HÁRPALO

Tudo envolve gestão de Meira, diz delegado sobre operação em Camaragibe

Na operação, foram cumpridos mandados de medida protetiva contra o prefeito Demóstenes Meira e um de seus assessores

JC Online
Cadastrado por
JC Online
Publicado em 26/03/2019 às 10:51
Foto: Guga Matos/Acervo JC Imagem
Na operação, foram cumpridos mandados de medida protetiva contra o prefeito Demóstenes Meira e um de seus assessores - FOTO: Foto: Guga Matos/Acervo JC Imagem
Leitura:

Em entrevista coletiva, o delegado Jean Rockfeller, responsável pela Diretoria Integrada Especializada (Diresp), afirmou que todos os crimes investigados pela Operação Hárpalo, deflagrada na manhã desta terça-feira (26), aconteceram na gestão do atual prefeito de Camaragibe, Demóstenes Meira (PTB).

"Tudo faz parte da administração do prefeito. Isso é objeto da operação da Polícia Civil, que está investigando a gestão do prefeito e seus auxiliares", disse o delegado Jean Rockfeller ao ser questionado sobre o envolvimento de Meira nos crimes de fraude em licitação, corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Segundo o delegado Jean Rockfeller, o secretário de Serviços Públicos e Infraestrutura de Camaragibe, Silvano Queiroz, foi afastado cautelarmente de suas funções. Na operação também foram cumpridos dois mandados de medida protetiva contra o prefeito Demóstenes Meira e um de seus assessores. "A medida serve para proteger a testemunha de possíveis agressores. Portanto, o prefeito e o assessor não podem se aproximar da testemunha, para não atrapalhar as investigações", falou o delegado.

Questionado se a Polícia Civil pediria o afastamento do prefeito Meira, Rockefeller considerou que 'talvez' a permanência dele no cargo possa dificultar as investigações, no entanto, o pedido de afastamento só será feito se as provas contra Meira forem robustas. "Se os elementos de prova forem robustos, com certeza, a Polícia Civil vai fazer seu papel e pedir, não só o afastamento do prefeito, como de outras pessoas, se for necessário", afirmou o delegado.

Além de Camaragibe, foram cumpridos mais quatro mandados nos municípios pernambucanos de São Lourenço da Mata, Recife, Jaboatão dos Guararapes, Gravatá e dois no Rio Grande do Norte.

O delegado ainda disse não ter informações se a noiva do prefeito e secretária de Ação Social de Camaragibe, Taty Dantas, também é alvo da investigação. Recentemente Meira e Taty se envolveram em uma polêmica após o prefeito ter ordenado que servidores comissionados fosse a um show de sua noiva em um bloco de carnaval da cidade.

Nota da Prefeitura

Como resposta à Operação Harpalo, a Prefeitura de Camaragibe afirmou que vai esperar a finalização das investigações para que "todas as medidas legais e necessárias sejam tomadas"

Ainda segundo a nota, encaminhada pela assessoria, todos os processos de licitação têm sido realizados de "forma transparente e legal".

Ainda na manhã desta terça-feira (26), os vereadores que compõem a Câmara Municipal da cidade aproveitaram para se reunir e discutir a situação do município e as polêmicas que envolvem o gestor. 

"Camaragibe está passando por um momento que, durante 30 anos, nunca se viu a cidade chegar ao ponto que chegou hoje. Então precisamos entrar em um consenso em prol da cidade de Camaragibe", disse o vereador Toninho, líder da oposição da Casa.

Confira a nota completa 

"A respeito da Operação Harpalo da Polícia Civil em Camaragibe, a Prefeitura Municipal esclarece que todos os processos de licitação têm sido realizados de forma transparente e legal. O órgão municipal irá aguardar as investigações para que todas as medidas legais e necessárias sejam tomadas, a fim de que tudo seja esclarecido."

Operação

Na manhã desta terça-feira (26), a Polícia Civil de Pernambuco deflagrou a 25ª Operação de Repressão Qualificada de 2019. Denominada "Hárpalo", a ação, ligada ao Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Draco), cumpre mandados na Prefeitura de Camaragibe, na Região Metropolitana do Recife.

A ação conta com a atuação de 90 policiais, entre delegados, agentes e escrivães. Além dos policiais, dois auditores do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) atuam na operação.

Segundo a Polícia Civil, as investigações que deram origem à operação policial começaram em dezembro de 2018. A "Hárpalo" tem como objetivo prender integrantes de uma organização criminosa responsável pelos crimes de fraude em licitação, corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Até o momento, a polícia não divulgou nome algum.

Na ação estão sendo cumpridos dois mandados de medida protetiva, 11 mandados de busca e apreensão, duas suspensões de atividades empresariais e um afastamento cautelar, expedidos pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). Os detalhes preliminares da ação serão divulgados na manhã desta quarta-feira (27) na sede do Draco, em Tejipió, Zona Oeste do Recife.

Últimas notícias