Cena Política

Comunicação é metade do problema de Lula. Pior é não esquecer Bolsonaro

Confira a coluna Cena Política desta sexta-feira (12)

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Igor Maciel

Publicado em 11/04/2024 às 20:00
Análise
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O governo Lula (PT) é capenga em popularidade porque ainda não começou a governar. É estranho dizer isso com um ano e quatro meses de gestão e várias ações lançadas para o público, mas uma gestão só funciona pra valer quando consegue se desligar da eleição anterior e ainda não se conectou com o ambiente da eleição seguinte.

A administração petista ainda trabalha com o olho no retrovisor, preocupada com o pleito de 2022 e temendo não chegar ao de 2026 com o favoritismo que imaginou.

Nós e eles

Os sinais estão nos discursos de Lula (PT), nas atitudes da cúpula petista e até na forma como o grupo, hoje no poder, reage a qualquer provocação dos bolsonaristas.

Um exemplo prático foi a reunião ministerial que o presidente convocou quando a preocupação com a popularidade cresceu, há algumas semanas. O pano de fundo era a cobrança de Lula aos ministros para que divulgassem melhor suas ações. Mas, ele próprio desviou do assunto quando começou, durante a reunião, a fazer discurso contra Bolsonaro (PL), adversário anterior, que está inelegível.

Muleta

O diagnóstico da gestão, de que as ações eram realizadas mas não eram divulgadas, está só parcialmente correto. Para que as ações do governo cheguem à população e sejam absorvidas como algo bom é preciso que estejam receptivas a isso.

Nenhuma divulgação terá destaque se os canais de comunicação do governo estiverem sempre congestionados com a polarização eleitoral que o próprio governo não consegue largar, porque usa ela como muleta, para se manter de pé.

Priscila

A vice-governadora Priscila Krause (Cidadania) concedeu entrevista ao Passando a Limpo, na Rádio Jornal, e falou sobre as quase 9 mil habitações a mais destinadas para Pernambuco dentro do Minha Casa, Minha Vida, numa nova modalidade, anunciada esta semana.

Ao todo, o governo de Pernambuco conseguiu viabilizar, desde o ano passado, quase 20 mil moradias.

Déficit

É muito. Não é fácil construir 20 mil casas populares, principalmente pelos poucos terrenos disponíveis em algumas cidades. Mas parece pouco quando se olha para o déficit habitacional do estado: mais de 300 mil moradias ainda são necessárias.

Esforço maior

Os governos anteriores foram deixando o problema acumular e agora é muito mais difícil e mais caro resolver a questão. Apenas no primeiro trimestre deste ano, por exemplo, o Palácio diz que já investiu mais de R$ 220 milhões no setor.

É o equivalente, na média, a 20 vezes o que foi gasto nos últimos quatro anos.

Improvável, não impossível

Um observador da política do Recife, conversando com a coluna, fez uma observação sobre a novela entre o PT e o PSB na cidade. “Com esse movimento de Raquel, praticamente, cortando o PL da gestão e ainda mais próxima de Lula, já pensou se o PT topasse ser vice de Daniel Coelho (PSD)? Seria o maior tempo de TV, e com Lula embarcado, contra Campos”.

É algo improvável, verdade. Mas até quem acredita em Papai Noel sabe que o impossível na política é uma lenda.

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