Gleisi no Planalto para atrair a esquerda não dá certo. E se der é ruim
A justificativa chama atenção porque não foi o único movimento lulista dos últimos dias tentando recuperar bases petistas antigas.

Se for oficializado e confirmado, o convite para Gleisi Hoffmann (PT) virar ministra seria uma maneira de Lula (PT) se reconectar com as bases da esquerda. Esta seria a intenção. Se existe algo curioso com a “intenção” é que ela existe em abundância até no hospício, mesmo quando não está baseada em realidade.
Retornando
A justificativa chama atenção porque não foi o único movimento lulista dos últimos dias tentando recuperar bases petistas antigas. Ele também está buscando reaproximação com a Igreja Católica depois de ver sua popularidade nesse grupo despencar, mas pretende conversar com bispos, quando a popularidade hoje está com os padres que cantam e são como influencers nas redes sociais.
Gleisi
Da mesma forma, Gleisi Hoffmann não funciona para aproximar a esquerda de Lula. E, quanto mais isso funcionar, mais perigoso pode ser. Não é que a esquerda não deva se aproximar mais de Lula, o problema é o canal pelo qual ela chega. Um grupo se conduz pelo seu condutor, se este for Gleisi, com visão radical, ultrapassada e limitada da realidade brasileira, essa esquerda também pensará assim.
Má influência
O problema maior de ter Gleisi como ministra, num cargo como a Secretária Geral da Presidência, como foi cogitado, para levar a esquerda de volta a Lula não é o “nariz torcido” do mercado financeiro e nem a antipatia da imprensa pela ex-presidente do PT. A dificuldade maior vai ser para o país, ter que lidar com uma esquerda ainda mais influenciada pelo que ela pensa.
Sem confirmar
A atual presidente do PT, que não foi confirmada por Lula na última conversa com jornalistas, é a maior responsável pela oposição ferrenha que o partido faz ao ministro da Fazenda de seu próprio partido, Fernando Haddad. Lula, na entrevista coletiva que concedeu na quinta-feira (30), inclusive, elogiou muito seu auxiliar que cuida da economia do país, defendendo-o das críticas de Gilberto Kassab (PSD) que chamou de “injustas”. O presidente do PSD disse que Haddad era um “ministro fraco”.
Lula
Lula foi aquilo que se conhece bem, durante a entrevista, retorcendo as coisas para caber em suas narrativas. Falou que o “déficit fiscal de 0,1% era o mesmo que 0%”, fingindo que R$ 11 bilhões não são nada.
Na própria fala sobre Kassab, distorceu a crítica para responder ao aliado.
Fraco
O presidente da República deu a entender que Kassab tinha chamado Haddad de “fraco”, quando na verdade ele reclamava da fragilidade das decisões da Fazenda, que sempre acabam minadas pelo PT. A crítica era à interferência ideológica e partidária no que deveria conter apenas o pragmatismo dos cálculos. Lula transformou em ofensa pessoal para rebater.
Aviso
De qualquer maneira, o movimento de Kassab está sendo entendido como o de alguém que perdeu a paciência com o governo e está dando um ultimato ao presidente. Não é do feitio dele fazer esse tipo de declaração. O ex-prefeito de São Paulo costuma ser muito mais discreto e evita arroubos.
Quem o conhece há muito tempo estranhou e a tese é de que a gestão Lula estaria levando ele ao limite, sem definir como ficarão os ministérios da Esplanada. Ao mesmo tempo, o PSD quer testar a possibilidade de apoiar um candidato de centro em 2026. A declaração pode ter sido um aviso prévio ao PT.
Confira o episódio, desta sexta-feira (31), do podcast Cena Política