CRIANÇAS

Com atenção aos protocolos, aulas presenciais na educação infantil retornam nas escolas particulares de Pernambuco

Agora, todas as séries dos colégios particulares do Estado estão autorizadas a retomar o ensino presencial

Amanda Rainheri; Katarina Moraes
Amanda Rainheri; Katarina Moraes
Publicado em 24/11/2020 às 9:06
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BRENDA ALCÂNTARA/JC IMAGEM
Retorno da educação infantil ao Colégio Saber Viver, na Zona Norte do Recife - FOTO: BRENDA ALCÂNTARA/JC IMAGEM
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Com informações da repórter Amanda Rainheri, do JC

Após liberação para os ensinos médio e fundamental, nesta terça-feira (24) aconteceu o retorno das aulas presenciais para as crianças do ensino infantil nas escolas particulares de Pernambuco. Impedidos de frequentar as salas de aula desde março de 2020, devido a pandemia da covid-19, os alunos que voltaram às escolas no Recife seguem, além do protocolo exigido pelo Governo de Pernambuco, uma série de regras sanitárias para evitar a contaminação pelo vírus, que variam entre uso de máscara e de álcool em gel, até troca de sapatos. A Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, suspendeu a retomada.

No Colégio Saber Viver, no bairro do Espinheiro, Zona Norte do Recife, o movimento era grande nesta manhã. Segundo a direção, responsáveis de entre 30% e 35% dos 300 alunos do ensino infantil informaram que as crianças vão voltar ao presencial. As aulas vão funcionar em rodízio, em uma semana vai um grupo predeterminado e, na seguinte, outro.

"Na educação infantil a gente precisa ser bem criativo, então a gente utilizou muitas cores para trazer o lúdico para essas crianças começarem a compreender o que pode e o que não pode. Criamos música, fizemos instalação de desenhos no parque explicando o que não poderia ser utilizado naquele momento para que eles possam entender de uma forma interessante, conta a diretora Natália Ayres.

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Volta às aulas presenciais da educação infantil na Red House International School - BRENDA ALCÂNTARA/JC IMAGEM
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Volta às aulas presenciais da educação infantil na Red House International School - BRENDA ALCÂNTARA/JC IMAGEM
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Volta às aulas presenciais da educação infantil na Red House International School - BRENDA ALCÂNTARA/JC IMAGEM
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Volta às aulas presenciais da educação infantil no Colégio Saber Viver - BRENDA ALCÂNTARA/JC IMAGEM
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Volta às aulas presenciais da educação infantil no Colégio Saber Viver - BRENDA ALCÂNTARA/JC IMAGEM
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Volta às aulas presenciais da educação infantil no Colégio Saber Viver - BRENDA ALCÂNTARA/JC IMAGEM
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Volta às aulas presenciais da educação infantil no Colégio Saber Viver - BRENDA ALCÂNTARA/JC IMAGEM

A unidade também adaptou a estrutura para cumprimento de protocolos. "A gente já vem se preparando há um certo tempo, e hoje, enfim conseguimos iniciar nossas aulas. Fizemos diversas mudanças: instalação de pias, compra de termômetros e borrifadores de álcool, sinalização", informou. A diretora conta que a equipe também precisou passar por treinamento para adotar o ensino híbrido - presencial e remoto, ao mesmo tempo. "A gente está utilizando o modelo híbrido. Os alunos e funcionários precisaram se adaptar a essas novas tecnologias. No início foi um pouco difícil, porque foi novidade para todos, mas depois todos conseguiram se adaptar tranquilamente."

Segundo pais que levaram as crianças para a escola, a ansiedade para a volta era grande. “Ela estava ansiosa para voltar desde que as aulas foram suspensas. O período de aulas remotas foi difícil, porque também precisávamos trabalhar. Confio nos protocolos e acredito que seja seguro”, afirmou o comprador Gustavo Zenkert, 39 anos. Ele é pai de Letícia, de 5 anos, que está no 2º ano do infantil, e de Lara, de 7 anos, que está no 2º ano do fundamental. Lara voltou às aulas nessa segunda (23) e Letícia, nesta terça (24).

Já na Red House International School, escola de ensino bilíngue situada nas Graças, também na Zona Norte, 90% dos 25 alunos vão voltar às salas de aula. Entre as ações adotadas pela unidade, estão o envio de máscara para as crianças, a criação de um livro lúdico com história sobre a volta às aulas, a mudança de layout das salas de aula - para garantir o distanciamento -,  medição de temperatura, troca de sapatos ao chegar na escola e a suspensão do uso de mochilas, que foram trocadas por uma embalagem plástica pela maior praticidade na higienização.

"Nossos alunos têm a partir de um ano e meio, então, a partir dessa idade, começamos a fazer um trabalho de preparação para essa nova rotina, porque eles se desorganizam quando têm muitas mudanças nas vidas deles e podem ficar emocionalmente abalados. Então a gente tem que reorganizar e reestruturar essa rotina. Começa com a preparação da escola, mas também nas famílias, que são muito importantes nessa volta", afirmou a diretora pedagógica Annie Bittencourt.

Para os pequenos, a alegria do retorno ao convívio escolar foi certa. “Ela estava muito feliz em casa. Acordou às 6h da manhã, ansiosa. Como é filha única, estava sem contato com outras crianças, isolada. A escola é pequena e está organizada. Sinto segurança no retorno presencial”, disse a arquiteta Gabriela Andrade, 35 anos, mãe de Sofia, 3.

 “A volta é importante para a reinserção no padrão, na rotina dele. A escola, nessa idade, tem essa função da socialização. Acredito que educação deveria ter sido sempre a prioridade, não a última coisa a voltar”, defendeu o médico Lourenço Máximo, 30, pai de Francisco, 4.

Nas salas de aula do Colégio Santa Maria, em Boa Viagem, Zona Sul da capital, o retorno também foi expressivo. Dos 730 alunos com idades entre 2 e 5 anos, cerca de 50% voltaram ao presencial. Entre eles estava Bernardo, de 5 anos, aluno do jardim 2 da unidade. "Ele estava saturado desse tempo em casa. O rendimento já não era o mesmo. Além disso, faltava a parte de socialização. Escola, nessa idade, não é só aprendizado, mas também o contato com outras crianças", argumenta a médica Renata Miranda, 40, mãe do menino. 

Diretora do Santa Maria, Rosa Amélia Muniz também defende a importância do retorno às escolas para o desenvolvimento das crianças. "Nenhuma atividade remota substitui o ensino presencial. Serviu durante a pandemia, para que os alunos pudessem manter a rotina escolar. Mas foi uma rotina parcial, porque a criança precisa da socialização. É o carro-chefe: socialização, interação. Todo o projeto sensorial, como motricidade, lateralidade, cuidado visual, tudo isso faz arte deum programa pedagógico completo da educação infantil. Isso virtual é mais complexo, portanto é necessário o retorno." A escola 

Por nota, o Colégio Damas, localizada nas Graças, informou que, nesta terça-feira (24), voltaram os alunos do Infantil 1 e 2 e, em seguida, retornará o Infantil 3 e 4 na quarta-feira (25). Não haverá, ainda, o sistema de rodizio para este nível de ensino. Como isso, as famílias que optarem pelo ensino presencial podem trazer diariamente os alunos.

A unidade informou que práticas específicas de biossegurança foram adotadas e um protocolo adicional de convivência à Covid-19 fará parte do dia a dia dos alunos, professores e famílias. "Entre os diferenciais estão EPIs específicos para professores e colaboradores que lidam diretamente com as crianças, o uso de calçado higienizado em sala de aula, rotina especial de higienização de brinquedos pedagógicos. Material informativo específico foi confeccionado para essa turminha que tem entre 2 e 6 anos de idade, incluindo uma animação de linguagem acessível ao público infantil", disse.

Os espaços também foram repaginados de forma lúdica, aproximando do imaginário colorido e criativo dos pequenos as novas normas de conivência escolar. Além disso, a escola explicou que os estudantes do Infantil têm um fluxo próprio para a entrada e saída na escola, assim como uma estação de higienização montada especialmente para eles. "Reforçamos ainda que nossos ambientes serão sempre mantidos com portas e janelas abertas promovendo a circulação do ar", completou.

Jaboatão dos Guararapes

Os estudantes da educação infantil da rede privada de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, não voltaram às aulas presenciais nesta terça. A decisão foi tomada pela prefeitura com base nos indicadores do novo coronavírus (covid-19) no município. Jaboatão tem mais de 10,3 mil casos confirmados e 878 óbitos pela doença.

De acordo com a secretária de Educação Ivaneide de Farias Dantas, as 54 instituições particulares de educação infantil do município foram comunicadas no último dia 17 de novembro sobre a decisão. "Encaminhamos ofício para a escolas privadas de educação infantil informando que não seria possível o retorno às aulas presenciais, devido aos indicador, que passou a ser vermelho naquela data no município. A educação infantil exige uma atenção maior por ser um ambiente de afetos, no qual a criança tem o costume de abraçar os professores, os colegas", justificou a gestora.

Posicionamento

O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de Pernambuco (Sinepe), que pressionou o Governo do Estado para a elaboração de um cronograma de reabertura, informou que a volta ao ensino presencial na educação básica deve ter ficado entre 20% e 25%, a menor porcentagem entre todos os segmentos escolares que já retornaram, mas que já era esperado. "O retorno foi tranquilo no sentido de que as escolas estavam prontas para receber. Na semana anterior, as escolas fizeram individualmente uma pesquisa com os alunos e famílias, obtendo a confirmação ou não da ida ao presencial, isso permitiu um controle maior", disse o presidente do Sinepe, José Ricardo Diniz.

O presidente do sindicato criticou a decisão da Prefeitura de Jaboatão e afirmou que "de maneira alguma" vai "acatar a decisão". "Para nós foi algo extremamente fora do contexto, porque existe um comitê de enfrentamento à pandemia da Secretaria do Estado, e nós, já na sexta-feira, levamos um documento de contraposição à decisão do poder municipal e, na verdade, vamos continuar buscando os direitos das famílias e das escolas", garantiu.

O Sindicato dos Professores de Pernambuco (Sinpro) apontou que um percentual de cerca de 90% e 95% dos estabelecimentos educacionais retomaram suas atividades. Porém, o quantitativo de crianças presente ficou abaixo do esperado. Uma das possíveis justificativas apresentadas foi receio dos pais, diante do aumento no número de casos e o risco de uma segunda onda de coronavírus no país.

"Analisando o quadro, não chegou a 40% (dos alunos) por escola". Elas "estão alegando que houve conversa com os pais sobre o retorno e o que sabemos é que isso não está acontecendo devido ao aumento da pandemia e muitos pais estão com medo", disse. 

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