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Deixe seu radar ligado, evite golpes e pirâmides

Não é raro vermos casos de golpes financeiros, muitos baseados em pirâmides, e este é o tema da coluna de Leandro Trajano

Publicado em 19/04/2021 às 9:00
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pirâmides - FOTO: leugim
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Não é raro vermos casos de golpes financeiros, muitos baseados em pirâmides.

O meu objetivo aqui é orientar e despertar as pessoas em relação a tudo o que envolve esse tipo de golpe.

E pra começar, você sabe o que caracteriza uma pirâmide financeira?

Te digo, então, as principais características aqui. São elas: retorno fácil, rápido, muito acima da média de mercado e com pouco esforço. Muitas "oportunidades" chegam a dizer que o retorno é garantido, tem promessa de ganhos extras ao indicar novos clientes e se percebe a falta de informações claras sobre a empresa responsável por cuidar do dinheiro e também em relação aos seus sócios.

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Olhos abertos, pois todo golpe, todo estelionatário, precisa de depoimentos a favor, gente que tenha ganhado e, desta forma, "prova" que dá certo, tendo assim mais força para a adesão de mais pessoas.

Ao ver oportunidades, analise bem, consulte o site da CVM e procure saber se esta instituição ou profissional está credenciado para oferecer tal serviço, e não custa pesquisar algo mais em sites como o Reclame aqui, mais pesquisas na internet e procurar um planejador financeiro para se certificar da viabilidade dessa "oportunidade". E claro, não deixe de considerar fazer um planejamento financeiro aderente ao seu perfil, objetivos e possibilidades, com um profissional que pode contribuir fortemente nessa construção.

A falta de educação financeira é um dos principais motivos para vermos tanta gente caindo nesse tipo de golpe. A quantidade de pessoas que poupa e deixa o seu dinheiro na poupança (80%), evidencia a falta de conhecimento das pessoas em relação a investimentos, à rentabilidade média de acordo com o perfil delas e os riscos inerentes.

Normalmente, as pirâmides vêm cheias de gatilhos, pegando pessoas emocionalmente fragilizadas, muitos passando momento de adversidade financeira, ou também os que querem arriscar, "ver no que isso vai dar", atingindo pessoas que estão de olho em oportunidades e querem mudar de vida, e muitos desses procuram isso de forma mais rápida e com menos esforço.

Há uma diferença que para muitos ainda não é tão clara: o marketing multinível tem a sua receita baseada na venda de produtos ou serviços, por meio da indicação de distribuidores independentes, que recebem um bônus por isso, e seu modelo comercial é sustentável. Já na pirâmide, o sucesso financeiro depende mais das taxas de adesão, da entrada de novos membros, que pode tomar forma, inclusive, na aquisição prévia de produtos.

Nos Estados Unidos, há uma regra que estabelece que pelo menos 70% da receita deve ser originada das vendas. Caso contrário, temos uma pirâmide.

Nos casos de pirâmide, a estimativa é de que mais de 85% dos integrantes tenham prejuízos, os únicos que ganham são aqueles que estão nos níveis mais elevados da pirâmide, que normalmente são poucos, dali pra baixo o negócio termina desmoronando.

Importante ressaltar que a prática de pirâmide financeira, naturalmente, é proibida no Brasil e configura crime contra a economia popular (Lei 1.521/51).

O esquema de pirâmide só é vantajoso enquanto atrai novos investidores. Assim que os novos membros param de entrar, o esquema não tem como manter o retorno prometido e, no geral, antes mesmo disso entra em colapso. E nos primeiros sinais de dificuldade em fazer resgates do valor investido, as pessoas se comunicam, uma vez que é comum a entrada de muitos conhecidos. E com a quantidade de pessoas interessadas em fazer saque aumentando, se percebe que isso não se torna possível, não conseguindo fazer o resgate, a tensão aumenta e o cheiro de golpe fica mais forte. O resto da história você já deve conhecer, vemos frequentemente na mídia.

Portanto, olhos bem abertos, desperta quem você ver que tá se iludindo com alguma falsa oportunidade, viva a realidade e se organize da melhor forma possível sempre.

Abraço e até a próxima!

Divulgação
Leandro Trajano - colunista - FOTO:Divulgação

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