Municipalização

Prefeitura também é responsável por deficiências no saneamento de Petrolina, diz Compesa

Em janeiro, o atual prefeito da cidade, Miguel Coelho (PSB), retomou o processo que pretende escolher outra empresa para gerenciar o setor

Renata Monteiro
Renata Monteiro
Publicado em 17/02/2018 às 14:30
Foto: JC Imagem
Em janeiro, o atual prefeito da cidade, Miguel Coelho (PSB), retomou o processo que pretende escolher outra empresa para gerenciar o setor - FOTO: Foto: JC Imagem
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Atualmente responsável por 7% do faturamento anual da Compesa, que em 2017 foi de R$ 1.531 bilhão, a gestão dos serviços de distribuição de água e tratamento de esgoto de Petrolina é alvo de disputa no município desde 2001. Em janeiro, o atual prefeito da cidade, Miguel Coelho (PSB), retomou o processo que pretende escolher outra empresa para gerenciar o setor, alegando graves deficiências da estatal.

Segundo Moisés Almeida, professor da Universidade de Pernambuco (UPE), o crescimento desordenado que ocorreu em Petrolina nas últimas décadas favoreceu que a cidade, que antes se orgulhava de ser uma das mais saneadas de Pernambuco, viva hoje uma situação preocupante nos quesitos saneamento básico e abastecimento de água.

“Devido à fruticultura irrigada é possível notar um crescimento muito além do normal em Petrolina. Os bairros vão crescendo, ficando mais distantes do Centro da cidade, dos centros de captação e, ao longo do tempo, as obras que deveriam ter sido realizadas não foram feitas. O esgoto ainda é jogado, em alguns lugares, no Rio São Francisco. Ou, como no lugar onde eu moro, os dejetos são jogados em fossas”, relatou o docente.

RESPONSABILIDADE

Apesar de afirmar que Petrolina tem uma das melhores coberturas de saneamento das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste (72% de rede de esgoto e 100% de acesso à água encanada), Roberto Tavares, presidente da Compesa, não nega que há desafios a superar na cidade. O administrador ressalta, porém, que parte dos problemas que o município tem é de responsabilidade da própria prefeitura.

“No passado, a prefeitura recebeu recursos do governo federal e disse: ‘pode deixar que eu cuido do saneamento desses bairros’. Mas não concluiu ou fez a obra fora de um padrão que a gente possa operar”, revelou Tavares.

Miguel Coelho não comentou a declaração. Segundo o prefeito, “entrar nesse jogo não é bom para o município”.

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