Liderança PSB

Na busca por consenso, Danilo Cabral e Alessandro Molon podem dividir a liderança do PSB na Câmara dos Deputados

Os parlamentares do PSB estiveram reunidos com o presidente nacional do partido, Carlos Siqueira, mas decisão deverá ser tomada na próxima semana

Mirella Araújo
Mirella Araújo
Publicado em 05/02/2020 às 16:37
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Foto: Chico Ferreira / Divulgação
Os parlamentares do PSB estiveram reunidos com o presidente nacional do partido, Carlos Siqueira, mas decisão deverá ser tomada na próxima semana - FOTO: Foto: Chico Ferreira / Divulgação
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Após reunião com o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, nesta terça-feira (4), em Brasília, os deputados federais Danilo Cabral e Alessandro Molon (PSB-RJ) ainda não chegaram a um consenso sobre a escolha do líder da bancada pelo partido socialista. No entanto, algumas soluções foram apresentadas, como o compartilhamento da liderança para o exercício de  2020/2021. 

“A conversa foi muito importante. Apesar da decisão ser exclusiva da bancada, foi muito importante nos reunimos com o presidente Carlos Siqueira, por ele exercer um papel de mediação equidistante dos argumentos. Ele consegue extrair os pontos de cada lado para construir um consenso”, comentou Danilo Cabral. O encontro também contou com a presença dos deputados federais Tadeu Alencar (PSB-PE), que atuou como líder do partido em 2019, e Luciano Ducci (PSB-PR).

Mesmo considerando os avanços nesta conversa, a decisão final sobre o tema será na próxima semana - Alessandro Molon embarca para os Estados Unidos, nesta quarta-feira (5), onde tem um compromisso em Washington, retornando ao Brasil no fim de semana.  Sobre exercer uma liderança compartilhada, Danilo Cabral que defende o rodízio no comando destes postos, considera uma alternativa viável, desde que se defina como isto será na prática.

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“Nós precisamos recompor a unidade da bancada para que ela pudesse ter uma atuação mais coesa. Então, essa discussão de dois anos é para termos um horizonte de planejamento prévio e ter essa visão compartilhada com um trabalho que estreitasse essa relação, claro, respeitando o papel de cada um na condição de líder”, afirmou. O parlamentar possui uma lista com assinatura de 17 parlamentares que o apoiam para assumir a liderança - o documento é um instrumento legítimo para indicação do líder. Mas, com dois nomes colocados, a busca é por um entendimento para evitar uma disputa por votos. 

Atuação pela Educação

Nesta segunda-feira (3), Danilo Cabral protocolou um requerimento convocando o ministro da Educação Abraham Weintraub para prestar esclarecimentos sobre as falhas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019 e, que consequentemente, chegaram a suspensão do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) - decisão já revertida pela Justiça.

"É a primeira vez na história do Enem que estamos vendo estas inconsistências. Precisamos que o ministro preste os devidos esclarecimentos. Essa é a principal porta de acesso ao ensino superior. Quase 4 milhões de jovens brasileiros usam desse instrumento para ter acesso as universidades", declarou Cabral. 

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O parlamentar também comentou sobre a retomada das discussões sobre a permanência do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), que corre o risco de ser extinto até o final de 2020. "O Fundeb é responsável por 63% do financiamento da Educação Básica, o problema é que a participação da União é muito aquém. De R$ 100 do Fundeb, a União banca apenas R$ 10. Tanto na Câmara quanto no Senado existem propostas convergentes que propõe ampliar essa participação de 10% para 40%", explicou Danilo, que é vice-presidente da Comissão Especial da PEC do Fundeb. Segundo o parlamentar, até o momento o Ministério da Educação não apresentou nenhuma resposta objetiva sobre essa questão. 

"A única sinalização que tivemos é que o ministro iria mandar uma nova proposta. Isso foi considerado uma agressão a Câmara dos Deputados, que desde 2015 vem trabalhando em cima dessa questão. Não vamos admitir que depois que realizamos todos os debates necessários, seja apresentada uma nova proposta. Se o Governo não se manifestar, a Câmara irá cumprir com o seu papel. O Fundeb está presente na Agenda Social tocada pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ", disparou.

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