Aumento

Vereadores do Recife justificam aumento por não terem reajuste há oito anos

Mesa Diretora da Casa, autora do projeto, aponta 'perda do poder aquisitivo' dos vereadores já que último reajuste, de 62%, foi aprovado no ano de 2011

Luisa Farias
Luisa Farias
Publicado em 19/12/2019 às 13:46
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Foto: Bianca Souza/Acervo JC Imagem
Mesa Diretora da Casa, autora do projeto, aponta 'perda do poder aquisitivo' dos vereadores já que último reajuste, de 62%, foi aprovado no ano de 2011 - FOTO: Foto: Bianca Souza/Acervo JC Imagem
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Apareceu no Sistema de Processo Legislativo (SAPL) da Câmara do Recife o texto que prevê o aumento de 29,7% do salário dos vereadores do município, aprovado nesta quarta-feira (18) no último dia de trabalho da Casa neste ano. Na justificativa do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) nº 61/2019, de autoria da Mesa Diretora da Casa, é apontada a "perda do poder aquisitivo" dos vereadores uma vez que as suas remunerações foram ajustadas pela última vez no ano de 2011, na época em 62%. O salário de R$ 14.635,00 passará a ser de R$ 18.980,00 a partir da próxima legislatura, que começa em 2021. 

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"Ademais, insta acrescentar que na próxima legislatura (2021/2024) os parlamentares Municipais haverão de suportar uma enorme perda do poder de aquisitivo em razão da corrosão ocasionada pelo processo inflacionário, uma vez que já haverá se passado 08 (anos) anos sem que os Edis percebam um reajuste efetivo, o que demonstra a necessidade de aprovação do presente Projeto de Decreto Legislativo, em cumprimento das determinações constitucionais", diz trecho da justificativa do projeto.

O último reajuste, aprovado pela Câmara no ano de 2011 (Decreto Legislativo nº 540/2019) fixou a nova remuneração em R$ 15.031,76, para começar a vigorar na legislatura seguinte, a partir de 2013. Mas, segundo a justificativa do projeto, esse valor não pôde pago integralmente e teve que sofrer abatimento, pois os parlamentares não podem receber acima do prefeito do município, também de acordo com a Constituição Federal (art. 37, inciso XI), que estabelece o teto remuneratório dos agentes políticos municipais. 

Ainda de acordo com a justificativa, foi aprovado um novo decreto em 2016, para vigorar a partir de 2017, reduzindo o salário dos vereadores para os atuais R$ 14.635,00, a então remuneração do prefeito Geraldo Julio (PSB). 

A justificativa também destaca o limite estabelecido na Constituição Federal (art. 29, inciso VI, alínea “f”) para os salários dos vereadores de municípios com mais de 5 mil habitantes (que é o caso de Recife): 75% do subsídio dos deputados estaduais. A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) recebem R$ 25.322,25. O salário dos vereadores poderiam, portanto, chegar a até R$ 18.991,69. 

O projeto tem os nomes dos integrantes da Mesa Diretora da Casa: o presidente Eduardo Marques (PSB), o 1º vice-presidente, Aerto Luna (PSB), o 2º vice-presidente Chico Kiko (PSB), 3º Vice-Presidente, Fred Ferreira (PSC), o 1º Secretário, Romerinho Jatobá (PROS) e o 2º Secretário, Hélio Guabiraba (Sem partido. Com exceção de Fred Ferreira (PSC), que não estava presente, todos os vereadores da Mesa votaram a favor. 

 

Nota da Câmara

A Câmara do Recife divulgou nota informando que o reajuste na remuneração dos vereadores tem respaldo na Constituição Federal (artigo 29, inciso VI) e no Regimento Interno da Casa (artigo 60, inciso XXVI). "Trata-se, portanto, de uma imposição constitucional, ou seja, obrigatoriamente cabe ao Poder Legislativo fixar o subsídio para a próxima legislatura", diz trecho da nota. 

A Casa também informa que tal reajuste não modifica os recursos repassados pela Prefeitura do Recife ao Poder Legislativo Municipal, tampouco vai de encontro à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). 

A nota reafirma o que foi defendido na justificativa do projeto, a respeito da ausência de reajuste há oito anos. "Neste período a inflação acumulada pelo IPCA foi de 45,26% e pelo IGPM 45,34, enquanto o reajuste no subsídio dos vereadores ficou bem abaixo dos índices oficiais. Lembrando ainda que este reajuste ficará congelado até o ano de 2025", finaliza a nota. 

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