ELEIÇÕES 2022

Troca de farpas entre Humberto Costa e Marília Arraes em eventos

Troca de farpas, provocações e indiretas foram trocadas entre a Frente Popular, liderada pelo PSB com o PT, e Marília Arraes (SD)

Augusto Tenório
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Augusto Tenório
Publicado em 16/05/2022 às 16:37 | Atualizado em 16/05/2022 às 16:48
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Humberto Costa e Marília Arraes na campanha de 2016 - FOTO: DIVULGAÇÃO
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Troca de farpas, provocações e indiretas foram trocadas entre a Frente Popular, liderada pelo PSB com o PT, e Marília Arraes (SD). O fogo cruzado pode indicar o tom da campanha, indicando que a disputa pelo campo de esquerda e pelo eleitorado de Lula (PT) deve ser o primeiro desafio a ser superado pela ex-petista e Danilo Cabral, pré-candidato do PSB ao Governo de Pernambuco.

Nesse domingo, 16 de maio, o diretório estadual do PT realizou um evento para indicar oficialmente o nome de Teresa Leitão ao Senado, com a presença e apoio de Paulo Câmara (PSB), articulador da Frente Popular. Logo no início do evento, Doriel Barros, presidente do PT-PE, deu o tom.

"Não vamos deixar o povo ser induzido ao erro por quem se diz alternativa de esquerda. Precisamos de uma chapa progressista, da esquerda para o centro, e não uma do centro para a direita. (...) Vamos trabalhar para que a base dos trabalhadores tenha a clareza do projeto de Lula em Pernambuco: Danilo Cabral para governo e Teresa Leitão para Senado!", disse o deputado estadual.

Mas as indiretas mais contundentes partiram de Humberto Costa (PT), durante discurso do senador sobre a colega: "Teresa não é daquelas que entram, passam uma chuva e vai embora. Não adianta nada dizer que estava com Lula e quando a Lula mais precisava, virar as cotas. Quem faz isso não é lulista. (...) Aqui em Pernambuco não estamos divididos, não temos dois palanques. Lula estará com o pé em uma única canoa para eleger Danilo e Teresa!".

Marília Arraes deixou o PT após diversos embates internos, no partido e na Frente Popular. Ela foi lançada pré-candidata ao Governo e, depois, ao Senado. Em ambas as ocasiões, não conseguiu ser indicada pelo partido e, na fase final da janela partidária, deixou a legenda para se candidatar ao Governo. Ela lidera a pesquisa de intenção de voto.

Péricles Chagas/Divulgação
Teresa Leitão foi oficializada, com aval do PSB, como pré-candidata do PT ao Senado pela Frente Popular - Péricles Chagas/Divulgação

Ao final do evento, Danilo Cabral foi questionado se o volume de indiretas durante os discursos significa que sua campanha escolheu Marília Arraes como primeira adversária a ser superada. O pré-candidato do PSB disse não ter adversários específicos ou se preocupar com quem será seu adversário na campanha.

Paulo Câmara, durante o evento, disse que o PSB conta com as bases sociais e políticas do PT e enxerga em Danilo e Teresa Leitão uma nova oportunidade para derrotar Jair Bolsonaro e ter o Governo Federal alinhado com o governo de Pernambuco.

Marília Arraes rebateu ataques do PSB e da Frente Popular

Nesta segunda-feira (16), Marília Arraes realizou evento para oficializar sua aliança com André de Paula para a eleição deste ano. Nele, a petista fez menos ataques não provocados aos adversários da Frente Popular, mas quando questionada sobre o tema, não segurou as críticas e alfinetadas.

A pré-candidata discursou afirmando não se conter em fazer campanha pedindo voto para Lula, mas garantindo também um plano de governo em consonância com as diretrizes e linhas adotadas pelo pré-candidato do PT à Presidência da República. "Desde meu primeiro voto apoio Lula, agendas de campanha serão pensadas depois", disse.

Facebook - Marília Arraes
Marília Arraes (SD) e André de Paula (PSD) - Facebook - Marília Arraes

Apesar da fala propositiva, antes ela provocou Danilo Cabral: "Enquanto tem candidato ao governo administrando problemas na sua provável coligação, porque sequer solidez de coligação existe mais num grupo que se perdeu e quer somente o poder pelo poder. Tem candidato que é 'lulista problema', com lideranças disputando o senado... Enquanto isso estamos pensando nas soluções para Pernambuco. (...) Querem colar na imagem de Lula para amenizar a rejeição do governo".

A pré-candidata ao Governo faz referência à situação de Luciana Santos (PCdoB). O PSB chancelou o nome de Teresa Leitão, mas ainda não o apresentou para discutir com os demais partidos da Frente Popular. Enquanto isso, a vice-governadora continua com sua pré-candidatura à Câmara Alta.

Marília, em tempo, falou sobre as críticas feitas no domingo (16) pela Frente Popular, quando Humberto Costa (PT) disse que Lula não teria os pés em 'duas canoas', garantindo que o candidato petista terá um único palanque em Pernambuco.

"Lula disse que Danilo era o candidato do acordo e citou que já teve dois palanques em Pernambuco. Quem deseja apoiar precisa buscar a maior quantidade de apoios possível. Se Lula pudesse ter quatro ou cinco palanques seria ótimo, mas tem gente com objetivos menores", disse Marília Arraes.

Questionada se as 'indiretas' da Frente Popular à sua candidatura significam que o primeiro embate na pré-campanha é com Danilo Cabral, Marília Arraes demonstrou irritação.

"Eles devem estar preocupados, mas o povo vai julgar a baixaria e a forma como eles conduzem as eleições. Estamos preparados para isso, mas vamos fazer uma campanha de alto nível", disse Marília Arraes ao ser questionada se ela seria considerada a primeira adversária do PSB na eleição pelo Governo de Pernambuco.

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Gráfico mostra cenário desenhado pela Paraná Pesquisa - Blog Imagem

Sobre Teresa Leitão, Marília Arraes disse ter respeito. Exaltou o mandato da pré-candidata ao Senado enquanto deputada estadual, mas disse que para a Câmara Alta é preciso experiência em Brasília, algo que, na avaliação da pré-candidata ao Governo, André de Paula possui.

"O legislativo local é muito diferente do congresso local, é estar num mundo diferente, como eu senti quando fui a Brasília. Não tenho dúvida que essa capacidade de trânsito e buscar recursos, representação, é preciso a experiência de uma liderança como André de Paula, com todo respeito aos demais postulantes", disse.

O pré-candidato foi na mesma linha: disse que o momento chama a responsabilidade dos democratas e, por isso, abandonou o que considera uma eleição confortável para reconduzir o mandato à Câmara dos Deputados em nome de concorrer ao Senado. O parlamentar considera a Câmara Alta a casa da "experiência e maturidade".

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