Cena Política

Briga pelo MDB de Pernambuco pode recomeçar, mas cenário é completamente diferente de 2018 e ruim para os Coelho

Entre 2017 e 2018, Fernando Bezerra Coelho entrou em rota de colisão com Jarbas Vasconcelos e Raul Henry pelo comando do partido em Pernambuco. Agora é Miguel Coelho.

Igor Maciel
Igor Maciel
Publicado em 14/07/2021 às 10:56
Análise
Foto: Reprodução / Facebook
Imagem da época em que Romero Jucá foi aliado de FBC para mudar comando do MDB-PE. Jucá nem se reelegeu senador em 2018. - FOTO: Foto: Reprodução / Facebook
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Em 2017, o senador Fernando Bezerra Coelho, que tinha acabado de entrar no MDB, resolveu que assumiria o comando do partido em Pernambuco.

Esqueceu de combinar com Jarbas Vasconcelos (MDB), deputado federal na época, e com Raul Henry (MDB), que era vice-governador do Estado, além de presidente regional da sigla.

A briga foi grande. Jarbas acusou o senador de traição, em discurso na Câmara.

FBC acusou Jarbas de cinismo em resposta, no Senado.

Em nota enviada por Raul à imprensa, na época, FBC era acusado de usurpação. "Não permitiremos que usurpem a nossa história de mais de 50 anos de luta e de resistência", dizia.

O problema entre 2017 e 2018 era o mesmo de hoje. FBC queria ser candidato ao governo do Estado pela oposição e o MDB estava na base do PSB.

Agora, muda o aspirante a candidato, que é o filho, Miguel Coelho (MDB). No cenário, tem outras diferenças também e, por isso, é pouco provável que Miguel tenha sucesso se resolver entrar em litígio.

O presidente nacional do MDB não é Romero Jucá (MDB), como era em 2017/2018. Baleia Rossi, que preside a sigla, tem buscado afastar o partido de Bolsonaro e dos bolsonaristas, tanto quanto pode. Mais que isso, tem feito uma articulação por um grupo que chama de "terceira via", na Câmara e no Senado, incluindo partidos de centro e de esquerda.

Fernando Bezerra Coelho, vale lembrar, é líder de Bolsonaro no Senado.

Tem mais, apesar de estarem integrados ao governo Federal, da mesma forma que estavam em 2017/2018, na época o presidente da República era Michel Temer, também do MDB.

Então, havia uma pressão maior sobre o MDB pernambucano. Isso não acontece agora.

Pelo contrário, o alinhamento com Bolsonaro atrapalha os Coelho.

Antes, Raul e Jarbas não podiam ignorar que o presidente Temer era do partido deles, por mais que fosse mal avaliado. Agora, podem até criticar e usar essa rejeição como justificativa política. 

E o principal, na época, tanto Raul quanto Jarbas foram surpreendidos com os movimentos do senador Fernando Bezerra.

Agora, já sabem o que esperar.

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