhador em demissão sem justa causa (dinheiro que passa pelo Orçamento e consome R$ 5,4 bilhões no teto de gastos), o congelamento das progressões de servidores civis do Executivo nas carreiras (que poderia economizar R$ 2 bilhões), a suspensão de novas contratações do Minha Casa, Minha Vida (que pouparia outros R$ 2 bilhões) e o redirecionamento de recursos do Sistema S. 

Nos últimos dias, diversos ministros encaminharam ofícios à Economia alertando que os recursos previstos para no Orçamento de 2020 são insuficientes e podem comprometer compra de livros escolares, pagamentos de bolsas de estudos e entrega gratuita de medicamentos, entre outros serviços. Neste ano, o baixo nível de despesas discricionárias já ameaça agências reguladoras de um apagão a partir de setembro.

Últimas notícias